30/07/2026
Você pede pra ele se sentar. Ele f**a parado. Pede pra trocar de roupa. Ele te olha sem reação. Pede pra ir pro quarto. Ele vai pra cozinha.
E você pensa: ele tá me ignorando.
Mas o Alzheimer não destrói a audição. Destrói o processamento. A pessoa ouve a frase, mas o cérebro não transforma mais aqueles sons em signif**ado. É como alguém te falando em russo — você ouve perfeitamente, não entende nada.
E quanto mais longa a frase, pior. “Levanta, vai pro quarto e coloca o pijama azul da segunda gaveta” é uma sequência que um cérebro com demência não consegue segurar do começo ao fim.
Quando a família percebe que não funcionou, repete. Mais alto. Às vezes gritando. Como se volume desbloqueasse compreensão. Não desbloqueia. Só assusta alguém que já não entende por que tão gritando com ele.
A abordagem que funciona é radicalmente simples: uma instrução por vez. Curta. Com gesto. “Coloca isso” — mostrando o pijama. Se a palavra não chegou, o corpo chega. Comece o movimento e ele vai te acompanhar.
A diferença entre “ele não obedece” e “ele não entendeu” muda o tom, a abordagem, a relação. E acaba com brigas que nunca precisaram existir.
Manda pra quem vive isso todo dia. 💜
Dr. Alexandre CAsco Pietsch
Médico Geriatra
CRM-PR 32124 RQE 25768