Psicanálise por Keli Ebert

Psicanálise por Keli Ebert Psicanalista
Psico-oncologista
Psicóloga clínica

�Cuiabá MT
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09/05/2026

Uma mãe precisa nascer, e isso não se realiza de forma natural, mas sim de um efeito da construção que se faz na relação mãe e bebê.
Uma relação que precisa de contato, de tempo e de cuidado. É dessa experiência que uma mãe se faz, a mãe que cria e se recria nas incontáveis necessidades que um filho apresenta.

Um feliz dia das mães a cada uma que diariamente aposta nessa bonita relação de ensinar e aprender.

Recorte do vídeo extraído da série Sessão de Terapia.

A estratégia de carregar um livro para onde você for é um excelente aliado para nos resgatarmos do excesso da rolagem de...
06/05/2026

A estratégia de carregar um livro para onde você for é um excelente aliado para nos resgatarmos do excesso da rolagem de feed. Estamos entrando em um ano eleitoral, em que sabemos que a informação será necessária, mas é preciso escolher onde, como e o quanto se informar.

Redes sociais estão a serviço de informar e distrair, e isso tem lugar em nossa vida, o problema é quando esse excesso nos invade nos roubando a possibilidade de estarmos on-line nos espaços e momentos em que estamos.
Levar junto de si um livro, tem sido uma estratégia que ajuda a mitigar o tempo de distrações, podendo escolher algo e não sendo refém desse pequeno aparelho tecnológico que seduz.

E apesar desta publicação está sendo viabilizada por essas redes, ela tem outro objetivo, que é o de sinalizar que há um tempo para o uso desse espaço, mas que precisamos saber escolher desligar esse sedutor dispositivo para irmos pra vida. Não se trata de uma publicação que tem a pretensão de viralizar, mas sim de lembrar que esse espaço tem sim sua função e que devemos adotar estratégias para saber escolher o quanto do nosso tempo será investido aqui.

Uma boa leitura para aqueles que se sentiram provocados a ceder da rolagem infinita e mergulhar em um bom livro.

Keli Virginia Ebert

30/04/2026

Não há encaixe perfeito, mas sim habilidade de saber fazer algo com as diferenças postas em uma relação.

Uma vez ouvi de algum psicanalista que nós andamos porque caímos. Coloca-se um pé na frente do outro, seguindo uma conti...
27/04/2026

Uma vez ouvi de algum psicanalista que nós andamos porque caímos. Coloca-se um pé na frente do outro, seguindo uma continuidade para não cair, é por medo da queda que nos esforçamos e aprendemos a andar.

O bebê que ensaia seus primeiros passinhos vive o espaço como um descontínuo, um vazio angustiante entre um ponto de apoio e outro, porém, ainda que esse espaço seja angustiante, é graças a ele que nos lançamos para a vida.

Antes de saber andar o bebê se lança, e ao se lançar se depara com o puro vazio, é preciso que algo apareça como um apoio para que não se caia nesse abismo. A mão que se estende para amparar o bebê que inicia seus primeiros passinhos é um ponto de apoio.

Lacan anunciava que entre eu e o Outro há um abismo, é essa distância que há entre o bebê e o Outro o que possibilita os seus primeiros passos, há espaço para o ensaio, mas há também alguém presente para amparar, se necessário.

É preciso possibilitar esse espaço para que o bebê inicie seus primeiros passos no mundo, e, muitas vezes, é nesse espaço que criamos condições para seguirmos caminhando na vida.

A falta desse espaço, por motivos de medo ou superproteção dos cuidadores que zelam em demasia, sufoca o bebê e o impede de inaugurar seus modos de suportar os vazios, os tombos que a vida prega, o tempo de espera que o mundo apresenta e que nos exige um ato criativo para seguir caminhando.

Que possamos estender a mão, mas também saber se afastar quando necessário, para que o outro possa criar seu modo de andar/seguir na vida.

Uma vez ouvi de algum psicanalista que nós andamos porque caímos. Coloca-se um pé na frente do outro, seguindo uma conti...
27/04/2026

Uma vez ouvi de algum psicanalista que nós andamos porque caímos. Coloca-se um pé na frente do outro, seguindo uma continuidade para não cair, é por medo da queda que nos esforçamos e aprendemos a andar.

O bebê que ensaia seus primeiros passinhos vive o espaço como um descontínuo, um vazio angustiante entre um ponto de apoio e outro, porém, ainda que esse espaço seja angustiante, é graças a ele que nos lançamos para a vida.

Antes de saber andar o bebê se lança, e ao se lançar se depara com o puro vazio, é preciso que algo apareça como um apoio para que não se caia nesse abismo. A mão que se estende para amparar o bebê que inicia seus primeiros passinhos é um ponto de apoio.

Lacan anunciava que entre eu e o Outro há um abismo, é essa distância que há entre o bebê e o Outro o que possibilita os seus primeiros passos, há espaço para o ensaio, mas há também alguém presente para amparar, se necessário.

É preciso possibilitar esse espaço para que o bebê inicie seus primeiros passos no mundo, e, muitas vezes, é nesse espaço que criamos condições para seguirmos caminhando na vida.

A falta desse espaço, por motivos de medo ou superproteção dos cuidadores que zelam em demasia, sufoca o bebê e o impede de inaugurar seus modos de suportar os vazios, os tombos que a vida prega, o tempo de espera que o mundo apresenta e que nos exige um ato criativo para seguir caminhando.

Que possamos estender a mão, mas também saber se afastar quando necessário, para que o outro possa criar seu modo de andar/seguir na vida.

Keli Virginia Ebert

A saga da família dos Buendías, em Cem anos de Solidão de Gabriel García Márquez, narra uma história marcada pelo trauma...
22/04/2026

A saga da família dos Buendías, em Cem anos de Solidão de Gabriel García Márquez, narra uma história marcada pelo trauma geracional que delimita a vida de cada personagem. Nesse enredo os nomes se repetem, assim como as paixões se reproduzem.

Há um trauma transgeracional que, de forma poética, movimenta uma família diante os amores, a solidão, a obstinação, os conflitos, encontros e desencontros, delineando os afetos e nos convidando a pensar que a vida não se faz sem experimentarmos os atravessamentos da solidão. Porém, há nessa obra a predestinação da vida das pessoas.
Teríamos nós, assim como os Buendías, um caminho já traçado do qual não poderíamos nos livrar?
Se sim, teríamos como desviar desses trágicos caminhos traçados pelo Outro para então assumirmos as rédeas da própria vida?

Uma análise nos oferece a possibilidade de se relacionar com a herança simbólica deixada pela nossa ancestralidade, o que nos permite dar uma continuidade sobre aquilo que nos foi transmitido, mas uma continuidade que passa pelo crivo da escolha e que comporte uma diferença, a marca de uma singularidade, onde algo de si possa ser acrescentado nas tramas da própria vida, rompendo com repetições trágicas e infelizes, transformando o lugar comum e repetitivo em lugar próprio.

Keli Virginia Ebert

Fragmentos de março, mais um mês que traz um punhado de experiências.
31/03/2026

Fragmentos de março, mais um mês que traz um punhado de experiências.

Por que é tão difícil parar de repetir os mesmos erros?Para a psicanálise essa repetição não tem relação com a falta de ...
23/03/2026

Por que é tão difícil parar de repetir os mesmos erros?

Para a psicanálise essa repetição não tem relação com a falta de força de vontade, pois ninguém por uma determinação consciente diz a si mesmo que deseja sofrer diante as escolhas que faz.

Há algo em nós que insiste em escolher parceiros semelhantes àqueles que já nos fizeram sofrer, ou ainda, há uma força estranha que nos impele a reproduzir o mesmo comportamento mesmo estando em relações diferentes.

Essa força é inconsciente, e de modo geral podemos dizer que ela acontece, pois, o ser humano busca aquilo que já conhece, insiste por caminhos familiares ainda que isso tenha um preço.

Repetir padrões que nos fazem sofrer não é uma escolha consciente, repetimos para tentar dar conta do que não conseguimos elaborar diante as experiências anteriores vividas e não resolvidas. A repetição é um pedido de elaboração que insiste em se fazer presente na vida até o momento em que pode ser simbolizada.

Uma análise visa desarticular essa cadeia fixa da repetição que, de forma inconsciente, determina nossas escolhas. Assim, abrimos espaço para elaboração e direção de novos sentidos para só então deixarmos de repetir comportamentos dos quais somos os próprios autores, mas que tendemos a julgar como azar ou falta de sorte no amor.

Keli Virginia Ebert.

Por que algo em nós insiste em repetir experiências que nos causam sofrimento? Para a psicanálise essa repetição não tem...
23/03/2026

Por que algo em nós insiste em repetir experiências que nos causam sofrimento?

Para a psicanálise essa repetição não tem relação com a falta de força de vontade, pois ninguém por uma determinação consciente diz a si mesmo que deseja sofrer diante as escolhas que faz.

Há algo em nós que insiste em escolher parceiros semelhantes àqueles que já nos fizeram sofrer, ou ainda, há uma força estranha que nos impele a reproduzir o mesmo comportamento mesmo estando em relações diferentes.

Essa força é inconsciente, e de modo geral podemos dizer que ela acontece, pois, o ser humano busca aquilo que já conhece, insiste por caminhos familiares ainda que isso tenha um preço.

Repetir padrões que nos fazem sofrer não é uma escolha consciente, repetimos para tentar dar conta do que não conseguimos elaborar diante as experiências anteriores vividas e não resolvidas. A repetição é um pedido de elaboração que insiste em se fazer presente na vida até o momento em que pode ser simbolizada.

Uma análise visa desarticular essa cadeia fixa da repetição que, de forma inconsciente, determina nossas escolhas. Assim, abrimos espaço para elaboração e direção de novos sentidos para só então deixarmos de repetir comportamentos dos quais somos os próprios autores, mas que tendemos a julgar como azar ou falta de sorte no amor.

Keli Virginia Ebert.

20/03/2026

Sobre desistir
Livro por Adam Phillips

Um belo fragmento da obra póstuma de Contardo Calligaris, O Sentido da Vida, onde ele conta um pouco da sua história, em...
09/07/2024

Um belo fragmento da obra póstuma de Contardo Calligaris, O Sentido da Vida, onde ele conta um pouco da sua história, em um retrospecto que dialoga sobre o manejo do tempo sem estar a serviço dos imperativos contemporâneos que mais nos distraem da própria vida.
Assim, Contardo recoloca a dimensão do vazio como parte constituinte de uma vida, em um convite para o leitor poder se haver com a sua existência, em um saber fazer com os vazios que ela comporta.

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