Mônica Vasques - Taróloga

Mônica Vasques - Taróloga Tarot é uma ferramenta para nos auxiliar no processo de autoconhecimento trazendo mensagens do inconsciente através dos arcanos

O que um tarólogo faz quando não está lendo para ninguém?Existe um pequeno Tarô que mora dentro de uma latinha de metal ...
02/08/2026

O que um tarólogo faz quando não está lendo para ninguém?

Existe um pequeno Tarô que mora dentro de uma latinha de metal e quase sempre está na minha bolsa. Não me lembro exatamente quando ele começou a me acompanhar; apenas percebi, um dia, que já havia atravessado comigo por parques, esperado em salas de consultas médicas, dividido o silêncio de algumas cafeterias e encontrado lugar em muitos domingos. Sem que eu tivesse a intenção de transformá-lo em um ritual, ele acabou se tornando uma espécie de companheiro de caminho.

Durante a semana, minhas cartas se abrem para as histórias de quem me procura. Escuto perguntas, acompanho desafios, observo símbolos que, pouco a pouco, encontram lugar na vida de outras pessoas. É um movimento inteiramente voltado para fora, para esse espaço delicado onde alguém deposita sua confiança e me permite caminhar, ainda que por um breve trecho, ao lado de sua história.

O domingo, porém, muda a direção desse movimento.

Quando encontro uma cafeteria tranquila, escolho uma mesa perto da janela, peço um chá e só então abro a pequena latinha. Há algo nesse gesto que não tem a ver com pressa nem com método. É apenas a forma que encontrei de devolver a mim mesma a mesma escuta que ofereço durante toda a semana.

Todos os domingos tiro uma única carta e é ela quem inaugura a conversa. 

Ao longo dos dias que se seguem, volto muitas vezes àquela imagem para perceber como aquele símbolo encontra formas de se manifestar no cotidiano. Às vezes ele aparece numa conversa aparentemente comum. Outras vezes surge numa pergunta que insiste em permanecer aberta. Descobri, com o tempo, que estudar um Arcano é muito menos decorar seus significados do que aprender a conviver com ele até que sua linguagem comece a transformar a nossa maneira de olhar.

A carta que me acompanhará nesta semana é **A Estrela**.

Antes de procurar qualquer interpretação, gostaria de lhes propor um exercício que faço comigo mesma todos os domingos: observem a imagem por alguns instantes, em silêncio, e deixem que ela fale antes dos seus pensamentos. 

Tenho curiosidade em saber: o que, na Estrela, chamou primeiro o olhar de vocês?

O vento vinha do mar e entrava pelas frestas das janelas antigas. O cheiro da maré sizígia recuava,formando espelhos d’á...
26/07/2026

O vento vinha do mar e entrava pelas frestas das janelas antigas. O cheiro da maré sizígia recuava,
formando espelhos d’água.

Sons de tambores e burburinhos atravessavam as bandeirolas coloridas no céu da minha cabeça
agitavam-se

Eu respirava todas as linguagens
E, sem perceber, alguma coisa em mim respirava de volta. Foi estranho. Porque eu não estava apenas conhecendo a cidade. Era como se a cidade estivesse me reconhecendo também.

Depois de São Luís,
algumas coisas envelheceram.

Velhos medos.
Velhas maneiras de existir.
Velhas cascas que se quebram quando já não se cabe mais dentro delas.

E a vida foi costurando um caminho próprio
me levando para o exato momento
dentro de cada encontro ou desencontro.

Até que alguma coisa despertou.
Quando os anjos tocam as trombetas,
é hora! ESTOU DECIDIDA.

Pisei na Rua de Giz
vi os azulejos insistindo em permanecer apesar dos séculos. E entendi que resistência é continuar viva enquanto tudo muda.

Tambor de Crioula
Bumba meu Boi

O mito sobrevive porque há
corpos dispostos a dança-los,
vozes dispostas a cantá-los
mãos dispostas a borda-los
e corações dispostos a acreditar

A memória respira

E, talvez sem perceber,
alguma coisa em mim também renasceu
O corpo reconhece antes mesmo da razão.
E, depois de ouvir esse chamado… não há retorno. Há caminho. E aqui estou.

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25/07/2026
07/07/2026

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☕️ Hora do Chá e Tarot | A armadilha da leitura imagética

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Para fins pedagógicos:

- leitura estrutural: número, naipe, astrologia
- leitura iconográfica: o que a cena efetivamente representa
- leitura associativa: o que eu completei mentalmente a partir da cena

O Dois de Copas descreve uma operação de encontro que não se reduz ao vínculo afetivo entre duas pessoas, mas que pode s...
15/06/2026

O Dois de Copas descreve uma operação de encontro que não se reduz ao vínculo afetivo entre duas pessoas, mas que pode ser compreendida como a estrutura fundamental de qualquer relação na qual a alteridade é reconhecida sem ser assimilada. Diferentemente do que ocorre no Ás, onde a água emocional flui como fonte indiferenciada, ou no Três, onde essa água já se organizou em celebração compartilhada, o Dois representa o momento no qual uma corrente estabelece pela primeira vez um canal com outra corrente, e cada uma reconhece na outra sua própria possibilidade de expansão.

A operação central desta carta é a de simular, internamente, situações de ameaça que não existem no plano concreto, mas ...
14/06/2026

A operação central desta carta é a de simular, internamente, situações de ameaça que não existem no plano concreto, mas que produzem no corpo e na psique as mesmas reações que produziriam se fossem reais. A insônia, o despertar súbito no meio da noite com o coração acelerado, a ruminação que revisita os mesmos pensamentos sem avançar, a sensação de culpa sem falta cometida — todos esses fenômenos são manifestações do Nove de Espadas. O que os unifica é a ausência de um objeto externo proporcional à intensidade do sofrimento. A mente entrou em um loop no qual ela é, ao mesmo tempo, a vítima, o algoz e o cenário do crime.

Se você deseja estudar o Tarot para além dos significados prontos, desenvolvendo uma compreensão simbólica e filosófica dos arcanos, entre em contato comigo

Mônica Vasques
19 996226653

A experiência que esta carta descreve para o consulente é a de um dilema que não cede à deliberação porque qualquer deli...
13/06/2026

A experiência que esta carta descreve para o consulente é a de um dilema que não cede à deliberação porque qualquer deliberação já pressupõe a escolha de um critério, e o consulente ainda não decidiu qual critério usar.

A função simbólica do Dois de Espadas, portanto, não é advertir contra o conflito ou recomendar a prudência. É mostrar que a mente pode criar um labirinto perfeitamente simétrico do qual não se pode sair porque não há assimetrias que permitam a escolha. A saída, se há alguma, não está no interior do labirinto, mas na decisão de tratar o problema como já resolvido porque a manutenção do impasse, ao longo do tempo, produz mais custo do que qualquer solução imperfeita.

O Dois de Espadas não oferece uma terceira via; ele apenas descreve o momento em que manter as duas vias abertas se torna, ela mesma, a mais custosa das vias

Se você deseja estudar o Tarot para além dos significados prontos, desenvolvendo uma compreensão simbólica e filosófica dos arcanos, entre em contato comigo

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