31/07/2026
Ao longo dos anos, percebi que existe uma prescrição que quase todo paciente recebe de mim.
Movimento.
Não porque caminhar cure depressão. Não cura.
Mas porque um cérebro deprimido precisa de motivos para voltar a funcionar. E o movimento é um dos primeiros convites que podemos fazer a ele.
Por isso, nunca peço que alguém comece com uma hora de academia. Peço cinco minutos de caminhada. Amanhã, talvez dez.
Na psiquiatria, aprendi que grandes mudanças raramente começam com grandes esforços. Quase sempre começam com pequenos passos repetidos.
E uma das coisas que mais acredito, depois de tantos anos de consultório, é esta: quanto mais o movimento fizer parte da sua vida, menor tende a ser a necessidade de medicamentos ao longo dela.
Os remédios têm um papel importante. Mas meu objetivo sempre foi maior do que prescrever comprimidos: ajudar as pessoas a recuperar a capacidade de viver.