15/07/2026
É natural chegar à terapia esperando respostas.
Esperando que a ansiedade diminua, que a dúvida desapareça, que o sofrimento seja resolvido e que a vida volte a fazer sentido rapidamente.
E sim, mudanças importantes realmente acontecem. Mas, com o tempo, percebo que uma parte importante do processo terapêutico não está em eliminar aquilo que nos atravessa. Está em ampliar nossa capacidade de permanecer diante daquilo que faz parte da existência humana.
Não escolhemos todas as perdas, nem todas as incertezas, nem todas as frustrações que encontramos pelo caminho.
O que pode mudar é a forma como nos relacionamos com elas.
Isso exige tempo.
Exige deixar de buscar respostas imediatas para começar a construir uma relação diferente com aquilo que antes parecia insuportável.
A terapia não é apenas um espaço de resolução, ela também é um espaço onde aprendemos a sustentar perguntas, atravessar experiências difíceis e reconhecer que viver não significa controlar tudo o que acontece, mas ampliar as possibilidades de responder ao que a vida nos apresenta.
E, curiosamente, é quando deixamos de exigir que toda dor desapareça que algumas delas começam a perder a força que tinham sobre nós.