07/06/2021
A mãe que, aos olhos do bebê funciona como um espelho, reflete ao bebê, algo que se refere a ele, e ser visto é uma das bases para o sentimento de “existir”, de forma que o "si-mesmo" verdadeiro, reconhecido, pode estabelecer-se. Quando o ambiente fornece ao bebê cuidados negligentes, não concedendo, por exemplo, o papel do espelho, o bebê não enxerga a si, o que poderá direcioná-lo à uma existência reativa. À medida que o bebê olha para a mãe e ela não lhe devolve este olhar, ele não enxerga a si mesmo, o que poderá acarretar consequências em seu desenvolvimento. Segundo Winnicott (1967), a capacidade criativa destes bebês passa a se atrofiar. Mediante tamanho fracasso ambiental, alguns bebês estudam a feição variável da mãe, na tentativa de prever o seu humor. O bebê aprende, então, de forma bastante rápida, a fazer previsões do humor da figura materna. Cito um exemplo: “este é um excelente momento para esquecer o humor da mamãe e ser espontâneo”. Porém, se estamos diante de uma mãe com constantes alterações de humor, o gesto espontâneo do bebê f**a comprometido.
O indivíduo que se desenvolveu desta maneira, crescerá confuso em relação a espelhos e o que eles podem oferecer, pois: “se o rosto da mãe não reage, então o espelho é uma coisa visível, mas onde não se enxerga nada”. (Winnicott, 1967)