Psicóloga Elaine Montalvão

Psicóloga Elaine Montalvão Psicóloga Elaine Montalvão | CRP 08/22443 | Psicanalista Clínica e Organizacional | Analista de Rh - DHO | Consultora Especializada em Gestão de Pessoas

Este espaço foi criado com a finalidade de apresentar o meu trabalho como psicóloga, bem como refletir, dividir e compartilhar experiencias, vivencias e conhecimentos inerentes a psicologia a partir da clínica.

Ser mãe é descobrir que o amor nunca foi inteiro.É segurar nos braços um corpo pequenoe perceber, tarde demais,que ningu...
11/05/2026

Ser mãe é descobrir que o amor nunca foi inteiro.
É segurar nos braços um corpo pequeno
e perceber, tarde demais,
que ninguém nasce sabendo permanecer.
Lembro- me de vê-la dormir.
Como se o silêncio daquela respiração dissesse:
“agora você será falta para alguém.”
a maternidade não é a completude romântica que contam,
mas a experiência radical de tornar-se ausência possível.
A mãe é a primeira paisagem do mundo,
o primeiro espelho,
o primeiro som antes da linguagem.
Mas também é aquela que, um dia,
precisa deixar de ser tudo.
Porque amar um filho
é sobreviver ao instante
em que ele começa a olhar para fora de você.
Lacan diria que o sujeito nasce no desejo do outro.
E a mãe, muitas vezes,
carrega o perigo delicado de querer preencher com a criança
os quartos vazios de si mesma.
Mas o amor verdadeiro acontece justamente
quando ela suporta não possuir.
As vezes tentamos costurar o filho ao peito tentando impedir o mundo.
Outras, aprendemos, entre lágrimas silenciosas,
que crescer é uma forma lenta de separação.
Ser mãe é assistir à própria divisão.
Parte de si continua sendo mulher,
parte vira memória,
parte se transforma nessa criatura estranha
que acorda no meio da noite
só para verif**ar se o filho ainda respira.
E ninguém fala sobre o luto escondido nas pequenas coisas
a primeira vez que ele solta a mão,
a primeira porta fechada,
o primeiro segredo,
o primeiro “não precisa”.
A maternidade é feita de despedidas microscópicas.
E talvez seja esta a beleza da maternidade!
Amar alguém a ponto de deixá-lo existir fora de você
A mãe passa anos ensinando o filho a falar,
sem perceber
que o destino de toda linguagem
é afastar.
E ainda assim ela f**a.
Entre restos de brinquedos, roupas esquecidas, fotografias,
tentando compreender como aquele pequeno ser,
que um dia coube inteiro em seus braços,
agora carrega um universo que ela nunca conhecerá completamente.

Há um perigo silencioso em permanecer à janela nesse lugar onde a distância nos protege, onde somos apenas testemunhas s...
15/01/2026

Há um perigo silencioso em permanecer à janela
nesse lugar onde a distância nos protege, onde somos apenas testemunhas sem risco, espectadores de uma vida que flui lá fora como rio que não molha nossas mãos.

Anne Dufourmantelle diria que a janela é uma ilusão de participação.

Porque viver de verdade é atravessar o vidro, é sentir o vento que desmancha penteados cuidadosos, é manchar-se com a terra das coisas imperfeitas, é tropeçar na própria coragem.

Olhar pela janela é ensaiar a vida, e ensaios, por mais belos que sejam, não sangram, não ardem, não transformam.

O risco está do lado de fora. E também a graça. E também o encontro verdadeiro com nós mesmos ,
quando deixamos de ser apenas olhos que observam para nos tornarmos corpo inteiro que experimenta.

Arriscar-se é a única gentileza que podemos fazer a nós mesmos. Porque a vida não acontece na moldura, acontece no aberto, no inesperado, naquilo que não controlamos.

4.2
2026

A verdade é que sempre acabo voltando à mesma pergunta: o que posso aprender com isso?Por que isso me afeta tanto, e o q...
09/01/2026

A verdade é que sempre acabo voltando à mesma pergunta: o que posso aprender com isso?
Por que isso me afeta tanto, e o que, em mim, ainda posso mudar?

A resiliência costuma ser um bom caminho quando vem a frustração justamente daquilo que não está sob nosso controle. Não como resignação, mas como trabalho psíquico aceitar o limite, sustentar o não-saber, atravessar o desconforto.

Talvez ser psicólogo seja, em grande parte, isso.
Ter as informações, conhecer as ferramentas, enxergar os possíveis caminhos para uma decisão, e, ainda assim, saber que a escolha não nos pertence. Existe o livre-arbítrio. Cada um responde por seus próprios atos.

Depois, o que nos resta é lidar com os efeitos.
Limpar a bagunça.
Nomear o que ficou espalhado.
E seguir, mesmo quando não foi possível evitar o estrago.

…E quando falo de clínica, não me refiro apenas ao setting terapêutico, nem ao seu signif**ado mais imediato. Falo do seu signif**ante maior, daquele que se estende para além da sala, do horário marcado, do contrato simbólico.

A clínica alcança o modo como escutamos o mundo.
Como sustentamos o silêncio sem preenchê-lo.
Como não respondemos onde o outro precisa, justamente, se responsabilizar pela própria resposta.

Ela está no cotidiano, nos vínculos, nas fraturas pequenas e repetidas.
Na maneira como suportamos não intervir.
Como aceitamos não salvar.
Como reconhecemos que há algo do sofrimento que não nos cabe retirar, apenas acompanhar.

A clínica vai até onde somos convocados a não ocupar o lugar do Outro que sabe.
Até onde conseguimos permanecer éticos diante do desejo, do nosso e do alheio.
Até onde suportamos que nem tudo se resolva, nem tudo se repare, nem tudo volte ao lugar.

Sei lá,  acho que a clínica é isso
um modo de estar no mundo sem anestesia,
mas também sem invasão.
Uma prática que não termina quando a sessão acaba,
porque o inconsciente não respeita horários
e a responsabilidade subjetiva, menos ainda.

Sobre ler Lacan Ler e entender Lacan não é sobre decorar conceitos difíceis.É para quem já experimentou, na pele, o que ...
03/12/2025

Sobre ler Lacan
Ler e entender Lacan não é sobre decorar conceitos difíceis.
É para quem já experimentou, na pele, o que é associar livremente,
deixar a palavra ir onde ela precisa ir, mesmo quando desconcerta.

Porque a escrita de Lacan funciona assim:
ela não entrega sentido pronto, ela provoca.
Ela faz tropeçar, voltar, atravessar de novo.

Só entende Lacan quem já percebeu que o inconsciente não se abre com lógica linear, e sim com brechas, lapsos, desvios.

Por isso ler Lacan é, antes de tudo, um exercício clínico e subjetivo:
um modo de escutar o que insiste, o que escapa, o que não quer calar.

Não é sobre “entender Lacan”.
É sobre se permitir ser afetado por aquilo que sua escrita convoca.

Endereço

Maringá, PR

Notificações

Seja o primeiro recebendo as novidades e nos deixe lhe enviar um e-mail quando Psicóloga Elaine Montalvão posta notícias e promoções. Seu endereço de e-mail não será usado com qualquer outro objetivo, e pode cancelar a inscrição em qualquer momento.

Entre Em Contato Com A Prática

Envie uma mensagem para Psicóloga Elaine Montalvão:

Atalhos

Compartilhar