20/08/2026
Na clínica, às vezes escuto pessoas dizendo:
“Mas eu amo muito.”
E eu acredito.
O problema é que amar alguém não responde, sozinho, às perguntas mais importantes sobre uma relação.
Essa pessoa sabe cuidar de um vínculo?
Consegue sustentar conversas difíceis?
Consegue reconhecer os próprios erros?
É responsável pelas próprias escolhas?
Sabe lidar com frustrações e diferenças?
Tem valores que podem caminhar junto com os seus?
Porque relacionamento não é feito apenas dos momentos em que tudo dá certo.
É também feito da maneira como duas pessoas atravessam os conflitos, as mudanças, as responsabilidades e os dias comuns.
E, para quem deseja construir uma família, essa reflexão ganha ainda mais peso.
Você não está escolhendo apenas alguém para amar.
Está escolhendo alguém com quem vai dividir decisões, responsabilidades, perdas, conquistas, mudanças e, talvez, a criação de outros seres humanos.
Por isso, talvez a pergunta não seja apenas:
“Eu amo essa pessoa?”
Mas também:
“Que tipo de relação nós conseguimos construir juntos?”
Porque sentir é importante.
Mas, para construir uma vida a dois, também é preciso olhar para quem está ao seu lado e para quem você mesma se torna dentro dessa relação.
Amor importa.
Mas amor, sozinho, não sustenta uma vida compartilhada.
E talvez seja justamente aí que a escolha amorosa precise ir além das borboletas no estômago.