24/05/2026
Naquela manhã, enquanto caminhava pela Marina de San Diego, algo dentro de mim desacelerou. O sol despertava lentamente, tocando a água com reflexos dourados. O vento carregava o cheiro do mar, e havia uma paz silenciosa naquele lugar.
Em determinado momento, senti vontade de parar. Não era cansaço; era a sensação de quem acredita que já concluiu o caminho. Quando me preparava para ir embora, algo falou profundamente ao meu coração:
“Continue caminhando.”
Continuei.
Parei próximo às pedras e novamente senti:
“Permaneça aqui. Observe.”
Vi um pequeno barco atravessando a baía. Atrás dele surgiam ondas suaves, delicadas, que tocavam as pedras com leveza. Achei bonito, mas pensei em ir embora.
Então veio outra vez:
“Espere mais um pouco. Ainda tenho algo para lhe mostrar.”
Pouco depois, um enorme navio da Marinha atravessou a baía. Forte. Imponente. Silencioso. Observei até desaparecer. E pensei:
“Era só isso?”
Então ouvi no coração:
“Espere.”
Minutos depois, ondas muito maiores começaram a chegar. Fortes. Profundas. Impactavam as pedras com intensidade.
E então algo tocou meu coração:
“Há vinte anos, Eu fui esse navio que passou pela sua vida. E hoje as ondas estão chegando.”
Naquele instante compreendi:
Alguns movimentos de Deus atravessam nossa vida silenciosamente. Às vezes parecem não produzir efeito algum. Mas primeiro atravessam águas profundas até alcançarem a margem da nossa existência.
Existe o plantio. Existe o tempo oculto. Existe a espera. E existe a colheita.
Porque a colheita encontra seu caminho.
Ali, enquanto as ondas quebravam nas pedras, senti Deus me lembrar: nada está atrasado, nada foi esquecido.
Porque Ele nunca chega cedo nem tarde.
Ele chega exatamente quando as ondas precisam tocar a praia.