10/05/2026
Há quem gaste o tempo tentando editar o passado alheio com a tinta do rancor. Eu prefiro ler o livro completo.
Minha mãe é uma dessas figuras raras que, muito antes de se falar em temperamentos — melancólico, colérico, sanguíneo ou fleumático — já sabia ler a alma de cada filho para nos dar a ferramenta exata de enfrentamento do mundo. Com ela, aprendi que o sucesso de hoje é apenas a pergunta para o que faremos amanhã, e que o trabalho é a única base onde a dignidade se sustenta.
Mas a maior lição foi sobre a diferença entre ‘ser bonzinho’ e ser humano. Ser ‘bonzinho’ é fácil; é uma postura de quem busca aprovação, uma estética para as redes sociais. Minha mãe nunca teve vocação para o holofote ou para a bondade performática. Ela nos ensinou que ser verdadeiramente humano é muito mais difícil: exige senso de justiça, firmeza e a capacidade de não ser refém dos próprios erros ou dos erros dos outros.
Prova disso é a sua hierarquia de valores. Quando o mundo nos cobra mágoa, a ordem que dela desce é sempre a de ajudar. Ela me ensinou que o dever de socorrer o próximo independe de qualquer situação passada. Ela não é ‘legal’ por conveniência; ela é justa por princípio. Ter senso de justiça, para ela, nunca significou falta de compaixão.
Mãe, obrigado por não ter tentado parecer perfeita, mas por ter sido real. Sua verdade não se defende com gritos ou revanches, mas se confirma no silêncio do trabalho e na mão estendida, mesmo a quem não soube nos tratar com a mesma nobreza.
Feliz Dia das Mães para o meu maior exemplo de força e sabedoria prática.