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Quando até o descanso precisa ser produtivoVivemos em uma época marcada pelo excesso. Excesso de informações, estímulos,...
04/09/2026

Quando até o descanso precisa ser produtivo

Vivemos em uma época marcada pelo excesso. Excesso de informações, estímulos, tarefas, notificações, escolhas e, sobretudo, pela exigência de estarmos sempre fazendo alguma coisa.

Byung-Chul Han, em Sociedade do Cansaço, chama atenção para essa lógica contemporânea em que o sujeito já não precisa de alguém dizendo “você deve”. Ele próprio passa a se cobrar: “eu posso”, “eu consigo”, “preciso fazer mais”, “preciso melhorar”.

A produtividade, que inicialmente parece liberdade, pode se transformar em uma forma silenciosa de cobrança.

E então descansar começa a produzir culpa.
Parar parece desperdício.
Não responder imediatamente parece inadequado.
Ficar em silêncio parece estranho.
E até o tempo livre precisa ter alguma finalidade.

Vivemos conectados a tantas coisas que, muitas vezes, já não conseguimos permanecer inteiros em nenhuma delas. A atenção se fragmenta, a multitarefa vira virtude e o sujeito passa a viver em permanente estado de disponibilidade.

Mas talvez exista uma pergunta importante por trás desse cansaço:

O que acontece quando eu paro?

Porque talvez não seja apenas o excesso de trabalho que nos canse. Talvez também nos canse a impossibilidade de simplesmente não produzir, não responder, não performar e não precisar ser alguma coisa o tempo todo.

Na clínica, pensar sobre isso é também questionar: quanto do nosso sofrimento é vivido como uma falha individual quando, na verdade, estamos tentando existir dentro de uma lógica que exige cada vez mais de nós?

Talvez recuperar a capacidade de parar seja também recuperar a capacidade de estar consigo.

Nem todo tempo precisa ser útil.
Nem todo silêncio precisa ser preenchido.
Nem todo descanso precisa preparar você para produzir novamente.

Às vezes, descansar é simplesmente… descansar.

— Reflexões a partir de Byung-Chul Han, Sociedade do Cansaço.

Olho para essa foto e penso em quantas coisas aquela menina ainda não sabia.Naquele dia, na colação de grau, eu tinha o ...
27/08/2026

Olho para essa foto e penso em quantas coisas aquela menina ainda não sabia.

Naquele dia, na colação de grau, eu tinha o diploma nas mãos, mas não fazia ideia de tudo o que viria depois.

Eu ainda não sabia quantas histórias cruzariam o meu caminho.
Não sabia o quanto a escuta transformaria a minha própria forma de enxergar o outro e a vida.
Não sabia que a Psicologia me levaria para a clínica, para a saúde pública, para a universidade, para a pesquisa e para tantos lugares que eu nem imaginava ocupar.

Também não sabia que ser psicóloga seria muito mais do que exercer uma profissão. Seria aprender, todos os dias, sobre sofrimento, desejo, cuidado, limites, possibilidades e, sobretudo, sobre a singularidade de cada sujeito.

Hoje, olhando para aquela recém-formada, sinto orgulho não apenas do caminho que percorri, mas de tudo aquilo que ainda está por vir.

Aquela menina não sabia qual seria sua trajetória como psicóloga.
Mas talvez seja justamente essa a beleza do caminho: a gente não precisa saber onde vai chegar para começar.

Feliz Dia do Psicólogo para todos nós que escolhemos fazer da escuta, do conhecimento e da ética uma forma de cuidar. 🧠💚

PsicologiaBrasileira

Hoje, 27 de agosto, celebramos o Dia do Psicólogo. Mais do que uma profissão, a Psicologia é um compromisso com a escuta...
27/08/2026

Hoje, 27 de agosto, celebramos o Dia do Psicólogo.

Mais do que uma profissão, a Psicologia é um compromisso com a escuta, o cuidado e a possibilidade de transformação.

Ser psicóloga é estar diante da singularidade de cada pessoa, acolher aquilo que muitas vezes não encontra palavras e sustentar, com ética e responsabilidade, um espaço onde o sujeito possa se escutar.

A data também marca a regulamentação da profissão de psicólogo no Brasil, em 27 de agosto de 1962. Desde então, a Psicologia brasileira vem construindo sua história em diferentes espaços: na saúde, na educação, nas políticas públicas, na assistência social, no trabalho, na clínica e na pesquisa.

Que possamos continuar fazendo da escuta um ato ético, da ciência um instrumento de transformação e da nossa profissão um compromisso com a humanidade.

Feliz Dia do Psicólogo! 🧠💚

TerapiaComAmor PsicologiaComÉtica

Há experiências que continuam produzindo efeitos, mesmo quando já não conseguimos lembrar delas claramente. Aquilo que n...
19/08/2026

Há experiências que continuam produzindo efeitos, mesmo quando já não conseguimos lembrar delas claramente. Aquilo que não pôde ser elaborado pode retornar de outras formas: em um sintoma, em uma angústia, em uma repetição, em uma relação ou em um sofrimento que parece não ter explicação suficiente no presente.

Freud nos mostra que o que foi recalcado não deixa simplesmente de existir. O inconsciente permanece atuante e pode encontrar diferentes caminhos para se manifestar.

Por isso, quando algo do passado ainda provoca sofrimento hoje, talvez a questão não seja simplesmente “como esquecer?”, mas compreender o que desse passado ainda está em jogo no presente.

Resistência, na psicanálise, é a força (consciente ou inconsciente) que impede o sujeito de entrar em contato com desejo...
10/08/2026

Resistência, na psicanálise, é a força (consciente ou inconsciente) que impede o sujeito de entrar em contato com desejos recalcados. Freud a define como o oposto do desejo: enquanto este empurra do inconsciente para a consciência, a resistência empurra em sentido contrário.
Na prática clínica ela aparece de formas concretas: silêncio durante a sessão, faltas recorrentes, empecilhos ao tratamento, ou o paciente que insiste em falar do analista em vez de falar de si.
O interessante é o paradoxo: a resistência atrapalha o processo e, ao mesmo tempo, sinaliza que ele está funcionando. Quanto mais forte ela aparece, mais perto a análise está de tocar o conflito recalcado.

04/08/2026
“A angústia não é apenas um sofrimento; ela é um sinal de que algo no inconsciente busca ser escutado.”Na teoria freudia...
29/07/2026

“A angústia não é apenas um sofrimento; ela é um sinal de que algo no inconsciente busca ser escutado.”

Na teoria freudiana, a angústia ocupa um lugar central na compreensão do sofrimento psíquico. Para Sigmund Freud, ela é um afeto que surge quando o Eu percebe uma ameaça ao seu equilíbrio psíquico, funcionando como um sinal de perigo.

Em Inibições, Sintomas e Ansiedade (1926), Freud reformula sua teoria e afirma que não é a repressão que produz a angústia; é a angústia que mobiliza a repressão. Diante de um conflito interno, o Eu aciona mecanismos de defesa para proteger-se de desejos e conteúdos inconscientes.

Nesse sentido, a angústia pode estar relacionada a desejos reprimidos, experiências traumáticas, fantasias inconscientes, medo da perda do amor, da separação ou da castração. Diferentemente do medo, que possui um objeto conhecido e identificável, a angústia frequentemente emerge diante de uma ameaça difusa, sem um objeto claramente definido, revelando a existência de conflitos inconscientes que ainda não puderam ser simbolizados.

Na clínica psicanalítica, a angústia não é compreendida apenas como algo que precisa ser eliminado. Ao contrário, ela exerce uma função essencial: sinaliza a existência de um conflito psíquico que busca elaboração. Escutá-la significa possibilitar que o sujeito encontre palavras para aquilo que, até então, se manifestava apenas como sofrimento.

Assim, mais do que silenciar a angústia, a psicanálise propõe compreendê-la. Afinal, aquilo que angustia não é apenas um sintoma, mas também uma via de acesso à história, aos desejos e à singularidade de cada sujeito. Como nos ensina Freud, a angústia não é um obstáculo ao tratamento; ela pode ser justamente o ponto de partida para que o inconsciente encontre um espaço de escuta e elaboração.

📚 Referências
FREUD, S. Além do Princípio do Prazer (1920).
FREUD, S. Inibições, Sintomas e Ansiedade (1926 [1925]).
FREUD, S. O Mal-Estar na Civilização (1930).

A arte, para a psicanálise, é mais que objeto de análise: é fonte de saber. Freud reconhecia que o método psicanalítico ...
29/07/2026

A arte, para a psicanálise, é mais que objeto de análise: é fonte de saber. Freud reconhecia que o método psicanalítico ultrapassa o campo das doenças psíquicas e toca também a arte, a filosofia, a religião, mas sem pretender uma psicanálise aplicada a essas áreas. Sua posição era clara: em matéria de arte, o artista precede, e não cabe ao psicanalista bancar o psicólogo onde o artista já abriu caminho. A obra antecipa uma posição diante das exigências da cultura, e só depois se torna familiar.
O teatro é onde essa relação aparece com mais força. Freud tomou de empréstimo termos do palco (complexo de Édipo, cena primária, ato) para nomear conceitos centrais da própria psicanálise, e viu no espetáculo um efeito catártico ligado à identificação do espectador com o personagem neurótico.
Lacan vai além de Freud: não se trata de aplicar a psicanálise à arte, mas de aplicar a arte à psicanálise. Para ele o teatro é eterno porque materializa o discurso do Outro. O ator empresta corpo e inconsciente a um texto que não é seu, e o público se reconhece nessa estrutura, não no enredo em si.
No fundo, ator e analisando fazem um movimento parecido: emprestam o eu para dar forma a algo que os excede, e nesse empréstimo alguma verdade encontra uma forma de ficção para aparecer.
Baseado em Neves, L. & Santiago, A. L. “Arte e psicanálise: o teatro e o ator”.

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