22/06/2026
Se você não tem o hábito de passar tempo sozinho, esse texto é pra você.
Sempre que faço esse tipo de viagem, a primeira pergunta que escuto é: “Mas você vai sozinho?”. Minha resposta habitual: “Não, vou em minha própria companhia”. De praxe, vem a tréplica: “E você não f**a entediado?”. Respondo: “Comigo mesmo, não.”
É curioso como muitas pessoas enxergam a solidão como um problema a ser resolvido, e não como uma experiência a ser vivida. Mais do que nunca, estamos nos desabituando a estar em nossa própria presença sem distrações: música nos ouvidos, celular nas mãos, rolagem infinita de feeds, séries, conversas em grupo… Byung-Chul Han descreve esse fenômeno como uma espécie de crise de atenção e uma atrofia da capacidade contemplativa.
O prazer de viajar - ou mesmo treinar - sozinho reside no silêncio e quietude, que ajudam a organizar uma mente frequentemente turbulenta. Sem distrações, sem compromissos sociais, sem a necessidade de preencher os espaços criados. Apenas você, seus pensamentos, a natureza e o tempo. Meu lado nerdz assimila com Nietzsche, onde ele evidencia a necessidade de Zaratustra isolar-se à natureza para conseguir conceber o “Super-Homem” (Übermensch).
Nessas caminhadas longas, percebo que muitas respostas aparecem quando paramos de procurar tanto por elas. A mente desacelera, as prioridades f**am mais claras, certas preocupações perdem importância enquanto outras ganham o espaço que merecem.
Viajar sozinho não é sobre estar isolado do mundo, pelo contrário. É uma forma de se reconectar com aquilo que muitas vezes f**a escondido no meio da correria, das notif**ações e da necessidade constante de estar disponível para todos; é um reencontro com o próprio íntimo.
E talvez seja por isso que tanta gente ache estranho. F**ar sozinho exige encarar a única companhia da qual nunca podemos escapar: nós mesmos. Mas acredito que existe uma diferença abissal entre “estar sozinho” e “sentir-se sozinho”.
E você? O que será que descobriria sobre si mesmo se passasse mais tempo sem companhias, sem distrações e sem precisar preencher cada silêncio? F**a a reflexão.
Boa semana a todos e forte abraço.