24/10/2018
O que os médicos patologistas esperam do próximo presidente do Brasil?
Ainda este mês conheceremos o próximo Presidente da República, cargo mais alto do Poder Executivo nacional. As dúvidas para conhecer quem guiará o país até 2022 vêm acompanhadas de uma série de questionamentos sobre como será pautada a Saúde nos próximos anos.
Em levantamento do jornal Folha de São Paulo, a única certeza para os próximos quatro anos é que nenhum candidato tem propostas concretas para a pasta. A matéria assinada pelas jornalistas Cláudia Collucci e Natália Cancian sobre as propostas dos presidenciáveis trouxe um levantamento realizado com base nos planos de governo registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e trouxe uma conclusão preocupante: por mais que seja uma prioridade para os brasileiros, a saúde não ocupa lugar central nos planos de governo dos candidatos à Presidência, sendo abordada apenas de maneira genérica e denotando compromissos limitados.
A Sociedade Brasileira de Patologia está há anos na luta por maiores investimentos na saúde, sobretudo na esfera do diagnóstico. Essa luta é realizada corpo a corpo, levando os interesses dos médicos patologistas em reuniões e eventos estratégicos com autoridades da saúde, buscando tornar ainda mais claros os problemas que afligem grande parte da população.
Para isso, a SBP realiza uma série de levantamentos para escancarar a discrepância entre o papel central do diagnóstico na medicina e o status de subfinanciamento ao qual o Poder Público o relegou.
Em 2017, por exemplo, foram feitas mais de 11,7 milhões de análises citopatológicas, o que custou aos cofres apenas R$166,2 milhões. Este “apenas” é o termo certo, pois em 2017 os valores gastos em saúde f**aram em torno de R$129,5 bilhões. Assim, apenas 0,13% dos gastos totais foram destinados aos exames que podem descobrir doenças e fornecer aos médicos informações vitais para seu tratamento. Todos esses dados são do DataSUS.
Esse abismo f**a claro em situações como a da análise cervico-vaginal, o Papanicolaou. A Tabela SUS, o mecanismo de precif**ação dos procedimentos, está desatualizada, sem mudanças ou mesmo atualização inflacionária para esse exame desde 2007. Como resultado, temos um valor pago muito inferior ao mínimo necessário para a cobertura do seu custo.
Essa conta que não fecha leva a um número cada vez menor de laboratórios dispostos a literalmente arcar com esse custo para oferecer o diagnóstico à população. Ao juntarmos esse cenário ao das lacunas na imunização contra HPV, chegamos a uma realidade nefasta, em que milhares de mulheres morrem todos os anos vítimas de um dos tumores mais preveníveis.
A Sociedade Brasileira de Patologia espera que na próxima gestão presidencial a saúde pública tenha novos e efetivos caminhos. Para isso, espera-se que os reajustes da Tabela SUS aconteçam e permitam o trabalho dos médicos patologistas, tão fundamentais para a medicina e principalmente na luta contra o câncer.
Apenas dessa forma a população brasileira poderá ter a garantia de seu direito básico a um diagnóstico adequado, um primeiro passo fundamental na luta contra qualquer doença.