07/04/2026
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Você já sabe que deveria fazer terapia. Já sabe que o exercício físico ajuda, que dormir bem importa, que é bom tentar manter alguma rotina. Existe um mercado inteiro de livros de autoajuda, podcasts motivacionais, aplicativos de meditação e especialistas em bem-estar que não cansa de lhe dizer o que fazer. E ainda assim você não faz. Ou faz, seguindo cada passo prescrito com disciplina, e nada muda de verdade. A depr3ssão continua lá, como uma presença obstinada, indiferente à sua obediência.
O que falta, então? A coragem de saber. E a psicanálise pode ser uma saída.
A psicanálise lacaniana propõe uma resposta que, à primeira escuta, pode soar dura demais, até mesmo injusta: o deprimido sofre de uma covardia moral. Não abandone o texto aqui. Siga até o final, ou retome mais tarde. Essa expressão, formulada por Jacques Lacan e amplamente desenvolvida por uma série de psicanalistas brasileiros como Maria Rita Kehl e Antônio Teixeira não é um insulto nem um diagnóstico moral no sentido tradicional.
Não se trata de dizer que o deprimido é uma pessoa de mau caráter, sem coragem diante dos perigos da vida, fraco ou irresponsável. A covardia de que se fala aqui é de outra natureza: é uma covardia diante de si mesmo. É o recuo diante do próprio desejo.
O psicanalista Antônio Teixeira, ao comentar essa passagem de Lacan, lembra que a palavra francesa usada no original, lâcheté, carrega o sentido de frouxidão, de ausência de tensão. Não necessariamente a frouxidão daquele que foge do perigo físico, mas a frouxidão do sujeito que não sustenta a tensão necessária para se situar diante da própria vida.
Quem se comporta como um frouxo, nesse sentido, é quem não consegue se manter firme diante do que é mais propriamente seu: sua palavra, seu próprio pensamento, sua posição como sujeito do inconsciente nesse pensamento.
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