17/06/2020
O luto tem sido um dos temas mais abordados em tempos de distanciamento social, uma vez que a pandemia subverteu os rituais que ajudavam a lidar com as perdas. A Covid-19 não é somente uma crise epidemiológica, mas também psicológica, visto que começamos a reconhecer que nos encontramos no meio de um processo de sofrimento coletivo, em que todos estamos perdendo algo ou em risco iminente de perder.
Além da possibilidade de perda de entes queridos, de um emprego ou de relacionamentos, assistimos à destruição de algo maior: vemos o sistema de saúde, a rede de ensino e a economia, ou seja, toda uma estrutura da qual dependemos, se desestabilizando. Essa percepção de perda do controle de um contexto mais amplo que nos circunda pode se transformar numa sensação de perda do controle de si mesmo ou das tarefas básicas do (velho e novo) cotidiano.
Contudo, a morte está associada a um luto mais intenso, e a supressão dos rituais que trariam alento às pessoas, como velórios e enterros com a presença de parentes e amigos, tem um enorme impacto na saúde mental. Mesmo os dias ou horas que antecedem a morte têm grande relevância no processo de elaboração da perda. É quando podemos fazer uma visita, segurar a mão do ente querido, pedir perdão ou perdoar. São maneiras de suavizar esse impacto.
No entanto, o distanciamento social interfere na conexão que estávamos acostumados, o que pode levar a um quadro conhecido como síndrome do luto prolongado. Embora não seja possível fixar prazos para superar a dor da perda, nessa condição, os pensamentos da pessoa estão focados obsessivamente na inaceitação do rompimento, e ela não consegue realizar nem mesmo as atividades costumeiras. A fixação nessa fase impede o fluxo natural pelas demais fases do luto.
Nesse tipo de situação, é importante buscar uma compensação dessas limitações de vivenciar o luto da maneira tradicional e buscar novas formas e rituais de adaptação à perda. Falar com pessoas com quem se tenha um pouco de intimidade e confiança pode ajudar. Buscar apoio psicológico, e às vezes psiquiátrico, nesse momento, é sempre importante.
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Psi. Hugo Guimarães CRP 01/12863
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