13/01/2023
Uma breve reflexão retirada de um livro que estou lendo, vale a pena conferir 😀
(...) Seu paciente vem semana após semana, às vezes durante anos a terapia.
Cada vez ele traz um pedacinho da história que é a dele, que é ele.
Os sentimentos mais diversos vão passando por ali: raivas e amores, sonhos e desilusões, esperanças e temores, culpas e vontade de poder ser melhor.
Por que ele volta toda semana e continua o desenrolar de sua história? Será que é para ter uma conversa interessante com você? Isso não sustentaria uma terapia. Ele vem porque, a cada sessão, vocês dois reúnem pedaços de significados que estavam dispersos na vida dele. Às vezes, eles são difíceis de aparecer, mas vocês acendem uma luzinha aqui, outra ali, e começam a encontrá-los.
Esses significados juntam-se e passam a estruturar os sentidos de sua vida.
Isso acontece porque aquele é o lugar onde ele pode retomar tanto aquele episódio, tão antigo que ele pensou que já fosse passado, como adiado; onde ele pode ser frágil e ser forte, estar triste ou contente; onde ele pode se ver como aquele para quem a vida tem de ser sempre uma tarefa árdua ou aquele para quem a vida tem de ser sempre uma festa.
Enfim, todos os sentimentos têm o direito de frequentar a sessão.
Alguns deles surgem e dizem logo "estou aqui" com muita clareza, e outros, por muito tempo, negam-se a mostrar-se; querem ser chamados por outros nomes ou se misturam com outros sentimentos. Mas, com paciência, eles todos vão chegando e colorindo uma história cheia de sentido.
Retirado do livro: " Conversas sobre Terapia" de Bile Tatit Sapienza