09/02/2026
“Doutor, você é um artista.” Essa frase ficou ecoando na minha cabeça por dias. E me fez refletir sobre algo que eu vivo diariamente dentro do centro cirúrgico: cirurgia plástica não é só técnica. Mas também não é só arte. Ela nasce exatamente no encontro entre as duas.
A técnica é a base de tudo. É o que garante segurança, previsibilidade e consistência. É aquilo que se estuda, se treina, se aprimora e se repete. Sem uma técnica sólida, não existe resultado duradouro. Mas, ao mesmo tempo, só a técnica não é capaz de criar beleza. Porque beleza envolve percepção, envolve proporção, envolve sensibilidade.
Essa parte mais subjetiva vem do olhar. De entender o estilo de vida da paciente, o tipo de roupa que ela gosta de usar, a forma como ela se enxerga, o que ela espera sentir quando se olhar no espelho depois da cirurgia. É nesse ponto que a cirurgia deixa de ser um procedimento e passa a ser um projeto personalizado, construído a partir da história, da personalidade e do desejo de cada paciente.
Quando técnica e sensibilidade caminham juntas, o resultado deixa de parecer “feito” e passa a parecer natural, harmônico, coerente. É quando o corpo conversa com quem a paciente é. E é exatamente aí que eu sinto que acertei. Porque cirurgia plástica, no fim das contas, não é sobre mudar pessoas. É sobre revelar uma reconexão com a segurança, liberdade e confiança delas mesmas.