13/07/2026
Hoje eu vim um pouco mais cedo para o consultório para poder passar um tempinho com as cerejeiras.
Sempre gostei muito das flores de cerejeira, pela beleza e pelo simbolismo: a florada da cerejeira dura poucos dias, então é preciso estar atento para apreciar esse breve espetáculo cor de rosa. Me faz pensar na brevidade da vida, na beleza do momento presente.
Eu amo cerejeiras, mas depois de ter trabalhado com cuidados paliativos eu penso nelas todos os dias. Eu já ouvi muitos arrependimentos sussurrados em um leito de hospital, no fim da vida. Já ouvi muitas pessoas desoladas pelas coisas que queriam ter feito antes e não fizeram, por medo ou por achar que ainda não era a “hora certa”. A dor do que poderia ter sido, o futuro do pretérito.
A vida passa muito rápido, se for ver. Alguns dias podem até demorar a passar, mas quando a gente pisca já é julho, já é metade do mês, já é quase dezembro. E nessa a gente vai adiando coisas, deixando pra depois, apostando que sempre vai ter um tempinho na semana que vem, ou no ano que vem, ignorando que nosso tempo é limitado mesmo nos melhores cenários.
E é por isso que eu penso diariamente nessas florzinhas, como uma metáfora bonita sobre a importância de honrar a finitude da vida: a gente precisa construir uma vida que valha a pena viver. Tem que ter a paciência pra esperar florescer, é bem verdade, mas também precisamos criar tempo para aquilo que é importante pra nós e para perceber que a beleza pode estar em todo lugar, mas é preciso estar atento para enxergar. 🌸