09/07/2026
❄️ Autismo e a sensibilidade com as roupas no inverno
Com a chegada do frio, é comum que as famílias observem maior resistência ao uso de casacos, blusas de lã, meias, gorros ou cachecóis. Muitas vezes, esse comportamento é interpretado como “teimosia”, quando, na realidade, pode estar relacionado à hipersensibilidade tátil, uma alteração no processamento sensorial frequentemente presente em pessoas autistas.
O cérebro recebe informações do toque o tempo todo. Em crianças com alterações no processamento sensorial, esses estímulos podem ser percebidos de forma muito mais intensa do que para outras pessoas. Uma etiqueta pode parecer uma “agulha”, uma costura pode causar dor, um tecido áspero pode ser insuportável e o acúmulo de camadas pode gerar sensação de aprisionamento ou superaquecimento.
É importante compreender que não é uma questão de escolha ou comportamento, mas sim da forma como o sistema nervoso interpreta esses estímulos.
Como terapeuta ocupacional, orientamos que a adaptação aconteça de maneira gradual e respeitosa:
🩵 Priorize tecidos macios, leves e sem etiquetas.
🩵 Permita que a criança participe da escolha das roupas sempre que possível.
🩵 Evite mudanças bruscas e introduza novas peças aos poucos.
🩵 Observe quais texturas são melhor aceitas e monte um “guarda-roupa sensorial” com essas preferências.
🩵 Nunca force o uso de uma roupa que esteja causando sofrimento. O objetivo é promover conforto, segurança e participação nas atividades do dia a dia.
Cada criança possui um perfil sensorial único. Por isso, a Terapia Ocupacional é fundamental para compreender essas necessidades e desenvolver estratégias que favoreçam o bem-estar, a autonomia e a qualidade de vida durante todas as estações do ano.
💙 Acolher é compreender que, muitas vezes, aquilo que não conseguimos ver é justamente o que a criança mais sente.