23/07/2026
Marty Supreme é um filme dramático, dirigido por Josh Salfdie. Conta a história de Marty ma**er, um jogador de tênis de mesa, nos anos 50, em Nova Iorque, obcecado por grandeza e riqueza. O personagem Marty é ambicioso, caótico, impulsivo. Queria ser campeão e provar o seu valor no esporte se tornando o maior mesa tenista dos Estados Unidos. Marty é um judeu imigrante, que sempre teve o dinheiro curto e pouca expressão social. Vivia dependendo de favores e precisava se virar sozinho o tempo todo. Ele e sua família não ocupavam um status importante de ricos e abastados na sociedade, pelo contrário, sua família sobrevivia do improviso e muitas vezes de favores.
No filme, o protagonista aparece como livre, confiante, sedutor e superior, causando em alguns momentos, sentimentos de repulsa ao espectador. Apesar de tudo isso, nota-se que Marty é escravo de uma necessidade de provar o seu valor o tempo inteiro, escondendo-se de sentimentos de humilhação e rejeição. O longa, nos leva a refletir sobre as questões de self e narcisismo. Freud ao falar sobre narcisismo em 1914 nos diz que: “Tudo o que uma pessoa possui ou alcança, cada resíduo do primitivo sentimento de onipotência que a experiência confirmou, ajuda a incrementar sua auto estima.
O personagem parece organizar sua subjetividade em torno de uma ferida narcísica intolerável. Precisa a todo momento provar que ele não é comum, que não depende de ninguém, que merece um lugar de destaque. Seria uma ideia de “ser supremo para não ver sua própria pobreza”.
Marty precisa se inflar para não “murchar”, ataca o outro quando é frustrado pelo objeto, culpa o mundo por algum fracasso, ou seja, olha e julga o mundo a partir de si mesmo. Não podia dar nada, internamente sentia-se empobrecido, precisava provar a si e ao mundo que não dependia de ninguém. Em vez de sentir a dor da falta, ele tentava produzir uma imagem grandiosa de si.
Acho que é um filme interessante porque dramatiza, de forma rica, as questões sobre narcisismo, nos permitindo observar vários conceitos clássicos da teoria psicanalítica.
- Marjany Freitas Brandão