18/07/2026
VOCÊ NÃO É TRAMPOLIM DE BÊBADO
Existe um ponto onde a nossa boa vontade bate de frente com a burrice voluntária de quem escolheu viver anestesiado. Sabe aquele trabalho ingrato de tentar puxar um amigo da lama, oferecendo lógica, cafezinho e conselhos de adulto de segunda a sexta, só para ver a criatura se jogar no lixo assim que o relógio bate às seis da tarde na sexta-feira?
Pois é. Você não está ajudando ninguém; você virou uma mola propulsora de ressaca.
Durante a semana, a pessoa finge que virou um monge budista ou um filósofo grego. Ela pega a sua sobriedade emprestada, concorda que a vida que ela leva é fútil, chora as pitangas e jura de pé junto que "agora aprendeu". Mas aquilo não é evolução espiritual; é só a ressaca da última humilhação falando mais alto.
Eis o milagre da sexta-feira…
Basta o final de semana apontar na esquina para o cérebro de ameba do sujeito ativar o modo autodestruição. O vício em dopamina barata e a necessidade de aprovação daquela "turma" maravilhosa pesam muito mais do que qualquer conselho inteligente.
Aí começam as desculpas clássicas que não enganam nem uma criança de cinco anos, como dizer que "vai só tomar uma água com um amigo" ou que "precisa de uma saidinha rápida para espairecer, afinal trabalhou demais".
Pronto. É o passaporte gourmet para voltar correndo pro chiqueiro do hedonismo. O roteiro do sábado e do domingo você já conhece: vexame, dinheiro jogado fora e dignidade zero. Na segunda-feira de manhã, o Alecrim Dourado reaparece com cara de cachorro molhado, implorando para você ser a bússola moral dele outra vez.
O diagnóstico é claro: Essa criatura não quer ser salva. Ela apenas customizou a própria desgraça.
Ela aprendeu a encaixar a miséria existencial na rotina. Virou uma especialista em burrice funcional: passa a semana fingindo que constrói algo, passa o final de semana destruindo tudo com orgulho, e repete o ciclo. Ela viciou no camarote da autodestruição e, principalmente, no luxo de ter você como o super-herói de plantão para limpar a bagunça dela na segunda-feira.
De verdade, a vida ensina que só podemos controlar nossas próprias ações. E a melhor ação aqui é parar de carregar no colo quem tem pernas, mas prefere rastejar.
Marlon Santos