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Mônica Camoleze - Psicóloga Psicoterapia individual para adultos e para casais
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Porque sentir necessidade de afeto, proximidade e conexão é normal. A maioria das pessoas sofre quando se sente sozinha ...
29/07/2026

Porque sentir necessidade de afeto, proximidade e conexão é normal. A maioria das pessoas sofre quando se sente sozinha e deseja construir relações significativas.

O problema não é sentir essa necessidade. O problema é quando, para reduzir esse desconforto, a pessoa passa a agir de formas que prejudicam a relação.

Por exemplo: querer estar junto o tempo todo, exigir respostas imediatas às mensagens, ter dificuldade em aceitar limites, sentir ciúmes com frequência, pressionar a relação a avançar rapidamente, abandonar interesses e amizades para dedicar toda a atenção ao parceiro ou fazer o outro se sentir culpado por precisar de espaço.

Esses comportamentos podem fazer com que o parceiro se sinta pressionado, sufocado, culpado, constantemente responsável pelo bem-estar do outro ou com medo de desagradar.

Com o tempo, isso pode reduzir a espontaneidade, aumentar os conflitos e dificultar a proximidade emocional.

Por isso, a pergunta talvez não seja: "Essa pessoa é carente?"

Mas: "Como ela lida com a própria carência?"

A carência faz parte da experiência humana. O que merece atenção é quando a forma de lidar com ela passa a gerar sofrimento para si mesmo ou para a relação.

Às vezes, o casal chega à terapia acreditando que o problema está em apenas um dos parceiros."Se ele controlasse a ansie...
27/07/2026

Às vezes, o casal chega à terapia acreditando que o problema está em apenas um dos parceiros.
"Se ele controlasse a ansiedade..."
"Se ela não fosse tão ciumenta..."
"Se ele tratasse a depressão..."
"Se ela lidasse melhor com o estresse..."

Essas dificuldades podem, sim, precisar de um acompanhamento individual.

Mas, na terapia de casal, fazemos uma pergunta diferente: O que aconteceu com a relação depois que esse problema apareceu?

Isso porque, com o tempo, o parceiro também começa a responder ao sofrimento do outro. Tenta ajudar, cobra, evita, insiste, se afasta, se defende.

Sem intenção, essas respostas vão construindo um padrão de interação que passa a manter o sofrimento do casal.

Na Terapia Comportamental Integrativa de Casal (IBCT), não olhamos apenas para o problema individual. Procuramos compreender como o casal passou a lidar com ele e como esse padrão afasta, desgasta e dificulta a conexão entre os dois.
Isso não significa ignorar o sofrimento individual.

Pelo contrário. Significa reconhecer que, quando esse sofrimento passa a influenciar a relação, ele também merece ser compreendido na forma como afeta o casal.

Muitas vezes, o problema continua existindo e pode seguir sendo trabalhado em terapia individual. Mas, quando o casal aprende novas formas de responder a esse problema, a relação deixa de amplificar o sofrimento e pode voltar a ser um espaço de compreensão, apoio e proximidade.

Você não precisa viver uma relação marcada por violência explícita para começar a sentir medo da reação do outro.Às veze...
24/07/2026

Você não precisa viver uma relação marcada por violência explícita para começar a sentir medo da reação do outro.

Às vezes, esse medo aparece de forma muito mais sutil.
Você pensa duas vezes antes de falar.
Evita determinados assuntos.
Engole uma necessidade.
Pede desculpas rapidamente.
Desiste de insistir.

Não necessariamente porque concorda com o outro, mas porque quer evitar críticas, discussões, desprezo, afastamento ou qualquer outra consequência que aprendeu a antecipar.

Em Coerção e suas Implicações, Murray Sidman descreve como o comportamento pode passar a ser controlado principalmente pela tentativa de evitar consequências aversivas. Quando isso acontece repetidamente, nossa liberdade comportamental tende a diminuir.

É importante dizer que isso não significa que qualquer conflito seja coerção. Conflitos fazem parte de relações saudáveis. O problema surge quando o medo das consequências passa a organizar boa parte das suas escolhas.

Aos poucos, a pergunta deixa de ser "O que eu gostaria de fazer?" e passa a ser "O que evita uma reação ruim?".

Na psicoterapia, um dos objetivos não é eliminar conflitos nem dizer se alguém deve permanecer ou sair de uma relação.

É compreender quais contingências estão controlando esse comportamento e ampliar a possibilidade de fazer escolhas mais coerentes com aquilo que realmente importa.

22/07/2026

Todo casal já passou por isso: a briga começa por um problema, mas vira um disputa por ter a razão.

Só que nessa dinâmica de oposição, o casal deixa de tentar se entender e passa a tentar se defender.

Dscordar é natural, mas nem sempre aprendemos comportamentos saudáveis diante da discordâncias que aparecem.

Um ponto importante é perceber quando ficamos tão presos aos nossos pensamentos, certezas e defesas que perdemos contato com o que importa mais do que ter razão.

Por exemplo: em vez de responder no impulso e agir tomado pela raiva, o casal pode aprender a pausar, elaborar melhor o que está sentindo e escolher conversar em outro momento, com mais calma.

Talvez isso soe como:

“Eu estou me sentindo mal e ainda não consigo explicar direito o que é. Acho melhor a gente respirar um pouco, se acalmar e voltar a conversar depois.”

A diferença parece pequena, mas muda a direção da briga.

O objetivo deixa de ser vencer. E passa a ser preservar o que importa na relação.

Ter razão pode ser muito bom e satisfatório, mas, no longo prazo, cuidar de si e do outro é muito mais valioso para a relação.

Terapia de casal não precisa ser o lugar onde o amor vai morrer. Pode ser o lugar onde ele aprende novas formas de conti...
20/07/2026

Terapia de casal não precisa ser o lugar onde o amor vai morrer. Pode ser o lugar onde ele aprende novas formas de continuar. Pode ser o lugar onde o casal aprende a perguntar, com mais honestidade: “Quem queremos ser um para o outro daqui para frente?”

A revisão de escopo foi realizada por Andrea Stafford e publicada em 2023 no Psychotherapy and Counselling Journal of Au...
17/07/2026

A revisão de escopo foi realizada por Andrea Stafford e publicada em 2023 no Psychotherapy and Counselling Journal of Australia e buscou entender o que a literatura científica já sabe sobre aconselhamento e terapia de casal quando pelo menos um dos parceiros é autista.

Um dos pontos mais interessantes é que ainda existe pouca pesquisa empírica sobre intervenções específicas para esses casais: a revisão incluiu apenas nove estudos relevantes.

Mesmo assim, uma recomendação aparece com força: o terapeuta precisa evitar tratar o autismo como um defeito individual e passar a observar a dinâmica entre duas formas diferentes de perceber, comunicar e responder ao mundo.

Referência: tafford, A. (2023). Relationship-counselling recommendations for partnerships involving autistic adults: A scoping review. Psychotherapy and Counselling Journal of Australia, 11(1).

15/07/2026

Nenhum diagnóstico é capaz de explicar completamente quem você é, nem oferecer uma receita pronta para que você se sinta melhor.)

Nomear o autismo, o TDAH ou qualquer outro diagnóstico em saúde mental pode ajudar a diminuir a sensação de inadequação, organizar o tratamento e dar sentido a experiências que antes pareciam confusas.

Mas não basta perguntar: “Qual transtorno eu tenho?” Também precisamos perguntar: “Qual é a função desse comportamento na minha história?”

Por exemplo: nem toda pessoa introvertida é necessariamente autista.

O comportamento pode parecer parecido por fora, mas ter funções completamente diferentes em cada pessoa.

Em uma pessoa no espectro autista, a introversão pode estar relacionada à sobrecarga sensorial, cognitiva ou social.

Em outros casos, pode estar ligada ao medo de rejeição, à tentativa de evitar relações porque elas foram aprendidas como perigosas, à dificuldade de comunicar necessidades ou a tudo isso junto, de formas diferentes em momentos diferentes.

É por isso que duas pessoas com o mesmo diagnóstico podem precisar de caminhos terapêuticos muito distintos.

E duas pessoas sem o mesmo diagnóstico podem compartilhar padrões funcionais muito semelhantes.

Com ou sem neurodivergência, na psicoterapia o foco não está apenas em nomear o que a pessoa tem, mas em compreender como ela funciona em contexto, ao longo do tempo, nas relações e diante do sofrimento.

Nem toda pessoa que foi traída quer terminar. E a terapia individual não serve para dizer o que a pessoa deve fazer, mas...
13/07/2026

Nem toda pessoa que foi traída quer terminar. E a terapia individual não serve para dizer o que a pessoa deve fazer, mas sim para ajudá-la a compreender a própria experiência e tomar decisões mais conscientes do que realmente lhe importa.

Algumas perguntas precisam ser respondidas para que a pessoa traída recupere algum senso de clareza e controle.Mas nem t...
10/07/2026

Algumas perguntas precisam ser respondidas para que a pessoa traída recupere algum senso de clareza e controle.

Mas nem toda pergunta ajuda a curar.

Às vezes, saber detalhes demais pode aumentar ainda mais a dor.

Por isso, a terapia ajuda o casal a conversar com mais cuidado sobre o que precisa ser dito, o que precisa ser reparado e o que realmente pode mudar dali em diante.

A decisão de continuar ou terminar deve nascer de uma compreensão mais honesta sobre a dor, os limites, os valores e as possibilidades reais daquele vínculo.

Entre os erros mais comuns de terapeutas ao atender casais após uma traição estão: transformar a sessão em tribunal, ten...
08/07/2026

Entre os erros mais comuns de terapeutas ao atender casais após uma traição estão: transformar a sessão em tribunal, tentar descobrir “quem é o culpado”, investigar detalhes como se estivesse conduzindo um interrogatório e assumir rápido demais que o casal deve terminar ou continuar.

A traição precisa ser levada a sério.

Atender um casal depois de uma quebra de confiança não é apenas falar sobre o ato em si, mas compreender o impacto emocional da descoberta, o que foi quebrado na relação, como cada pessoa está tentando lidar com a dor e quais padrões relacionais também aparecem nesse processo.

O desafio do terapeuta é validar a dor de quem foi ferido, reconhecer a responsabilidade de quem traiu e, ao mesmo tempo, preservar um espaço em que o casal possa compreender o que fazer com essa relação daqui em diante.

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