17/05/2026
A rigidez cognitiva nos transtornos alimentares não aparece apenas como “teimosia” ou “falta de vontade”.
Muitas vezes, ela se manifesta como uma dificuldade intensa de flexibilizar pensamentos, regras e comportamentos em torno da comida, do corpo, do peso, da rotina e do controle.
É aquele pensamento que não abre espaço para negociação:
“Eu preciso comer exatamente assim.”
“Se eu sair da regra, perdi o controle.”
“Se meu corpo mudar, eu não vou suportar.”
“Se eu não compensar, algo ruim vai acontecer.”
Nos transtornos alimentares, a rigidez pode funcionar como uma tentativa de reduzir ansiedade. A regra traz uma sensação momentânea de segurança. Mas, com o tempo, essa mesma regra aprisiona.
O tratamento não é simplesmente “convencer” a pessoa a pensar diferente. É construir, com cuidado, novas possibilidades de resposta diante do medo, da culpa, da incerteza e da sensação de perda de controle.
Flexibilizar não significa abandonar limites.
Significa recuperar liberdade psíquica.
E, muitas vezes, o primeiro passo não é mudar tudo.
É conseguir tolerar uma pequena variação sem que isso pareça uma ameaça.
Você já percebeu como a rigidez pode se disfarçar de disciplina, controle ou “cuidado com a saúde”?