12/05/2026
Toda relação deixa marcas!
Nenhum encontro passa em branco. Desde os primeiros vínculos, vamos sendo inscritos no outro — e é nessa trama que o sujeito se constitui. Como já apontava Donald Winnicott, “é no ambiente suficientemente bom que o self pode emergir”. O vínculo funda o sujeito.
Amar também é lidar com a falta. Não existe relação sem desencontro, sem hiato. Para Jacques Lacan, “amar é dar o que não se tem”. Amor e falta coexistem — e é justamente isso que torna o laço humano tão potente quanto desafiador.
No início da vida, a figura materna ocupa um lugar central. Mas é importante dizer: a mãe não é perfeita — e nem precisa ser. Ainda segundo Winnicott, a “mãe suficientemente boa” é aquela que falha, mas também repara. É nessa oscilação que a criança aprende a existir no mundo real.
O problema não está apenas na falta, mas também no excesso. Relações invasivas, superprotetoras ou sem espaço para o outro também deixam marcas. O excesso sufoca, assim como a ausência desampara.
É no equilíbrio — entre presença e ausência, cuidado e autonomia — que se estrutura um sujeito mais integrado.
Um bom exemplo disso aparece no filme Divertida Mente, onde vemos como as experiências emocionais e os vínculos familiares moldam a subjetividade da personagem Riley. Cada relação, cada mudança, cada afeto vivido deixa marcas que participam da construção de quem ela é.
No fim, não se trata de evitar marcas — isso é impossível. Trata-se de compreender quais marcas estamos ajudando a construir.
Psicólogo Leandro C.C. Brito
CRP 05/56257