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18/09/2026

Você recebe cuidado, ajuda, presentes e sente que ficou em dívida?

Então você compensa. Faz mais, pede menos, f**a disponível, tenta não dar trabalho.

Muitas vezes, ninguém está te cobrando. A cobrança vem de uma crença antiga de que, para receber, você precisa merecer.

E talvez seja por isso que receber seja tão mais difícil do que oferecer.

Psicóloga para mulheres | TCC | autocobrança | culpa | dificuldade de receber ajuda

Separei algumas das minhas fotos preferidas do último feriado.E olhando para elas, fiquei pensando em uma coisa que tenh...
13/09/2026

Separei algumas das minhas fotos preferidas do último feriado.

E olhando para elas, fiquei pensando em uma coisa que tenho aprendido também fora do consultório.

Eu tenho muita facilidade para estar pensando no que vem depois. No que precisa ser organizado, resolvido, lembrado. Minha cabeça frequentemente chega antes de mim nos lugares.

E talvez por isso uma das coisas que mais tenho tentado aprender seja simplesmente estar.

Estar numa conversa sem pensar no horário.
Estar com meus filhos sem transformar aquele momento em mais uma coisa que precisa dar certo.
Sentar sem imediatamente procurar o que ainda falta fazer.
Aproveitar algo bom sem precisar torná-lo produtivo.

Parece simples quando escrito assim. Mas pra mim, nem sempre é.

Essas fotos não mostram tudo o que aconteceu nesses dias. Fotos nunca mostram (não esqueça disso mulher). Mas guardaram alguns momentos em que eu estava exatamente onde queria estar.

E tenho gostado cada vez mais de perceber isso enquanto a vida está acontecendo, e não só quando olho a galeria do celular depois.

Nem sempre o sofrimento aparece como incapacidade de trabalhar, levantar da cama ou cumprir compromissos.Às vezes, o que...
12/09/2026

Nem sempre o sofrimento aparece como incapacidade de trabalhar, levantar da cama ou cumprir compromissos.

Às vezes, o que muda primeiro é mais sutil.

Você continua fazendo as mesmas coisas, mas precisa de muito mais esforço para fazê-las. O que antes dava prazer perde um pouco a graça. A paciência diminui. Você começa a recusar convites. Descansa, mas parece não recuperar.

E como a vida continua funcionando, é fácil concluir que você também está bem.

Por isso, quando penso em saúde mental, não olho apenas para o que uma pessoa ainda consegue fazer. Também importa observar como ela tem se sentido enquanto faz e quanto esforço tem sido necessário para sustentar a própria rotina.

Nem toda fase difícil signif**a depressão. Mas mudanças persistentes no humor, no interesse, no prazer e na forma como você tem vivido merecem ser percebidas.

Há quanto tempo você não se pergunta como tem f**ado, em vez de apenas conferir se está conseguindo fazer tudo?

Você ganha um presente e já começa a pensar no que poderia dar de volta.Alguém te faz um favor e aquilo f**a na sua cabe...
12/09/2026

Você ganha um presente e já começa a pensar no que poderia dar de volta.

Alguém te faz um favor e aquilo f**a na sua cabeça.

Você sabe que a pessoa não pediu nada em troca. Sabe que pode ter feito simplesmente porque quis.

Mesmo assim, f**a uma sensação de que tem alguma coisa em aberto.

Você lembra. Procura uma oportunidade para retribuir. Pensa no que poderia fazer por ela também.

E, enquanto isso não acontece, parece que você não f**a completamente em paz.

Às vezes vem até o pensamento: “vai que um dia ela me cobra”.

O curioso é que você mesma provavelmente faz muitas coisas pelas pessoas que ama sem esperar nada em troca.

Mas quando fazem por você, é diferente.

Um presente, uma ajuda, um elogio, um gesto de carinho podem rapidamente virar uma dívida que você sente que precisa quitar.

Talvez você nunca tenha percebido isso como um padrão.

Talvez sempre tenha chamado de:

“Eu só não gosto de f**ar devendo nada para ninguém.”

Mas por que é tão mais fácil fazer algo por alguém do que deixar alguém fazer algo por você?

Talvez o mais cansativo da autocobrança seja isso: você nunca chega ao ponto em que sente que fez o suficiente.Sempre ex...
28/08/2026

Talvez o mais cansativo da autocobrança seja isso: você nunca chega ao ponto em que sente que fez o suficiente.

Sempre existe algo que poderia ter sido melhor, previsto antes ou feito de outro jeito.

E viver tentando alcançar uma régua que continua se movendo também cansa.

Se você se reconheceu aqui, esse é um dos temas que podem ser trabalhados em terapia.

Você pede para o seu marido resolver alguma coisa e ele diz que vai resolver. Mesmo assim, mais tarde você pergunta se e...
24/08/2026

Você pede para o seu marido resolver alguma coisa e ele diz que vai resolver. Mesmo assim, mais tarde você pergunta se ele lembrou.

No trabalho acontece parecido. Você delega, mas acompanha. Quer saber se foi feito, se está no prazo, se precisa de alguma coisa.

E quando alguém assume uma tarefa em casa, às vezes você até deixa que faça. Só que continua lembrando daquilo.

Tenho pensado muito nessa diferença entre receber ajuda e realmente deixar uma responsabilidade com outra pessoa.

Porque são coisas diferentes.

Quando você passou muitos anos sendo aquela que lembra das coisas, antecipa problemas e percebe o que precisa ser feito antes dos outros, não é tão simples tirar uma tarefa da sua lista e pronto.

Você pode até não estar mais fazendo. Mas continua se sentindo responsável para que seja feito.
E essa também é uma forma de sobrecarga mental.

Talvez uma parte do seu cansaço esteja justamente aí.

Tem coisas que já saíram das suas mãos, mas ainda não saíram da sua cabeça.

Você finalmente senta. Mas sua cabeça não senta com você.Ela já está antecipando o dia seguinte.A reunião.O horário das ...
21/08/2026

Você finalmente senta. Mas sua cabeça não senta com você.

Ela já está antecipando o dia seguinte.

A reunião.
O horário das crianças.
A mensagem que precisa responder.
O que ficou pendente.
O que não pode esquecer.

E talvez você tenha f**ado muito boa nisso.

Em pensar antes.
Antecipar problemas.
Organizar.
Prever o que vai ser necessário.

Quando tantas coisas dependem de você, estar alguns passos à frente parece até uma forma de manter tudo sob controle.

Só que chega uma hora em que sua mente já não faz isso apenas quando é necessário.

Você está no sofá, mas continua resolvendo mentalmente um dia que ainda nem começou.

E existe uma armadilha aí: enquanto você pensa, planeja e antecipa, existe a sensação de que está fazendo alguma coisa.

Por isso, às vezes, parar o corpo é muito mais fácil do que parar de resolver.

Seus pés estão no sofá.
Mas uma parte de você ainda está tentando dar conta do amanhã.

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