20/05/2026
Nem todo paciente que sabe os nomes dos transtornos conseguiu entrar em contato com a própria dor.
Hoje, muitas pessoas chegam dizendo:
“sou borderline.”
“meu pai é narcisista.”
“minha mãe me traumatizou.”
Mas existe uma diferença profunda entre compreender um conceito… e elaborar um sofrimento.
Na clínica, às vezes o diagnóstico vira identidade.
A teoria vira defesa.
E o sujeito passa a buscar respostas prontas para não entrar em contato com aquilo que sente.
O borderline, muitas vezes, não busca apenas compreensão.
Busca garantia.
Confirmação.
Validação constante.
Como se o outro precisasse preencher um vazio que nunca silencia.
E isso aparece em relações intensas, cobranças emocionais, medo de abandono, necessidade excessiva do outro e dificuldade de sustentar frustrações.
Por trás da raiva, do excesso, da urgência…
muitas vezes existe alguém que nunca aprendeu a se sentir inteiro sozinho.
A psicanálise não trabalha para entregar respostas rápidas.
Ela trabalha para que o sujeito consiga suportar a própria verdade sem precisar se desmontar diante dela.
— Silvia Oliveira
Psicóloga e Psicanalista
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