15/09/2026
Não confunda possibilidade com probabilidade.
Muitas vezes, imaginamos algo ruim e, só por ser possível, começamos a viver como se aquilo estivesse prestes a acontecer. Mas uma situação ser possível não significa que seja provável.
“E se tudo der errado? E se eu não conseguir? E se acontecer alguma coisa?”
Quando nos prendemos a essas perguntas, abrimos um campo de possibilidades que parece não ter fim. Cada pensamento dá espaço a uma nova preocupação, e podemos sofrer antecipadamente por situações que talvez nunca aconteçam.
Isso não significa que tudo o que tememos seja improvável. Há riscos concretos que precisam ser considerados. Por isso, além de perguntar “isso pode acontecer?”, vale perguntar: “Diante das circunstâncias que estou vivendo, o que indica que isso pode realmente acontecer? O que sustenta essa expectativa?”
Na perspectiva existencialista de Sartre, nossas escolhas acontecem em situação: partimos de condições concretas, com limites e possibilidades. Olhar para esse contexto nos ajuda a compreender o que estamos vivendo e o que podemos fazer diante disso.
Às vezes, esse olhar revela que uma possibilidade assustadora é pouco provável. Em outras, reconhecemos um risco que exige cuidado.
A intensidade do nosso medo, por si só, não revela a probabilidade do que imaginamos — embora o sofrimento que sentimos seja real.
Não temos garantias sobre o futuro. Mas podemos considerar as possibilidades sem perder de vista as circunstâncias do presente. Afinal, aquilo que imaginamos pode acontecer, mas isso não significa que acontecerá.
Obs: imagem feita por IA.