04/08/2026
Quando a ciência encontra a sensibilidade...
Há alguns dias visitei o monumento em homenagem à Dra. Nise da Silveira, Alagoana que transformou a história da saúde mental no Brasil.
Muito antes de falarmos em humanização da assistência, ela já defendia uma ideia revolucionária: nenhum diagnóstico é maior do que a pessoa que o recebe!
Enquanto a psiquiatria da época valorizava intervenções invasivas, Nise escolheu outro caminho. Observou, escutou, pesquisou e demonstrou que a expressão emocional — especialmente por meio da arte — podia revelar aspectos da mente que os sintomas, sozinhos, jamais mostrariam.
Seu trabalho dialogou profundamente com a Psicologia Analítica de Carl Gustav Jung e abriu espaço para compreender o sofrimento psíquico de forma mais ampla, respeitando a singularidade de cada indivíduo.
Mais de 70 anos depois, sua principal lição continua extremamente atual:
Todo tratamento começa quando alguém se sente verdadeiramente visto.
Como Psicóloga, essa visita me lembrou que a técnica é indispensável. A ciência orienta nossas decisões. Mas é o encontro humano que torna o cuidado possível.
Em um tempo de respostas rápidas e diagnósticos cada vez mais precisos - que são importantes também - talvez a pergunta mais importante ainda seja a mesma que Nise nos ensinou a fazer:
"Quem é a pessoa por trás do sofrimento?"
Esse olhar continua sendo uma das maiores ferramentas da saúde mental.
📍Monumento em homenagem à Dra. Nise da Silveira – Maceió/AL
Yáskara Beatriz Fredo Meulam
Psicóloga clínica e hospitalar
CRP 08/18697