06/06/2026
O desabastecimento do Lenzetto está relacionado a questões logísticas na cadeia de suprimentos do dispositivo aplicador, e não a qualquer problema com o estradiol em si. Isso muda a forma de conduzir a situação: não é necessário rever a terapia hormonal, mas apenas substituir temporariamente a apresentação do mesmo princípio ativo.
A via transdérmica continua sendo a opção preferencial para reposição hormonal em mulheres acima dos 40 anos por um motivo farmacológico importante: ela evita a primeira passagem hepática. O estradiol absorvido pela pele entra diretamente na circulação sistêmica, sem passar inicialmente pelo fígado. Isso reduz o estímulo à produção de fatores de coagulação e proteínas inflamatórias observado na via oral, resultando em menor risco tromboembólico e em um perfil cardiovascular mais favorável (1,2).
O ponto que exige atenção é a equivalência entre as diferentes apresentações. Spray, gel e adesivo administram estradiol pela mesma via, mas apresentam perfis de absorção distintos. A área de aplicação, a superfície de contato com a pele e a velocidade de liberação do hormônio variam entre elas, influenciando diretamente os níveis séricos alcançados.
Por isso, migrar do spray para o gel ou para o adesivo utilizando a mesma “dose aparente” não garante a mesma concentração plasmática.
Na prática, esse é o motivo pelo qual a troca não deve ser feita por conta própria na farmácia. A dose precisa ser convertida e ajustada adequadamente para manter níveis estáveis de estradiol, fundamentais para o controle dos sintomas. Uma conversão inadequada pode levar ao retorno de fogachos, alterações do sono ou irritabilidade, não porque a terapia deixou de funcionar, mas porque a dose efetivamente absorvida pelo organismo ficou menor.
A recomendação é não interromper o tratamento. Caso o Lenzetto não esteja disponível, a substituição por uma das alternativas existentes deve ser feita em consulta médica, com conversão adequada da dose, ajuste individualizado da posologia e acompanhamento clínico.