10/11/2021
O trabalho do psicólogo é sutil.
Uma pequena palavra... Uma pergunta. Uma vírgula naqueles discursos que demonstram-se sem pausas. Na delicadeza de escutar o que nem sempre está dito.
Nossa intervenção se dá nos detalhes.
Notificar uma alta permite a sensação de dever cumprido.
Permite rever e valorizar um processo que foi feito a partir de um minucioso trabalho em equipe - paciente, terapeuta, terapeuta, paciente.
Eu costuro siginificados daqui, você faz arremates de lá, e assim, vamos tecendo sentidos.
Esse trabalho em equipe é sempre singular. Orientado, sim, por éticas e técnicas, mas, essencialmente, único, para dar conta da imensidão de cada sujeito que nos procura para contar sua história.
Esse processo é ainda mais doce e bonito com as crianças. Onde a partir do brincar se constroem sentidos, significados, se edificam mudanças, se desenvolvem emoções.
No brincar aquilo que ainda não se consegue dizer, se desenrola de uma forma leve, às vezes até engraçada. A criança aborda suas angústias sempre como uma fábula, um faz de conta da própria vida.
Enquanto nós adultos, muitas vezes fazemos de conta viver, fazendo de conta com histórias que não são as nossas.
As crianças sempre me emocionam. Giovana é a criatividade e a perspicácia em pessoa, em uma pequena pessoa. Em muitas sessões me arrancou risadas, me mostrou a pequenez do meu "criar", diante de sua vasta imaginação para brincar.
Essa lembrança sempre vai estar presente nas próximas altas que eu vier a notificar. Vai sempre ser uma parte do meu fazer. E dar ainda mais sentido a essa escolha que fiz há anos atrás.