30/10/2025
Eu gostaria de começar esse texto explicando que a especialidade da ginecologia e obstetrícia não era minha primeira opção enquanto estava na universidade, porém foi a que ganhou meu coração e que fez eu entender o meu propósito dentro da Medicina.
Pensei em fazer clínica médica, geriatria, neurologia, e por aí vai… Minhas experiências iniciais com obstetrícia não foram exatamente felizes, quando comecei a estagiar numa maternidade presenciei um óbito fetal por descolamento de placenta logo no primeiro dia (para quem é de João Pessoa, na Cândida Vargas, vocês sabem aonde é). Fiquei um pouco traumatizada com a brutalidade daquela rotina, uma hora a alegria de uma vida chegando, na outra hora uma perda irreparável.
O tempo passou, eu dei uma segunda chance para essa experiência, comecei a me interessar pelos temas, gostava de estudar as condições ginecológicas porque tudo parecia ter muita lógica na minha visão, as explicações para cada mudança na gestação, tudo parecia ter uma razão bem definida.
Mas tudo mudou por completo quando pude acompanhar uma mulher passando pelo trabalho de parto e parindo. Me lembro do rostinho dela até hoje, me recordo de o quanto fiquei impressionada com a animalidade do parto, afinal também somos seres da natureza e essa ancestralidade com certeza se manifesta neste momento. Eu vi aquela mulher parir seu filho e se tornar uma leoa, uma mãe. Eu vi o olhar dela para sua cria pela primeira vez e a doçura na sua voz mesmo tendo passado por tanta dor. Eu lembro de me sentir muito honrada por poder ser testemunha direta daquela cena. E meu coração bateu mais forte…
Ai não teve jeito, a obstetrícia foi me pescando e a ginecologia me puxando devagarzinho. Foi quando eu vi uma lista de aprovados para a residência de ginecologia (quando tinha prestado prova para clínica) que me dei conta que fiquei triste por meu nome não fazer parte daquele grupo. Parecia que algo não estava certo…
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