Vanderley Martins - Espaço Terapêutico e Desenvolvimento Humano

Vanderley Martins - Espaço Terapêutico e Desenvolvimento Humano Espaço Terapêutico e Desenvolvimento Humano
Psicanálise, hipnoterapia, psicologia,
nutrição, c

30/07/2026

**Sobre os hábitos comuns em pessoas com TDAH (ligados à desregulação da dopamina)**

Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade. Eles não são “falta de vontade” ou “preguiça” — são consequências de como o cérebro com TDAH processa motivação, recompensa e tempo.

# # # 1. Organização e Tempo
- **Cegueira temporal**
Dificuldade real de estimar quanto tempo uma tarefa vai levar. O relógio interno funciona de forma diferente: ou o tempo “some” (o dia passa voando) ou parece que ainda tem muito tempo quando, na verdade, já acabou. Resultado: atrasos constantes e aquela sensação de que “o dia sumiu”.

- **Procrastinação extrema**
O cérebro com TDAH costuma só liberar dopamina suficiente quando a urgência (prazo apertado + estresse) chega. Por isso muitas pessoas só conseguem produzir no limite, em “modo crise”.

- **Acúmulo de tarefas inacabadas**
Começar vários projetos ao mesmo tempo é fácil (novidade = dopamina). Terminar é difícil (o interesse some no meio do caminho).

# # # 2. Foco e Atenção
- **Hiperfoco**
Quando algo desperta interesse genuíno, a pessoa consegue ficar horas concentrada, esquecendo de comer, dormir ou cumprir outros compromissos. O problema é que esse foco intenso raramente aparece nas tarefas “obrigatórias” ou chatas.

- **Esquecimento crônico de compromissos**
Não é desinteresse. A memória de trabalho (a que segura informações por pouco tempo) é mais frágil no TDAH. Combinado com a cegueira temporal, compromissos simplesmente “somem” da consciência.

# # # Por que isso acontece?
A dopamina (neurotransmissor da motivação e recompensa) funciona de forma irregular no TDAH. Tarefas que não são novas, urgentes ou prazerosas geram pouca ativação cerebral. O cérebro “espera” o estímulo forte (prazo, crise, interesse intenso) para engajar.

# # # O que costuma ajudar
- Sistemas externos de organização (apps de lista + alarme + timer).
- Quebrar tarefas em pedaços bem pequenos e com recompensa imediata.
- Usar a urgência artificial (prazos autoimpostos, accountability).
- Aproveitar o hiperfoco quando ele aparece (em vez de brigar com ele).
- Tratamento multimodal (psicoterapia +, quando indicado, medicação + ajustes de rotina).

Esses padrões são extremamente comuns e não definem o valor da pessoa. Com estratégias adequadas e, em muitos casos, tratamento, dá para reduzir bastante o impacto no dia a dia.

Se quiser, posso aprofundar em alguma dessas áreas (estratégias práticas, diferença entre os tipos de TDAH, hiperfoco, etc.).

Vanderley Martins

RELACIONAMENTO REBOTE Relacionamento rebote é quando alguém entra em uma nova relação sem antes ter curado as feridas da...
28/07/2026

RELACIONAMENTO REBOTE

Relacionamento rebote é quando alguém entra em uma nova relação sem antes ter curado as feridas da anterior. À primeira vista, parece um alívio, uma distração ou até uma solução. Mas, na verdade, pode ser apenas um disfarce para a dor não enfrentada.

É como tentar construir uma casa nova em cima dos escombros da antiga – sem limpar o terreno, sem rever os erros, sem entender os aprendizados. E o que nasce assim, apressado, carrega o risco de ser apenas uma repetição do que já machucou.

Quem vive um rebote, muitas vezes, está tentando provar algo: para o ex, para os outros ou para si mesmo. Mas amor de verdade não precisa provar nada. Ele nasce quando estamos inteiros, não quando estamos tentando nos remendar.

Cuidado com o impulso de usar alguém para esquecer outro alguém. Isso não é cura, é transferência de dor. Nenhum novo amor merece carregar os traumas que o antigo deixou.

Antes de começar um novo capítulo, feche o anterior com sabedoria, com luto, com autoconhecimento. Só assim o novo será, de fato, novo.

Vanderley Martins

28/07/2026
28/07/2026

Superstição ou TOC? Quando o ritual vira prisão mental

Você já conheceu alguém que evita certas palavras, precisa realizar um gesto específico ou repetir uma ação porque, do contrário, sente que algo ruim pode acontecer? Isso vai muito além de uma simples superstição — pode ser um caso clássico de Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC).

O TOC é um transtorno de ansiedade caracterizado por pensamentos obsessivos e comportamentos compulsivos. As obsessões são pensamentos intrusivos, persistentes e indesejados que geram ansiedade. Já as compulsões são os comportamentos repetitivos — como tocar objetos, repetir palavras ou evitar certos sons — que a pessoa sente que precisa fazer para aliviar essa angústia.

No vídeo em que Roberto Carlos conversa com Jô Soares, ele relata exatamente isso: a necessidade de realizar rituais quando ouvia certas palavras. Essa compulsão é muitas vezes associada a uma crença irracional de que, se o ritual não for cumprido, algo negativo poderá acontecer — o que chamamos de pensamento mágico ou supersticioso. Mas ao contrário de uma simples mania, o TOC compromete a qualidade de vida da pessoa, toma tempo, causa sofrimento e interfere nas relações sociais.

É importante entender que o TOC não tem nada a ver com falta de força de vontade. Ele está relacionado a alterações em circuitos cerebrais, especialmente nas áreas que envolvem o controle de impulsos e o processamento de informações relacionadas a perigo e responsabilidade. A boa notícia é que existe tratamento: a psicoterapia, e, em alguns casos, o uso de medicação, podem trazer grande alívio e autonomia ao paciente.

Se você ou alguém próximo apresenta esses sintomas, procure ajuda profissional. O primeiro passo para se libertar de um ciclo obsessivo é compreender que o medo não precisa ser obedecido.

Vanderley Martins

23/07/2026

🧠 Saúde mental começa quando você reconhece seu próprio valor — não como um prêmio por acertos, mas como uma essência que existe em você, mesmo nos dias mais difíceis.
Essa fala da Viola Davis — “Você tem valor” — toca um ponto essencial que, como terapeuta, vejo ser a raiz de muitos desequilíbrios emocionais: a desconexão com o nosso próprio merecimento.

Muita gente carrega feridas invisíveis. Foram ensinadas a se sentirem culpadas por sentir. A se calarem quando doía. A se anularem para não perderem o amor dos outros.
E com o tempo, passaram a acreditar que não eram suficientes, que não mereciam cuidado, carinho, descanso ou respeito.
Mas merecem. Você merece.

🪞 O valor que você tem não depende de produtividade, da aprovação dos outros, de status ou de um passado perfeito.
Você tem valor mesmo quando está cansado.
Mesmo quando não tem respostas.
Mesmo quando sente que não consegue mais segurar tudo.

Como profissional , reafirmo isso todos os dias em meus atendimentos:
Você tem valor.
Seu sofrimento importa.
Suas emoções merecem ser escutadas.
Sua história merece acolhimento — sem julgamento.

🌱 A verdadeira saúde mental não está em se manter “forte o tempo todo”, mas em permitir-se ser humano.
Em buscar ajuda quando for preciso.
Em se tratar com a mesma compaixão que tantas vezes você dedica aos outros.

Receba essa mensagem como um lembrete de vida:
Você tem valor. E isso basta.

— Vanderley Martins | Psicanálise & Desenvolvimento Humano

22/07/2026

Quando a alma entra em colapso
Ninguém desmorona de um dia para o outro. O colapso emocional, na maioria das vezes, é o resultado de uma longa história de dores silenciadas, lágrimas contidas e emoções que nunca encontraram espaço para serem acolhidas.
Há pessoas que passam anos sendo fortes para todos, mas nunca têm permissão para serem frágeis. Engolem o choro, escondem a tristeza, reprimem a raiva e convencem a si mesmas de que precisam dar conta de tudo. O problema é que aquilo que é reprimido não desaparece.
Como expressa a frase atribuída a Freud: "As emoções não expressas nunca morrem. Elas são enterradas vivas e saem de piores formas mais tarde."
Na clínica, vemos isso acontecer de muitas maneiras: ansiedade intensa, crises de pânico, depressão, insônia, irritabilidade, adoecimento psicossomático e relacionamentos marcados por conflitos repetitivos. Muitas vezes, o sofrimento de hoje tem raízes em feridas que nunca foram elaboradas.
O corpo e a mente possuem limites. Quando a dor não encontra palavras, frequentemente encontra sintomas.
Por isso, cuidar da saúde emocional não é um sinal de fraqueza; é um ato de coragem. Elaborar a dor, compreender a própria história e permitir-se sentir são passos fundamentais para que o sofrimento deixe de comandar a vida.
Aquilo que é acolhido pode ser transformado. Aquilo que é negado tende a voltar, pedindo para ser visto.
Vanderley Martins
Psicanalista Clínico

22/07/2026

Dependência Digital: quando a tecnologia deixa de ser ferramenta e passa a controlar a vida
Vivemos na era dos algoritmos. Nunca estivemos tão conectados, mas, paradoxalmente, tão vulneráveis à desconexão da realidade. Crianças e adolescentes estão crescendo em um ambiente onde redes sociais, jogos digitais e plataformas são cuidadosamente projetados para prender a atenção pelo maior tempo possível.
A dependência digital não acontece por falta de força de vontade. Ela está relacionada aos mecanismos de recompensa do cérebro. Cada notificação, curtida ou vitória em um jogo libera dopamina, neurotransmissor associado ao prazer e à motivação. Com o tempo, o cérebro passa a desejar estímulos cada vez mais frequentes, tornando difícil se concentrar em atividades simples, como estudar, conversar ou brincar.
As consequências podem ser profundas:
Dificuldade de concentração e aprendizado.
Aumento da ansiedade e da irritabilidade.
Alterações no sono.
Isolamento social.
Redução da tolerância à frustração.
Maior risco de depressão e baixa autoestima.
Embora as plataformas tenham responsabilidade em criar ambientes mais seguros, o papel da família continua sendo indispensável. O acompanhamento dos pais, o diálogo aberto, a definição de limites saudáveis e o exemplo no uso da tecnologia são fatores protetores essenciais.
A tecnologia não é a inimiga. O problema surge quando ela deixa de servir à pessoa e passa a comandar seus hábitos, emoções e relacionamentos.
Como psicanalista, acredito que a pergunta mais importante não é "quanto tempo seu filho passa na tela?", mas sim: "o que ele está deixando de viver por causa dela?"
Educar para o uso consciente da tecnologia é preparar crianças e adolescentes para uma vida emocionalmente mais saudável, equilibrada e livre.

Vanderley Martins

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