Psicóloga Geiciely Tomim

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“A angústia não é apenas um sofrimento; ela é um sinal de que algo no inconsciente busca ser escutado.”Na teoria freudia...
29/07/2026

“A angústia não é apenas um sofrimento; ela é um sinal de que algo no inconsciente busca ser escutado.”

Na teoria freudiana, a angústia ocupa um lugar central na compreensão do sofrimento psíquico. Para Sigmund Freud, ela é um afeto que surge quando o Eu percebe uma ameaça ao seu equilíbrio psíquico, funcionando como um sinal de perigo.

Em Inibições, Sintomas e Ansiedade (1926), Freud reformula sua teoria e afirma que não é a repressão que produz a angústia; é a angústia que mobiliza a repressão. Diante de um conflito interno, o Eu aciona mecanismos de defesa para proteger-se de desejos e conteúdos inconscientes.

Nesse sentido, a angústia pode estar relacionada a desejos reprimidos, experiências traumáticas, fantasias inconscientes, medo da perda do amor, da separação ou da castração. Diferentemente do medo, que possui um objeto conhecido e identificável, a angústia frequentemente emerge diante de uma ameaça difusa, sem um objeto claramente definido, revelando a existência de conflitos inconscientes que ainda não puderam ser simbolizados.

Na clínica psicanalítica, a angústia não é compreendida apenas como algo que precisa ser eliminado. Ao contrário, ela exerce uma função essencial: sinaliza a existência de um conflito psíquico que busca elaboração. Escutá-la significa possibilitar que o sujeito encontre palavras para aquilo que, até então, se manifestava apenas como sofrimento.

Assim, mais do que silenciar a angústia, a psicanálise propõe compreendê-la. Afinal, aquilo que angustia não é apenas um sintoma, mas também uma via de acesso à história, aos desejos e à singularidade de cada sujeito. Como nos ensina Freud, a angústia não é um obstáculo ao tratamento; ela pode ser justamente o ponto de partida para que o inconsciente encontre um espaço de escuta e elaboração.

📚 Referências
FREUD, S. Além do Princípio do Prazer (1920).
FREUD, S. Inibições, Sintomas e Ansiedade (1926 [1925]).
FREUD, S. O Mal-Estar na Civilização (1930).

A arte, para a psicanálise, é mais que objeto de análise: é fonte de saber. Freud reconhecia que o método psicanalítico ...
29/07/2026

A arte, para a psicanálise, é mais que objeto de análise: é fonte de saber. Freud reconhecia que o método psicanalítico ultrapassa o campo das doenças psíquicas e toca também a arte, a filosofia, a religião, mas sem pretender uma psicanálise aplicada a essas áreas. Sua posição era clara: em matéria de arte, o artista precede, e não cabe ao psicanalista bancar o psicólogo onde o artista já abriu caminho. A obra antecipa uma posição diante das exigências da cultura, e só depois se torna familiar.
O teatro é onde essa relação aparece com mais força. Freud tomou de empréstimo termos do palco (complexo de Édipo, cena primária, ato) para nomear conceitos centrais da própria psicanálise, e viu no espetáculo um efeito catártico ligado à identificação do espectador com o personagem neurótico.
Lacan vai além de Freud: não se trata de aplicar a psicanálise à arte, mas de aplicar a arte à psicanálise. Para ele o teatro é eterno porque materializa o discurso do Outro. O ator empresta corpo e inconsciente a um texto que não é seu, e o público se reconhece nessa estrutura, não no enredo em si.
No fundo, ator e analisando fazem um movimento parecido: emprestam o eu para dar forma a algo que os excede, e nesse empréstimo alguma verdade encontra uma forma de ficção para aparecer.
Baseado em Neves, L. & Santiago, A. L. “Arte e psicanálise: o teatro e o ator”.

Para Sigmund Freud (1856–1939), a criação artística constitui uma via de expressão dos conteúdos inconscientes, exploran...
29/07/2026

Para Sigmund Freud (1856–1939), a criação artística constitui uma via de expressão dos conteúdos inconscientes, explorando de modo intuitivo as mesmas profundezas psíquicas que a psicanálise investiga por outros meios.
O conceito central dessa relação é a sublimação: processo pelo qual impulsos pulsionais, sobretudo de natureza sexual, são transformados em atividades socialmente valorizadas como literatura, pintura, música e teatro. O conflito psíquico não é eliminado, mas encontra destino simbólico e culturalmente aceito.
Freud não atribuía à arte um valor terapêutico no sentido clínico, mas reconhecia seu papel na elaboração da vida psíquica. Conteúdos inconscientes tornam-se representáveis através de narrativas, imagens e sons, o que os torna menos ameaçadores ao sujeito.
Esse efeito não se restringe à produção artística. A contemplação de uma obra também mobiliza processos de identificação e elaboração subjetiva, ainda que quem a observe não seja o autor.
Arte e psicanálise operam sobre a mesma matéria-prima, o inconsciente, mas por vias distintas: a arte simboliza através da criação estética, a psicanálise interpreta através da palavra e da associação livre. Por isso, uma não substitui a outra; ambas se complementam.

Crescer é suportar não ser tudo para todo mundo.Uma das tarefas mais difíceis da vida adulta é aceitar que nem sempre se...
08/07/2026

Crescer é suportar não ser tudo para todo mundo.

Uma das tarefas mais difíceis da vida adulta é aceitar que nem sempre seremos compreendidos, escolhidos ou aprovados.

Por muito tempo, tentamos corresponder às expectativas de todos: da família, dos amigos, do trabalho, dos relacionamentos. Mas viver tentando ocupar um lugar perfeito na vida de cada pessoa tem um custo alto: o afastamento de quem realmente somos.

Nem toda frustração significa que você fez algo errado. Às vezes, ela apenas revela que o outro esperava algo que você não poderia, ou não deveria, oferecer.

Amadurecer também é reconhecer que colocar limites, dizer “não” e sustentar as próprias escolhas pode desagradar algumas pessoas. E tudo bem.

Não é possível ser tudo para todo mundo sem deixar de ser alguém para si mesmo.

✨ E você, já percebeu quantas vezes abriu mão de si para corresponder ao desejo do outro?

Limites Amadurecimento Desejo ContardoCalligaris

08/07/2026
De quem é o desejo que você está tentando realizar?Essa pergunta pode parecer simples, mas tem a potência de transformar...
08/07/2026

De quem é o desejo que você está tentando realizar?

Essa pergunta pode parecer simples, mas tem a potência de transformar a forma como olhamos para nossas escolhas.

Contardo Calligaris nos lembra que o desejo nunca é construído sozinho. Desde cedo, aprendemos o que vale a pena desejar a partir dos nossos vínculos, da família, da cultura e das relações que estabelecemos. O outro participa da construção do nosso desejo.

Isso não significa que nossos sonhos não sejam legítimos. Mas nos convida a perguntar: quanto do que busco realmente me pertence e quanto é uma tentativa de corresponder às expectativas de alguém?

Às vezes, seguimos uma profissão para orgulhar a família. Permanecemos em relações por medo de decepcionar. Buscamos um padrão de sucesso porque acreditamos que só assim seremos reconhecidos.

A psicanálise não propõe eliminar a influência do outro, isso seria impossível. Ela propõe escutar o que, em meio a tantas vozes, também é verdadeiramente seu.

Talvez o início do autoconhecimento não esteja em encontrar todas as respostas, mas em sustentar uma boa pergunta.

Talvez, de fato, Freud ajude a esclarecer muitas das questões que atravessam a experiência humana e a complexidade da vi...
02/07/2026

Talvez, de fato, Freud ajude a esclarecer muitas das questões que atravessam a experiência humana e a complexidade da vida psíquica. No entanto, sua maior contribuição talvez não esteja em oferecer respostas prontas, mas em despertar novas perguntas sobre nós mesmos.

“Qual a sua responsabilidade na desordem da qual você se queixa?”
— Sigmund Freud

Mais do que uma resposta, essa frase funciona como um convite à reflexão. Ela expressa um dos princípios centrais da clínica psicanalítica: favorecer que o sujeito reconheça sua participação na maneira como vive, deseja e se relaciona com o mundo.

Vale observar três palavras presentes nessa provocação: queixa, responsabilidade e sua.

A queixa costuma ser o ponto de partida para quem procura uma análise. É a partir do sofrimento, dos conflitos e das repetições que emerge o desejo de compreender o que está acontecendo. Entretanto, a psicanálise mostra que, mesmo diante do sofrimento, existem processos inconscientes que sustentam determinadas formas de agir, sentir e ocupar certos lugares na própria história.

É nesse contexto que aparece a noção de responsabilidade. Diferentemente da culpa, tão frequentemente associada ao julgamento moral, a responsabilidade, na perspectiva psicanalítica, refere-se à possibilidade de o sujeito reconhecer sua implicação em sua própria experiência, inclusive naquilo que lhe escapa à consciência.

Por fim, a palavra “sua” lembra que esse percurso é sempre singular. Cada sujeito possui uma história, desejos, conflitos e modos particulares de se relacionar consigo mesmo e com os outros. Há algo em cada um de nós que nos pertence, mesmo quando ainda não conseguimos reconhecê-lo plenamente.

Talvez seja justamente por isso que a Psicanálise continue tão atual: ela não promete respostas universais, mas convida cada sujeito a construir as suas próprias.

Costuma-se considerar a publicação de “A Interpretação dos Sonhos”, em 1900, como o marco inaugural da Psicanálise. Ness...
02/07/2026

Costuma-se considerar a publicação de “A Interpretação dos Sonhos”, em 1900, como o marco inaugural da Psicanálise. Nessa obra, Sigmund Freud apresenta uma nova forma de compreender os sonhos, investigando como eles são produzidos, qual sua função e de que maneira podem ser interpretados.

Ao longo do livro, Freud defende que os sonhos constituem uma via de expressão de desejos inconscientes, especialmente daqueles reprimidos desde a infância. Assim, aquilo que se manifesta durante o sonho não ocorre de forma aleatória, mas carrega um significado que pode ser acessado por meio da interpretação.

É no célebre Capítulo VII que Freud desenvolve sua primeira formulação sobre o funcionamento do aparelho psíquico. Nesse momento, introduz de maneira sistemática o conceito de inconsciente, que se tornaria um dos pilares da teoria psicanalítica e de toda a sua produção teórica.

No senso comum, o inconsciente costuma ser representado como tudo aquilo que acontece em nossa mente sem que tenhamos consciência, sendo frequentemente ilustrado pela metáfora do iceberg, em que apenas uma pequena parte permanece visível, enquanto a maior parcela permanece submersa.

Embora essa imagem facilite a compreensão inicial, ela não é suficiente para expressar a complexidade do pensamento freudiano. À medida que sua teoria se desenvolve, Freud demonstra que o inconsciente não está separado do Eu, mas também participa de sua constituição e influencia seu funcionamento.

“O Eu não é senhor em sua própria casa.”
— Sigmund Freud

Essa frase sintetiza uma das contribuições mais marcantes da Psicanálise: a ideia de que não somos plenamente guiados pela consciência ou pela razão. Existe, em cada sujeito, uma dimensão inconsciente que escapa ao controle do Eu e que influencia pensamentos, escolhas, afetos e comportamentos.

Essa perspectiva rompe com a concepção cartesiana de um sujeito totalmente racional, expressa na máxima “Penso, logo existo”, ao evidenciar que há forças psíquicas que operam para além daquilo que conseguimos conhecer ou controlar conscientemente.

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