28/03/2026
Falar não é, por si só, um ato que cura.
Dependendo de onde — e para quem — a palavra é entregue, ela pode até se tornar mais uma experiência de desencontro ou de dor.
Refinar a escuta é um dos pilares do trabalho de um analista.
Mas você não precisa ser analista para também cuidar da sua escuta nas relações: numa amizade, com familiares, filhos, parceiro ou parceira.
Acredito que existe uma diferença importante entre ouvir e oferecer um lugar para que algo possa ser construído no encontro, durante um diálogo.
Há pessoas tão ruidosas (por dentro e por fora) que mal conseguem sustentar a espera pelo término de uma frase.
Outras, tão tomadas por suas próprias opiniões e certezas, que mais ferem do que acolhem.
E há ainda aquelas que parecem um compêndio de frases prontas, conselhos e julgamentos.
Sem contar os silêncios que não acolhem, mas abandonam.
Escutar, de verdade, talvez exija algo raro:
disponibilidade interna e a coragem de não saber.
Porque há momentos em que não há o que dizer.
E, ainda assim, é possível sustentar:
“eu não sei o que fazer com isso, não sei o que dizer, mas estou aqui com você.”
Sem a necessidade de resolver, corrigir ou apressar que algo mude.
Muitas vezes, oferecem-se respostas rápidas (e rasas) para questões complexas — mais para aliviar a própria angústia de quem ouve do que, de fato, para estar com o outro.
Escutar pode, às vezes, signif**ar apenas permanecer.
Tatiana Festi
Psicóloga