Dra. Bruna Boaretto

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Dra. Bruna Boaretto Dra. (CRM 31662 | RQE 23542) (CRM 31662)

Bruna Boaretto é Médica Psiquiatra, Especialista em Transtornos Alimentares, Psiquiatra colaboradora da equipe de Transtornos Alimentares da Infância e Adolescência - PROTAD IPQ HCFMUSP. Bruna Boaretto é Médica Psiquiatra, Especialista em Transtornos Alimentares pela UNIFESP-SP e Psiquiatra colaboradora da equipe de Transtornos Alimentares da Infância e Adolescência - PROTAD IPQ HCFMUSP.

17/09/2026

Nem sempre o comportamento alimentar é o problema inteiro.

Às vezes, ele é a forma mais visível de um modo de funcionar marcado por rigidez, medo de errar, necessidade de controle e dificuldade em tolerar incerteza.

Por isso, no tratamento dos transtornos alimentares, olhar apenas para a comida pode ser pouco.

É preciso entender o que aquele comportamento está tentando organizar por dentro.

Porque, muitas vezes, o sintoma aparece no prato, mas começa muito antes dele.

11/09/2026

Quem é você sem o transtorno?

Quando ele ocupa espaço demais, pode se misturar à identidade, ao controle e à forma de existir.
Por isso, recuperar-se não é apenas abandonar sintomas.É também ,aos poucos, reaprender quem se é para além deles.

Nos transtornos alimentares, acolher o medo não significa permitir que ele dite o tratamento.Podemos reconhecer o sofrim...
07/09/2026

Nos transtornos alimentares, acolher o medo não significa permitir que ele dite o tratamento.

Podemos reconhecer o sofrimento, oferecer segurança e, ainda assim, sustentar os enfrentamentos necessários.

Firmeza e acolhimento podem coexistir.

Se esse equilíbrio tem sido difícil para sua família, uma avaliação especializada pode ajudar.

Uma das frases que mais escuto de famílias é: “Eu não consigo entender. Ela sabe que precisa comer.”E, muitas vezes, ela...
18/08/2026

Uma das frases que mais escuto de famílias é: “Eu não consigo entender. Ela sabe que precisa comer.”

E, muitas vezes, ela realmente sabe.
O problema é que saber racionalmente que precisa comer não faz desaparecer o medo, a culpa, as distorções e as previsões catastróficas produzidas pelo transtorno.

Compreender a psicopatologia não significa validar a recusa ou deixar de estabelecer limites no tratamento.

Significa perceber que existe uma experiência interna acontecendo por trás daquele comportamento — e que o enfrentamento tende a ser muito diferente quando conseguimos enxergá-la.

Talvez uma das tarefas mais importantes de quem cuida seja aprender a separar a pessoa do transtorno.

Se você reconhece esse tipo de sofrimento em alguém próximo, uma avaliação especializada pode ajudar a entender melhor o que está acontecendo e qual é o caminho de cuidado mais adequado.

Escolhi a psiquiatria porque sempre me interessou aquilo que não é tão fácil de enxergar.Os pensamentos que ninguém vê.O...
13/08/2026

Escolhi a psiquiatria porque sempre me interessou aquilo que não é tão fácil de enxergar.

Os pensamentos que ninguém vê.
Os medos que, de fora, parecem não fazer sentido.
Os comportamentos que muitas vezes são julgados antes de serem compreendidos.
As histórias que existem por trás de um sintoma.

Ao longo dos anos — e especialmente cuidando de pessoas com transtornos alimentares — fui entendendo que ser psiquiatra é muito menos sobre ter respostas rápidas do que eu imaginava no começo.

É aprender a escutar antes de concluir.

É compreender que resistência nem sempre significa falta de vontade.

Que um comportamento aparentemente irracional pode fazer muito sentido dentro da experiência de quem está adoecido.

Que uma prescrição pode ser importante, mas raramente dá conta, sozinha, da complexidade de uma pessoa.

E que cuidar em saúde mental é, muitas vezes, aceitar que o tratamento é um processo: acompanhar, rever, sustentar, ajustar e continuar presente.

A psiquiatria me ensinou muito sobre psicopatologia.

Mas talvez tenha me ensinado ainda mais sobre pessoas.

E, depois de tantos anos, continuo achando um privilégio poder entrar — com cuidado e responsabilidade — em histórias que tantas vezes chegam ao consultório justamente quando estão mais difíceis de contar.

Feliz Dia do Psiquiatra a todos os colegas que escolheram o desafio de cuidar daquilo que nem sempre pode ser visto.

Quando comecei a trabalhar com transtornos alimentares, eu achava que ser uma boa médica significava encontrar a melhor ...
11/08/2026

Quando comecei a trabalhar com transtornos alimentares, eu achava que ser uma boa médica significava encontrar a melhor conduta.

Com o tempo, fui entendendo que isso era apenas uma parte.

Esses pacientes me ensinaram que existem situações em que não basta saber o que precisa ser feito. É preciso entender por que aquela pessoa não consegue fazer.

Que resistência nem sempre é falta de vontade.

Que um comportamento aparentemente irracional pode fazer muito sentido dentro da experiência de quem está adoecido.

Que algumas mudanças levam tempo.

E que, muitas vezes, o nosso trabalho não é retirar imediatamente o sofrimento, mas ajudar alguém a atravessá-lo com segurança até que outras possibilidades se tornem possíveis.

Tratar transtornos alimentares mudou a minha forma de olhar para os sintomas, para as famílias e, principalmente, para o significado de cuidar.

Hoje, talvez eu tenha menos respostas rápidas do que tinha no começo da carreira. Mas tenho muito mais respeito pela complexidade de cada história.

01/06/2026

Vivemos uma era em que visibilidade virou sinônimo de competência.

O algoritmo passou a influenciar a forma como muitos profissionais são percebidos — e, às vezes, até escolhidos.

Mas alcance não é, necessariamente, expertise.
Número de seguidores não equivale à profundidade clínica.
Frequência de postagem não mede capacidade diagnóstica.
Engajamento não substitui formação, ética, experiência ou responsabilidade técnica.

Isso não significa negar a potência das redes sociais como ferramenta de comunicação em saúde.

Significa apenas reconhecer um risco: quando “ser visto” passa a valer mais do que “saber cuidar”.

Porque alguns dos profissionais mais cuidadosos, sérios e tecnicamente qualificados podem não dominar o algoritmo.

E alguns pacientes podem deixar de chegar a cuidados de qualidade por estarem aprendendo a avaliar profissionais pelas métricas erradas.

Talvez valha a reflexão:

Estamos usando a visibilidade como ferramenta de comunicação… ou como critério de valor profissional?

23/05/2026

Nos transtornos alimentares, a mente pode passar a funcionar como um filtro seletivo.

A atenção é capturada repetidamente por tudo aquilo que parece confirmar medo, inadequação ou ameaça: o corpo no espelho, o número na balança, calorias, comentários sobre aparência, comparações e pequenas mudanças corporais.

Isso se chama viés atencional.

Quanto mais a pessoa observa esses sinais, mais eles ganham força. E quanto mais força ganham, mais alimentam ansiedade, culpa, controle, restrição e sofrimento.

Por isso, o tratamento não é apenas sobre mudar comportamentos alimentares. É também sobre ampliar o olhar.

Aprender que um pensamento não é necessariamente um fato.
Que uma sensação corporal não define valor.
Que o corpo não precisa ser vigiado o tempo todo para ser cuidado.

Recuperar-se também é aprender a olhar para si com menos ameaça e mais presença.

17/05/2026

A rigidez cognitiva nos transtornos alimentares não aparece apenas como “teimosia” ou “falta de vontade”.

Muitas vezes, ela se manifesta como uma dificuldade intensa de flexibilizar pensamentos, regras e comportamentos em torno da comida, do corpo, do peso, da rotina e do controle.

É aquele pensamento que não abre espaço para negociação:

“Eu preciso comer exatamente assim.”
“Se eu sair da regra, perdi o controle.”
“Se meu corpo mudar, eu não vou suportar.”
“Se eu não compensar, algo ruim vai acontecer.”

Nos transtornos alimentares, a rigidez pode funcionar como uma tentativa de reduzir ansiedade. A regra traz uma sensação momentânea de segurança. Mas, com o tempo, essa mesma regra aprisiona.

O tratamento não é simplesmente “convencer” a pessoa a pensar diferente. É construir, com cuidado, novas possibilidades de resposta diante do medo, da culpa, da incerteza e da sensação de perda de controle.

Flexibilizar não significa abandonar limites.
Significa recuperar liberdade psíquica.

E, muitas vezes, o primeiro passo não é mudar tudo.
É conseguir tolerar uma pequena variação sem que isso pareça uma ameaça.

Você já percebeu como a rigidez pode se disfarçar de disciplina, controle ou “cuidado com a saúde”?

10/05/2026

Cuidar, proteger e educar pode ser a experiência mais transformadora que um ser humano vivencia. Toda a minha admiração pelas mulheres que exercem esse papel ,seja com os próprios filhos ou não . Feliz dia das mães!!!🤍🥰

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