23/06/2026
Quando uma paciente chega com azia, refluxo, inchaço e má digestão, a primeira conduta da medicina convencional é prescrever omeprazol. Porém, em muitos casos, o problema não é excesso de ácido. É exatamente o oposto. É a falta de ácido. E tratar falta de ácido com omeprazol é um erro grave.
A hipocloridria é a condição de produção insuficiente de ácido clorídrico pelo estômago. O pH gástrico saudável deve estar entre 1,5 e 3,5. Esse nível de acidez é essencial para ativar a pepsina e digerir proteínas, para absorver ferro, cálcio, zinco, magnésio e vitamina B12, e para proteger o organismo contra patógenos.
A azia e o refluxo, na maioria dos casos, são causados pela falta de ácido. Quando o estômago não tem ácido suficiente, o alimento fermenta, gera pressão intraabdominal, abre o esfíncter esofágico e o pouco ácido que existe sobe para o esôfago. Portanto, a queimação não é por excesso de ácido, mas pelo ácido no lugar errado.
Sem ácido suficiente, as proteínas chegam ao intestino sem ter sido adequadamente digeridas, causando disbiose e inflamação. A absorção de ferro, zinco, magnésio e B12 f**a gravemente comprometida. O ácido gástrico é a principal barreira contra bactérias e fungos. Sem ele, SIBO, candidíase e disbiose intestinal se instalam.
O omeprazol agrava a hipocloridria. Quem já tem pouco ácido e toma omeprazol está piorando exatamente o problema que precisava tratar.
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🔍 Referências: Heidelbaugh JJ. Proton pump inhibitors and risk of vitamin and mineral deficiency. Ther Adv Drug Saf. 2013;4(3):125-133. DOI: 10.1177/2042098613482931 Schubert ML, Peura DA. Control of gastric acid secretion. Gastroenterology. 2008;134(7):1842-1860. DOI: 10.1053/j.gastro.2008.05.021