Tatiana Festi Psicóloga

Tatiana Festi Psicóloga Psicóloga graduada pela Universidade Estadual de Maringá e especialista em psicologia Junguiana co

Psicóloga formada pela Universidade Estadual de Maringá (UEM) - 2005Especialização, pós graduação lato sensu, em Psicoterapia Junguiana IJEP - FACIS/IBEHE Participante do Grupo de Estudos da Obra Completa de Carl Gustav Jung pelo Opus Instituto de Psicologia Junguiana - Campinas

Falar não é, por si só, um ato que cura.Dependendo de onde — e para quem — a palavra é entregue, ela pode até se tornar ...
28/03/2026

Falar não é, por si só, um ato que cura.
Dependendo de onde — e para quem — a palavra é entregue, ela pode até se tornar mais uma experiência de desencontro ou de dor.

Refinar a escuta é um dos pilares do trabalho de um analista.
Mas você não precisa ser analista para também cuidar da sua escuta nas relações: numa amizade, com familiares, filhos, parceiro ou parceira.

Acredito que existe uma diferença importante entre ouvir e oferecer um lugar para que algo possa ser construído no encontro, durante um diálogo.

Há pessoas tão ruidosas (por dentro e por fora) que mal conseguem sustentar a espera pelo término de uma frase.

Outras, tão tomadas por suas próprias opiniões e certezas, que mais ferem do que acolhem.

E há ainda aquelas que parecem um compêndio de frases prontas, conselhos e julgamentos.

Sem contar os silêncios que não acolhem, mas abandonam.

Escutar, de verdade, talvez exija algo raro:
disponibilidade interna e a coragem de não saber.

Porque há momentos em que não há o que dizer.
E, ainda assim, é possível sustentar:
“eu não sei o que fazer com isso, não sei o que dizer, mas estou aqui com você.”

Sem a necessidade de resolver, corrigir ou apressar que algo mude.

Muitas vezes, oferecem-se respostas rápidas (e rasas) para questões complexas — mais para aliviar a própria angústia de quem ouve do que, de fato, para estar com o outro.

Escutar pode, às vezes, signif**ar apenas permanecer.

Tatiana Festi
Psicóloga

“Você precisa falar sobre o que sente.” Verdade.Mas… há alguém capaz de escutar?Falar não é, por si só, um ato que cura....
25/03/2026

“Você precisa falar sobre o que sente.” Verdade.
Mas… há alguém capaz de escutar?

Falar não é, por si só, um ato que cura.
Dependendo de onde — e para quem — a palavra é entregue,
ela pode até se tornar mais uma experiência de desencontro ou de dor.

Refinar a escuta é um dos pilares do trabalho de um analista.
Mas você não precisa ser analista para também cuidar da sua escuta nas relações: numa amizade, com familiares, filhos, parceiro ou parceira.

Acredito que existe uma diferença importante entre ouvir
e oferecer um lugar para que algo possa ser construído no encontro, durante um diálogo.

Há pessoas tão ruidosas (por dentro e por fora) que mal conseguem sustentar a espera pelo término de uma frase.
Outras, tão tomadas por suas próprias opiniões e certezas, que mais ferem do que acolhem.
E há ainda aquelas que parecem um compêndio de frases prontas, conselhos e julgamentos.

Sem contar os silêncios que não acolhem, mas abandonam.

Escutar, de verdade, talvez exija algo raro:
disponibilidade interna e a coragem de não saber.

Porque há momentos em que não há o que dizer.
E, ainda assim, é possível sustentar:
“eu não sei o que fazer com isso, não sei o que dizer, mas estou aqui com você.”

Sem a necessidade de resolver, corrigir ou apressar que algo mude.
Muitas vezes, oferecem-se respostas rápidas (e rasas) para questões complexas — mais para aliviar a própria angústia do que, de fato, estar com o outro.

Escutar pode, às vezes, signif**ar apenas permanecer.

Tatiana Festi
Psicóloga

Hoje foi um daqueles dias salpicados de poesia. Na minha clínica. Na breve caminhada diária. Nos silêncios dos intervalo...
20/03/2026

Hoje foi um daqueles dias salpicados de poesia. Na minha clínica. Na breve caminhada diária. Nos silêncios dos intervalos ...
E me lembrei deste livro do escritor português Afonso Cruz que cria um mundo onde tudo deveria ser mensurado e ter alguma utilidade prática. Desde as miligramas de uma lagrima até a quantif**ação dos decibéis de um grito.

Mas, qual seria o lugar da poesia?
Mesmo com tanta aridez ainda se buscava, ou melhor, se comprava poetas.

A poesia é necessaria e dá seu jeito para ser. Ela chega. As vezes f**a um tantinho apenas, mas se ela é vista, sempre deixa algo para quem a viu e em quem a sentiu.

"O poeta dizia que os versos libertam as coisas.
Que quando percebemos a poesia de uma pedra, libertamos a pedra de sua "pedridade".
Salvamos tudo com a beleza.
Salvamos tudo com poemas.

Temos que libertar as coisas."

Vamos comprar um poetas, p.77

Tatiana Festi
Psicóloga





Quando tentamos contar sobre algo que vivemos, não estamos apenas reproduzindo fatos. De algum modo, precisamos construi...
15/03/2026

Quando tentamos contar sobre algo que vivemos, não estamos apenas reproduzindo fatos. De algum modo, precisamos construir uma nova forma para aquilo que aconteceu conosco.

Criar, nesse caso, não signif**a inventar ou mentir. Trata-se de um trabalho de dar contorno ao vivido — aproximar-se de algo que, inicialmente, era apenas sensação, algo difícil de nomear.

Em análise o paciente não apenas recorda sua história; ao narrá-la, ele também a reorganiza, a pensa de outra maneira.

Talvez por isso falar da própria experiência — em análise, na escrita ou mesmo numa conversa — seja também uma forma de criação.

Tatiana Festi
Psicóloga




Quando falo em paciente, penso em alguém que merece tempo, cuidado, espaço para elaborar a própria dor – não alguém que ...
09/02/2026

Quando falo em paciente, penso em alguém que merece tempo, cuidado, espaço para elaborar a própria dor – não alguém que precisa suportar tudo em silêncio.

Muitas vezes, a maior dificuldade não está necessariamente no que o mundo externo faz com a gente, mas no que já aprendemos a fazer com nós mesmos: repetir padrões inconscientes, normalizar excessos, aguentar o que é insuportável porque um dia isso foi a única forma possível de seguir vivendo.

É como se uma parte nossa tivesse aprendido que “funcionar” é engolir, adiar, segurar mais um pouco.

Na clínica, o trabalho passa por aí: reconhecer onde precisamos de acolhimento e tempo, e onde estamos sendo “pacientes demais” com violências sutis, culpas herdadas, exigências impossíveis.

Ter reserva com a palavra PACIENTE, pra mim, é justamente desejar que sejamos cada vez mais IMPACIENTES com o sofrimento desnecessário que vai estragando nossos dias por dentro.

E você, com o que tem sido excessivamente paciente – por costume, lealdade antiga ou medo de desapontar?

Tatiana Festi
Psicóloga
CRP 06/93815





Quando a vida f**a insuportável, algumas pessoas se isolam. Outras “esquecem”. E, às vezes, fazem as duas coisas ao mesm...
01/02/2026

Quando a vida f**a insuportável, algumas pessoas se isolam. Outras “esquecem”. E, às vezes, fazem as duas coisas ao mesmo tempo.

Em Teoria Geral do Esquecimento, acompanhamos Ludovica, que se tranca em um apartamento em Luanda por 30 anos, apagando o mundo de fora da sua vista e, pouco a pouco, também da sua memória.

O isolamento dela lembra algo que vemos com frequência na clínica, em outras escalas: quando o mundo lá fora dói demais, o psiquismo tenta se proteger encolhendo, se afastando, se fechando.

O livro mostra como esse “esquecimento” nem sempre é falha da memória, mas um recurso psíquico: um jeito de empurrar para longe aquilo que ainda não dá para elaborar sem desmoronar. 

Na psicanálise, olhamos com cuidado para esses “muros” — concretos ou simbólicos — que a pessoa constrói. Em certos momentos, eles são uma defesa necessária; se permanecem por tempo demais, porém, começam a cobrar um preço alto da vida emocional, dos vínculos, da capacidade de estar no mundo.

Já se percebeu se afastando de pessoas, lembranças ou situações para conseguir “dar conta”? Que muros você ergue quando o mundo lá fora pesa demais?

Tatiana Festi
Psicóloga





Falar com o bebê é muito mais do que “conversar”: é criar, na voz e nas palavras, o ambiente suficientemente bom que sus...
27/01/2026

Falar com o bebê é muito mais do que “conversar”: é criar, na voz e nas palavras, o ambiente suficientemente bom que sustenta o seu existir.

Quando a mãe fala, canta, nomeia o que o bebê vive, ela o envolve num holding sonoro que acalma o corpo, organiza os afetos e dá continuidade ao ser.

Winnicott nos lembra que esse cuidado feito de braços, olhar e voz permite que o bebê sinta: “sou visto, logo existo”, inaugurando um eu que pode brincar, desejar e se desenvolver.

Cada vez que você fala com seu bebê, mesmo que ele “ainda não entenda”, você se oferece como objeto animado, vivo, que puxa a criança para a vida, desperta seu interesse pelo mundo e abre espaço para futuros estados de encantamento e prazer.

Tatiana Festi
Psicóloga
CRP 0693815

A partir da escuta de mulheres que vivem o puerpério no exterior, reuni artigos científicos que abordam essa experiência...
13/01/2026

A partir da escuta de mulheres que vivem o puerpério no exterior, reuni artigos científicos que abordam essa experiência.
Tomando esses estudos como ponto de partida, proponho uma reflexão sob um olhar psicanalítico.

O texto completo está disponível em meu blog (link na bio):

ENTRE FRONTEIRAS E FRALDAS: A TRAVESSIA INVISÍVEL DO MATERNAR FORA DO PAÍS.
Uma reflexão psicanalítica sobre o puerpério vivido por mulheres brasileiras em território estrangeiro — ausências afetivas, desafios institucionais e reinvenções silenciosas.

https://psicologatatianafesti.com.br/blog/

Tatiana Festi
Psicóloga

Que o novo ano seja caminho —  não de chegada, mas de descoberta.  É no percurso que nos refazemos,  que deixamos pedaço...
01/01/2026

Que o novo ano seja caminho —
não de chegada, mas de descoberta.

É no percurso que nos refazemos,
que deixamos pedaços do que já fomos
e acolhemos o que ainda seremos.

Que o novo ano nos encontre disponíveis
ao que ainda precisa nascer em nós.

Feliz 2026.

Tatiana Festi
Psicóloga

Quantas vezes você já pensou em perguntar algo íntimo para uma IA? A reportagem da BBC mostra como, na desesperança, alg...
18/12/2025

Quantas vezes você já pensou em perguntar algo íntimo para uma IA? A reportagem da BBC mostra como, na desesperança, alguns chegam a confiar em chatbots para assuntos gravíssimos, como suicídio.

A tecnologia entrega conveniência, simpatia e ausência de julgamento — mas aquilo que parece acolhimento pode ser só uma simulação. Quando o sofrimento é profundo, buscar respostas automáticas pode ser perigoso: entre diagnósticos errados e conselhos graves, perdemos o contato com quem realmente vê e escuta nossa dor.

Na prática clínica, escutar é estar presente, sustentar o vínculo e atravessar junto as angústias. Inteligência artificial pode ajudar em tarefas administrativas ou na triagem, mas não pode cuidar do sofrimento humano. Foi por isso que o caso saiu do controle.

Acolher é arte humana. Se está difícil, procure apoio profissional. Sua dor merece escuta verdadeira, não automatizada.

Tatiana Festi
Psicóloga
CRP 06/93815

Aquilo que julgamos como nossa "falha" pode ser, paradoxalmente, a estrutura que nos mantém de pé.Nossos sintomas, defes...
06/11/2025

Aquilo que julgamos como nossa "falha" pode ser, paradoxalmente, a estrutura que nos mantém de pé.

Nossos sintomas, defesas e até nossos "defeitos" não são apenas obstáculos a serem removidos. Eles podem ser considerados soluções criativas que o psiquismo encontrou para lidar com conflitos inconscientes, traumas e impossibilidades do desejo.

Por exemplo, a dificuldade em confiar pode ter sido, um dia, sua proteção necessária ou a necessidade de controle pode ser o que te dá segurança num mundo caótico.

Freud nos ensinou que o sintoma é uma mensagem cifrada do inconsciente - uma tentativa de cura, não apenas uma doença. Assim, o trabalho analítico não busca criar pessoas "perfeitas" ou sem conflitos. Busca-se, sim, uma relação mais consciente com aquilo que nos constitui.

Qual "defeito" seu pode estar, secretamente, te sustentando? O que aconteceria se você o olhasse não com julgamento, mas com curiosidade?

A psicanálise nos convida a essa jornada: não de correção, mas de compreensão. Não de eliminação, mas de elaboração. Não de perfeição, mas de verdade subjetiva.

Tatiana Festi
Psicóloga

Você já percebeu como pode ser difícil parar de assistir a uma série ou  documentário de true crime?Ou como a mente pare...
04/11/2025

Você já percebeu como pode ser difícil parar de assistir a uma série ou documentário de true crime?

Ou como a mente parece querer entender o que se passa por trás de histórias como as de Tremembé: a prisão dos famosos, Dahmer, Mindhunter ou The Ted Bundy Tapes?

A psicologia chama esse fascínio de curiosidade mórbida — um traço humano natural, até adaptativo, que nos leva a buscar informações sobre o perigo… mesmo quando temos medo.

Para muitas mulheres, assistir a esse tipo de conteúdo é também uma forma inconsciente de aprender padrões de risco e ensaiar respostas a ameaças. O cérebro treina a defesa, enquanto tenta compreender o incompreensível.

Existe ainda um fenômeno chamado “masoquismo benigno” — a mistura paradoxal de medo e prazer ao vivenciar emoções intensas em segurança. É um tipo de medo sem consequências reais.

Mas atenção: o consumo excessivo pode gerar hipervigilância, ansiedade, distúrbios do sono e dessensibilização à violência.
Nem toda curiosidade é problema — mas se esse tipo de conteúdo começa a afetar seu bem-estar, talvez seja hora de pausar e cuidar de você.

Sua mente é valiosa demais pra ser negligenciada.

Tatiana Festi
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