23/03/2026
Há encontros que não apenas acontecem, eles nos atravessam.
O outro não passa por nós sem deixar vestígios. Há sempre algo que se inscreve, mesmo quando não sabemos nomear.
Na experiência do vínculo, algo sempre se desloca: uma certeza vacila, uma ferida se atualiza, um desejo ganha contorno. Não há encontro sem inscrição psíquica. Mesmo quando negamos, algo já operou.
Na lógica do inconsciente, o encontro é menos sobre o outro em si e mais sobre aquilo que ele mobiliza em nós. Um gesto, um silêncio, uma ausência, uma presença… tudo pode funcionar como disparador de algo que já nos habita, mas que precisava de um outro para se atualizar.
Por isso, alguns encontros nos desorganizam. Não porque o outro tenha esse poder absoluto, mas porque ele toca pontos sensíveis da nossa própria história, lugares onde ainda há algo a ser elaborado, simbolizado, reconhecido.
O outro nos afeta porque, de algum modo, nos diz respeito.
E é justamente aí que a experiência do vínculo se torna tão potente quanto incômoda.
Não saímos ilesos.
Saímos marcados, atravessados, implicados.
A questão talvez não seja evitar essas marcas, mas sustentar o que fazemos com elas. Se repetimos, se recusamos, ou se, de fato, nos autorizamos a escutar o que ali insiste.
Porque, no fim, o que mais nos impacta no outro…
costuma dizer muito mais sobre nós do que gostaríamos de admitir.
E você, tem se permitido escutar o que os seus encontros estão tentando te mostrar?