16/04/2026
Hoje tivemos uma roda de conversa muito especial com Marina Magalhães, advogada parental que vem se aprofundando na educação parental, e fomos conduzidos a reflexões potentes sobre os caminhos da chamada educação positiva.
Ao contrário do que muitos ainda pensam, ela não se relaciona à psicologia positiva. Estamos falando de uma forma de educar sustentada por fundamentos como a teoria do apego, a neurociência do desenvolvimento, a teoria polivagal e a corregulação emocional.
Mais do que olhar para o que está por trás do comportamento da criança, o grande convite foi refletir sobre o que está por trás do nosso próprio comportamento diante da educação de uma criança.
Quais histórias carregamos?
Quais formas de cuidado recebemos?
Quais padrões repetimos sem perceber?
Um dos pontos que mais reverberou em nossa conversa foi a reflexão sobre as Experiências Adversas na Infância (ACEs): marcas emocionais e relacionais que muitos de nós atravessamos e que, muitas vezes, reaparecem na forma como educamos, reagimos e nos posicionamos no cuidado.
E aqui talvez esteja um dos maiores convites da parentalidade: olhar para si.
O adulto também precisa estar em um processo de autoconhecimento. Muitas vezes, é na terapia e nos espaços de escuta que conseguimos reconhecer padrões repetidos, dores antigas e respostas automáticas que, sem intenção, podem se tornar nocivas.
A infância é o tempo em que se constroem as bases afetivas, emocionais e relacionais que acompanharão o adulto no futuro.
Por isso, estar com uma criança — seja como mãe, pai, cuidador, educador ou alguém que a cerca — pede presença, consciência e responsabilidade afetiva.
Pelo autoconhecimento, abrimos espaço para a autorresponsabilização. E, a partir dela, para um cuidado mais consciente, mais seguro e mais humano.
Porque educar uma criança também é ter coragem de revisitar a nossa própria história.