Jennifer de Freitas Nascimento - Psicóloga

Jennifer de Freitas Nascimento - Psicóloga CRP: 04/59615
Psicoterapia, Acompanhamento terapêutico, Serviço de saúde mental.

Nem todo processo de luto se apresenta de forma visível ou socialmente reconhecida; contudo, toda experiência de perda q...
22/04/2026

Nem todo processo de luto se apresenta de forma visível ou socialmente reconhecida; contudo, toda experiência de perda que não é devidamente elaborada tende a produzir efeitos psíquicos persistentes. Tradicionalmente, o luto é associado à morte e a perdas concretas, legitimadas socialmente e marcadas por rituais. Entretanto, tanto na prática clínica quanto no cotidiano, observa-se que experiências emocionalmente desorganizadoras frequentemente estão relacionadas a perdas que não foram reconhecidas como tais.

Existem formas de sofrimento que não encontram validação social, não são nomeadas e, consequentemente, não recebem espaço para elaboração psíquica. Essas experiências incluem, por exemplo, perdas simbólicas, como a interrupção de projetos de vida, a ruptura de vínculos afetivos, mudanças significativas na identidade ou condições impostas por diagnósticos inesperados. Ainda que não sejam publicamente reconhecidas, tais vivências configuram processos legítimos de luto.

Sob a perspectiva psicanalítica, conforme proposto por Sigmund Freud, especialmente em sua obra Luto e Melancolia, a não simbolização da perda impede sua elaboração, fazendo com que o conteúdo psíquico associado permaneça ativo e se manifeste de maneira indireta. Esses efeitos podem surgir por meio de sintomas como irritabilidade, dificuldades na organização da rotina, oscilações emocionais e sensação persistente de esgotamento.

Do ponto de vista da Neurociência, a atribuição de significado às experiências é fundamental para seu processamento emocional. Quando esse processo não ocorre de maneira adequada, o organismo pode permanecer em estado de alerta, refletindo a ativação contínua de sistemas relacionados ao estresse e à regulação emocional.

No contexto educacional, os impactos do luto não elaborado tornam-se particularmente evidentes. Estudantes podem apresentar dificuldades de engajamento e desempenho sem que as perdas subjacentes sejam identificadas, enquanto professores e familiares frequentemente lidam com processos de ruptura e adaptação que não encontram espaço para elaboração. Nesses casos, comportamentos considerados problemáticos podem, na realidade, constituir expressões de sofrimento psíquico não elaborado.

Adicionalmente, é importante considerar que a cultura contemporânea tende a valorizar a produtividade e o desempenho, frequentemente em detrimento do reconhecimento dos processos emocionais. Essa lógica contribui para a invisibilização do luto e para a ausência de espaços que favoreçam sua elaboração.

Dessa forma, o luto não elaborado pode ser compreendido como um processo que, embora não interrompa o curso da vida, influencia significativamente a forma como ela é vivida. O reconhecimento dessas experiências não deve ser interpretado como sinal de fragilidade, mas como parte fundamental da organização psíquica. A possibilidade de nomear e simbolizar a dor constitui um passo essencial para sua elaboração, reduzindo a tendência à repetição e favorecendo a construção de novos significados.

A busca pela felicidade tem sido, historicamente, associada à aquisição de bens materiais e à obtenção de reconhecimento...
22/04/2026

A busca pela felicidade tem sido, historicamente, associada à aquisição de bens materiais e à obtenção de reconhecimento social. No entanto, sob a perspectiva da psicologia, especialmente a partir de contribuições da neurociência e da psicologia positiva, compreende-se que o bem-estar subjetivo não depende exclusivamente de fatores externos, mas está intrinsecamente relacionado a processos internos de regulação emocional e funcionamento neurobiológico.

Culturalmente, observa-se uma tendência à valorização de conquistas externas como indicadores de sucesso e felicidade, o que pode contribuir para a construção de crenças disfuncionais acerca do que é necessário para alcançar estados de satisfação. Essa lógica favorece a externalização da felicidade, desconsiderando a capacidade do próprio organismo de produzir estados de prazer e bem-estar de forma endógena.

Do ponto de vista neurobiológico, a experiência de bem-estar está associada à liberação de neurotransmissores e hormônios que desempenham papel fundamental na regulação do humor e das emoções. Dentre esses, destacam-se a dopamina, a ocitocina, a endorfina e a serotonina, frequentemente descritas na literatura como componentes centrais na modulação de estados afetivos positivos.

A dopamina está relacionada ao sistema de recompensa e motivação, sendo liberada em situações de alcance de objetivos e reforço de comportamentos adaptativos. A ocitocina, por sua vez, associa-se à formação de vínculos sociais e à promoção de comportamentos de afeto e confiança. A endorfina atua como um modulador natural da dor, contribuindo para a redução do estresse e para a sensação de prazer em atividades lúdicas e físicas. Já a serotonina desempenha papel relevante na estabilização do humor, estando associada a sentimentos de bem-estar, satisfação e equilíbrio emocional.

Nesse contexto, práticas cotidianas simples, como a manutenção de vínculos interpessoais, a regulação do sono, a prática de atividades prazerosas e o cultivo de emoções positivas, demonstram potencial significativo na promoção do bem-estar psicológico. Tais práticas evidenciam que a felicidade pode ser compreendida como um processo dinâmico, resultante da interação entre fatores internos e comportamentos cotidianos, e não apenas como consequência de condições externas ideais.

Dessa forma, torna-se fundamental problematizar a tendência à terceirização da felicidade, compreendendo que o indivíduo possui recursos internos relevantes para a construção de sua experiência subjetiva de bem-estar. Essa perspectiva contribui para uma abordagem mais integrada da saúde mental, valorizando tanto os aspectos biológicos quanto os comportamentais e relacionais na promoção da qualidade de vida.

Psi Jennifer
Psicóloga - CRP: 04/59615

Comportamentos que não são compreendidos tendem a se repetir.Os padrões são construídos e fortalecidos ao longo da vida....
15/01/2026

Comportamentos que não são compreendidos tendem a se repetir.

Os padrões são construídos e fortalecidos ao longo da vida. Quando as dores emocionais não são acolhidas e elaboradas, elas não desaparecem; retornam em forma de reações automáticas, especialmente no exercício da parentalidade.

Pais não reproduzem padrões por intenção de ferir, mas porque, diante do estresse, recorrem aos recursos emocionais que possuem.

Aquilo que foi aprendido, reforçado e nunca questionado tende a permanecer.

O silêncio se transforma em dificuldade de ouvir.
A rigidez se manifesta como controle.
A invalidação se expressa como cobrança excessiva de dar conta de tudo.

A boa notícia é que comportamentos podem ser ressignificados e reaprendidos.
Cuidar do que adoeceu amplia possibilidades e rompe ciclos que atravessam gerações.

Cuidar de si não é egoísmo.
É um ato de responsabilidade emocional com os filhos.

📌 Histórias não elaboradas se transformam em respostas automáticas.

Você já reparou nos cordões coloridos que algumas pessoas usam no pescoço em aeroportos, ambientes corporativos ou no tr...
14/01/2026

Você já reparou nos cordões coloridos que algumas pessoas usam no pescoço em aeroportos, ambientes corporativos ou no transporte público? 🌻🧩
Você sabe o que eles representam?

A inclusão verdadeira não se limita a rampas ou elevadores. Ela se constrói nos detalhes e na sensibilidade de perceber aquilo que não é imediatamente visível.

Muitas pessoas vivem com deficiências não aparentes ou condições neurodivergentes que não podem ser identificadas apenas pelo olhar.

Os Cordões da Inclusão funcionam como identificadores voluntários. Mais do que acessórios, eles são sinais discretos que solicitam compreensão, empatia e o suporte adequado.

Por que é importante que você, como profissional e cidadão, saiba reconhecê-los?

Consideração: Ajuda a evitar julgamentos apressados em filas, atendimentos ou situações de pressão.

Acolhimento: Contribui para uma comunicação mais clara e respeitosa em hospitais, escolas e ambientes de trabalho.

Proteção: Em situações de emergência, o reconhecimento rápido orienta intervenções adequadas e pode salvar vidas.

🔎 Guia prático de significados:
🌻 Girassol: Deficiências ocultas (em geral)
🧩 Quebra-cabeça: Autismo
💜 Roxo: Epilepsia
💛 Amarelo: Deficiência intelectual ou múltipla
🔴 Vermelho: Dificuldades de comunicação
💚 Verde: Ansiedade
🟧 Laranja: TDAH
🌸 Rosa: Sensibilidade sensorial

Reconhecer esses cordões é uma atitude simples, mas profundamente transformadora, capaz de tornar nossas relações mais humanas e respeitosas.

A inclusão é um compromisso de todos. Que tal ajudar a divulgar essa informação? 🚀

🚨 Por que adultos estão redescobrindo o prazer de brincar? Na psicologia, sabemos que o ato de brincar não é exclusivo d...
11/07/2025

🚨 Por que adultos estão redescobrindo o prazer de brincar?

Na psicologia, sabemos que o ato de brincar não é exclusivo da infância, Vygotsky destaca o papel do brincar no desenvolvimento psicológico, que também é aplicado ao bem-estar adulto, mostrando que atividades lúdicas promovem a expressão emocional, a criatividade, processos internos e a construção da subjetividade.

Muitos adultos estão voltando a esses hobbies como uma forma de resgatar a espontaneidade, desacelerar o ritmo frenético do dia a dia e nutrir seu lado lúdico. Brincar é uma poderosa ferramenta que reforça o sentimento de alegria e liberdade.

🎨🖌️ Você também está na vibe dos Bobbie Goods?
🎲🖍️🪁Brinque também, seu bem-estar agradece!

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Um diagnóstico psiquiatra não define quem você quer ser de hoje em diante, é apenas uma possibilidade de aprender coisas...
20/09/2024

Um diagnóstico psiquiatra não define quem você quer ser de hoje em diante, é apenas uma possibilidade de aprender coisas novas sobre novas etapas da vida, é um autoconhecimento.

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