Alexandre Casco Pietsch

Alexandre Casco Pietsch Minha missão é ajudar o idoso e seus familiares a conquistarem mais qualidade de vida.
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30/07/2026

Você pede pra ele se sentar. Ele f**a parado. Pede pra trocar de roupa. Ele te olha sem reação. Pede pra ir pro quarto. Ele vai pra cozinha.

E você pensa: ele tá me ignorando.

Mas o Alzheimer não destrói a audição. Destrói o processamento. A pessoa ouve a frase, mas o cérebro não transforma mais aqueles sons em signif**ado. É como alguém te falando em russo — você ouve perfeitamente, não entende nada.

E quanto mais longa a frase, pior. “Levanta, vai pro quarto e coloca o pijama azul da segunda gaveta” é uma sequência que um cérebro com demência não consegue segurar do começo ao fim.

Quando a família percebe que não funcionou, repete. Mais alto. Às vezes gritando. Como se volume desbloqueasse compreensão. Não desbloqueia. Só assusta alguém que já não entende por que tão gritando com ele.

A abordagem que funciona é radicalmente simples: uma instrução por vez. Curta. Com gesto. “Coloca isso” — mostrando o pijama. Se a palavra não chegou, o corpo chega. Comece o movimento e ele vai te acompanhar.

A diferença entre “ele não obedece” e “ele não entendeu” muda o tom, a abordagem, a relação. E acaba com brigas que nunca precisaram existir.

Manda pra quem vive isso todo dia. 💜

Dr. Alexandre CAsco Pietsch
Médico Geriatra
CRM-PR 32124 RQE 25768

30/07/2026

Ele ficou agitado do nada. Sem motivo. Sem mudança de rotina.

E quando a família me conta isso, eu faço uma pergunta que ninguém espera: como você tava se sentindo naquele momento?

Porque em muitos casos, a agitação do paciente não começa nele. Começa no cuidador.

O cérebro tem um sistema chamado neurônios-espelho — é o que faz você sentir tensão ao entrar numa sala onde acabaram de discutir. No Alzheimer, esse sistema f**a mais sensível. Quando o raciocínio falha, o cérebro passa a ler o ambiente só pela emoção: tom de voz, tensão corporal, energia.

Quando você tá com pressa, raiva ou ansiedade — mesmo em silêncio, mesmo disfarçando — ele sente. Não sabe nomear. Mas o corpo reage: agitação, choro, recusa.

Não é culpa. É neurociência. E é, na verdade, uma ferramenta poderosa quando usada a seu favor.

Porque se a tensão é contagiosa, a calma também é. Nenhuma medicação age tão rápido no estado emocional de alguém com Alzheimer quanto a presença calma de quem ele sente como segura.

Antes de entrar no cômodo: para. Respira. Baixa o tom. Solta os ombros. Não é só pra você. É pra ele.

Você é o termômetro emocional de quem cuida. Às vezes, antes de acalmar ele, quem precisa ser acalmado é você.

Manda pra quem cuida e vive dias em que tudo dá errado sem motivo. 💜

Dr. Alexandre Casco Pietsch
Médico Geriatra
CRM-PR 32124 RQE 25768

27/07/2026

“Mãe! Mãe!”

Ele tem 78 anos. A mãe morreu há 40.

E a família, sem saber o que fazer, diz: “Pai, sua mãe já faleceu.”

Eu preciso te explicar o que acontece quando você faz isso.

O Alzheimer apagou a memória da morte. Pra ele, a mãe é viva. Quando você conta que morreu, ele não recebe como algo que já sabia e esqueceu. Recebe como notícia. O luto começa do zero. Desespero, choro, dor — como se fosse agora.

E vinte minutos depois ele esquece que você contou. E chama de novo. E se corrigem de novo, ele perde a mãe de novo.

Mas tem uma camada mais profunda que muda tudo. Quando ele chama pela mãe, não tá pedindo pela pessoa. Tá pedindo pelo que ela representava: a sensação de que alguém maior está ali e tudo vai f**ar bem. É o pedido mais primitivo do ser humano — o mesmo de uma criança assustada no escuro.

O cérebro dele voltou pra uma época em que o mundo era grande demais e a mãe era a resposta. Ele não precisa da mãe. Precisa do que a mãe fazia ele sentir.

Segura a mão dele. Fala baixo. “Eu tô aqui. Pode f**ar tranquilo.” Esse sentimento, qualquer pessoa com amor pode oferecer.

Manda pra quem vive isso. Uma explicação pode evitar um luto repetido. 💜

Dr Alexandre Casco Pietsch
Médico Geriatra
CRM-PR 32124 RQE 25768

27/07/2026

Ele tá sentado na sala da casa onde mora há 40 anos.

Mas não reconhece mais. E todo dia, às vezes várias vezes por dia, pede pra ir embora.

A esposa chegou no meu consultório destruída: “Doutor, ele não me quer mais? Ele não quer mais f**ar comigo?”

E eu precisei explicar uma coisa que mudou tudo pra ela.

Quando alguém com Alzheimer pede pra “ir pra casa”, quase nunca tá falando de um lugar físico. Tá pedindo um sentimento. A “casa” que ele procura é a época em que o mundo fazia sentido. Em que ele sabia quem era, onde estava, o que viria depois. É a casa da infância, a segurança da rotina, o tempo em que ele não se sentia perdido.

Ele não quer uma parede. Quer pertencimento.

E o erro mais natural do mundo é tentar convencer com lógica. “Amor, você tá em casa. Olha a nossa sala.” Mas isso não funciona. Porque o cérebro dele não processa mais essa informação. Ele só sente que está num lugar estranho — e ninguém tá entendendo o desespero dele.

O que funciona é entrar no mundo dele. “Me conta da sua casa. Como era lá?” Deixa ele falar. Deixa a memória afetiva trabalhar. E f**a ao lado, com calma. Porque o que ele realmente precisa não é chegar em casa. É se sentir em casa. E muitas vezes a única coisa capaz de fazer isso é a presença de alguém que transmita segurança.

Quando eu expliquei isso pra esposa dele, ela chorou. Mas de alívio. Porque entendeu que o marido não tava rejeitando ela. Tava perdido. E que ela, sem saber, já era o pedaço de casa que ele ainda conseguia sentir.

Se você conhece alguém que ouve esse pedido todo dia e não sabe o que responder, manda esse vídeo. Às vezes uma explicação muda a forma como a pessoa cuida — e a forma como ela se sente cuidando.

Dr. Alexandre Casco Pietsch
Médico Geriatra
CRM-PR 32124 RQE 25768

26/07/2026

Esquecer o seu nome não signif**a esquecer o vínculo.

Talvez ele já não consiga explicar quem você é, mas ainda reconheça a sua voz, o seu toque e a segurança que sente quando você está por perto.

Por isso, evite transformar o encontro em um teste de memória. Não insista para que ele se lembre. Sente ao lado, segure sua mão, faça um carinho e permaneça.

Quando as palavras deixam de funcionar, a presença continua falando.

Ele pode esquecer seu nome, mas ainda sentir que, perto de você, o mundo f**a menos assustador.

O vínculo mudou de linguagem, mas continua existindo. 🤍

Dr. Alexandre Casco Pietsch
Médico Geriatra
CRM-PR 32124 | RQE 25768

26/07/2026

A palavra desaparece antes do vínculo.

Ele pode não lembrar o nome do filho.
Pode não saber explicar onde está.
Pode parecer distante, como se uma parte dele tivesse ido embora.

Mas então toca uma música da juventude.

E algo muda.

O olhar procura.
O pé acompanha o ritmo.
A boca encontra uma letra que parecia perdida.
Por alguns minutos, a doença não ocupa todo o espaço.

Isso acontece porque a música não acessa apenas a memória recente. Ela conversa com áreas do cérebro ligadas à emoção, ao ritmo, à identidade e às experiências mais marcantes da vida.

Por isso, muitas vezes, uma canção dos 15 aos 25 anos consegue chegar onde uma pergunta direta já não chega.

Não é cura.
Não “traz a memória de volta”.
Mas pode trazer presença.

E, no cuidado de uma pessoa com Alzheimer, presença é muito.

Experimente com calma:

Escolha músicas da juventude dele.
Use em momentos difíceis, como banho, fim da tarde ou agitação.
Cante junto, sem cobrar resposta.
Apenas ofereça — e observe.

Às vezes, cuidar não é tentar puxar a pessoa de volta à força.

É encontrar a porta que ainda abre.

E a música, muitas vezes, é essa porta.

Me conta nos comentários: qual música ainda acende algo nele?

Dr. Alexandre Casco Pietsch
Médico Geriatra
CRM-PR 32124 | RQE 25768

25/07/2026

“Ele não quer tomar banho!”

Essa é uma das frases que eu mais escuto de famílias que cuidam de alguém com Alzheimer.

E a primeira coisa que eu pergunto é: como vocês estão tentando?

Porque na maioria das vezes, o problema não é que a pessoa não quer tomar banho. O problema é que ela não entende o que está acontecendo. Pra um cérebro com demência, ser levado a um cômodo frio, ter as roupas tiradas e receber água no corpo pode ser aterrorizante quando você não lembra por que aquilo tá acontecendo.

Algumas coisas que fazem diferença:

— Não avise. Conduza. Em vez de “vamos tomar banho”, tente “vem comigo”.

— Aqueça o ambiente antes. Toalha quente, banheiro confortável.

— Não tire toda a roupa de uma vez.

— Se recusou agora? Tenta de novo em 30 minutos, de outro jeito.

— Se hoje não deu, amanhã é outro dia.

Banho não precisa ser diário. Mas precisa ser sem medo.

Dr. Alexandre Casco Pietsch
Médico Geriatra
CRM-PR 32124 RQE 25768

25/07/2026

Esquecer o seu nome não signif**a esquecer o vínculo.

Talvez ele já não consiga explicar quem você é, mas ainda reconheça a sua voz, o seu toque e a segurança que sente quando você está por perto.

Por isso, evite transformar o encontro em um teste de memória. Não insista para que ele se lembre. Sente ao lado, segure sua mão, faça um carinho e permaneça.

Quando as palavras deixam de funcionar, a presença continua falando.

Ele pode esquecer seu nome, mas ainda sentir que, perto de você, o mundo f**a menos assustador.

O vínculo mudou de linguagem, mas continua existindo. 🤍

Dr. Alexandre Casco Pietsch
Médico Geriatra
CRM-PR 32124 | RQE 25768

25/07/2026

Quando alguém com Alzheimer conta uma história que nunca aconteceu.
Escolha a pessoa, não a verdade.
A doença vai levar muita coisa. A memória, os nomes, as datas, os rostos.

Mas tem uma coisa que ela não consegue apagar tão rápido:
a sensação de ser amado.

E essa sensação não mora na correção. Mora no olhar, no tom de voz, na paciência de quem f**a.
Mora em você.

Dr. Alexandre Casco Pietsch
Médico Geriatra
CRM-PR 32124 RQE 25768

25/07/2026

“Tem alguém me olhando. Tira esse homem daqui.”

Ela tava no banheiro. Gritando. Desesperada. E o “estranho” era o reflexo dela no espelho.

A perda do auto-reconhecimento é um dos sintomas mais comuns nas fases moderadas e avançadas do Alzheimer — e um dos mais ignorados. A pessoa olha pro espelho e o cérebro não faz mais a conexão entre o reflexo e a identidade. Pra ela, tem alguém ali. E esse alguém assusta.

Existe uma camada que torna isso ainda mais compreensível: a imagem mental que a pessoa com Alzheimer tem de si mesma costuma ser de décadas atrás. Ela se vê como alguém de 30, 40 anos. Quando olha no espelho e encontra alguém de 80 — não reconhece. Não pode ser ela.

Muitas famílias interpretam isso como alucinação e aumentam medicação. Mas frequentemente a solução é ambiental, não farmacológica.

Se a pessoa f**a agitada na frente do espelho: tire o espelho. Cubra ou remova. Especialmente no banheiro. E se ela mencionar “o estranho” — não confronte. “Eu já pedi pra ele ir embora.” Resolva o medo, não o fato.

Às vezes a solução pro comportamento mais assustador não é um remédio. É tirar um objeto da parede.

Manda pra quem precisa saber. 💜

Dr. Alexandre Casco Pietsch�Médico Geriatra
CRM-PR 32124 RQE 25768

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