Psicóloga Simone Souza Dreher

Psicóloga Simone Souza Dreher Gestalt-terapeuta

26/05/2026

Nem todo trauma chega como uma grande tragédia.

Às vezes, ele se constrói na repetição silenciosa de experiências que não puderam ser integradas:
a invalidação,
a ausência de acolhimento,
o medo constante,
a emoção que precisou ser engolida para sobreviver.

E o mais complexo é que muitas pessoas aprendem a chamar isso de “normal”.

Tenho pensado cada vez mais em como a neurociência e algumas abordagens clínicas começam a conversar profundamente quando falamos de trauma, memória emocional, dissociação e interrupções no desenvolvimento.

Foi sobre essa integração entre Gestalt-terapia, neurociência e trauma que escrevi o e-book (gratuito)que está disponível no link da bio.

Uma pequena parte do que vivemos no nosso 6º encontro do GLEE ✨Neste encontro, mergulhamos no experimento gestáltico não...
21/05/2026

Uma pequena parte do que vivemos no nosso 6º encontro do GLEE ✨

Neste encontro, mergulhamos no experimento gestáltico não como técnica ou dramatização, mas como uma forma de ampliar awareness e aproximar o paciente da própria experiência.

Falamos sobre:
→ concretização da experiência
→ corpo e respiração no setting
→ awareness
→ contato
→ ajustamentos antigos
→ frustração fenomenológica
→ presença terapêutica

O GLEE é um grupo de estudo e aprofundamento clínico para psicólogos que desejam construir uma clínica mais viva, integrada e com mais direção.

Se você deseja estudar Gestalt-terapia, neurociência, campo relacional e prática clínica de forma profunda e aplicada, talvez o GLEE faça sentido para você

21/05/2026

Fritz Perls falava sobre isso décadas atrás.
Hoje, a neurociência do trauma, a Experiência Somática e a Teoria Polivagal continuam encontrando o mesmo fenômeno dentro do consultório:

pessoas que desaprenderam a sentir a si mesmas.

E talvez uma das coisas mais bonitas de estudar profundamente seja justamente perceber como diferentes abordagens começam a conversar entre si.

A criança que ouviu:
“não foi nada”,
“engole o choro”,
“você está exagerando”…

muitas vezes cresce desconectada do próprio corpo, das emoções e da própria percepção.

Depois aparece no consultório dizendo:
“eu não sinto nada.”

Mas muitas vezes isso não é ausência de emoção.
É proteção.
É adaptação.
É sobrevivência.

Talvez o trabalho clínico seja, aos poucos, ajudar esse organismo a voltar a sentir segurança dentro do próprio corpo.

É sobre isso que conversei nesse vídeo.

E é esse tipo de integração entre teoria, neurociência e prática clínica que trabalhamos nas supervisões.

Se você é psicólogo clínico e deseja aprofundar seu olhar sobre o corpo, o campo, o sistema nervoso e o raciocínio clínico, me envie uma mensagem privada

19/05/2026

A autocrítica severa raramente começa com a pessoa.

Ela começa com alguém que, um dia, foi muito crítico com ela.

E o que era uma voz externa se tornou uma voz interna, tão automática que o paciente nem percebe mais.

Ele só sente o peso. Na sessão, a autocrítica aparece disfarçada:

“Eu sou muito desorganizada.”

“Eu nunca faço nada direito.”

“Qualquer um faria melhor do que eu.”

E quando você pergunta de onde vem essa voz, muitas vezes ele não sabe responder. Porque ela já está tão incorporada que parece ser dele.

Mas não é.

A autocrítica cumpre uma função e é por isso que ela persiste.

Ela dá uma ilusão de controle. O problema é que isso tem um custo mental enorme.

O paciente vive em alerta constante. Nunca está bom o suficiente. Nunca pode descansar.

E a transformação só começa quando ele percebe: essa voz não é minha. E ela não está me protegendo, está me esgotando.

Identificar o padrão é o primeiro passo.

Nomear de onde ele vem é o segundo.

E ajudar o paciente a construir uma voz interna mais gentil (sem perder a responsabilidade) é o trabalho terapêutico.

Porque autocrítica não é sinônimo de autoconhecimento.

É um padrão de sobrevivência que, em algum momento, foi útil. Mas que agora só machuca.

16/05/2026

Às vezes a intervenção estava certa.

O conteúdo, o raciocínio, a leitura do caso e tudo fazia sentido.

Mas o paciente fechou. Desviou. Ficou em silêncio de um jeito diferente. Ou até mesmo quis ir embora.

Não porque o que foi dito era errado. Mas porque aquele momento ainda não era o momento.

Na clínica, o timing é parte da intervenção. Um questionamento mais profundo dito antes do vínculo estar pronto para sustentá-lo pode atravancar o processo por semanas, ou encerrar o contato sem que o paciente consiga explicar por quê.

Identificar esse momento exige menos certeza técnica e mais atenção ao que o paciente está conseguindo receber agora.

16/05/2026

Você começa a mudar de vida… e, de repente, tudo parece mais confuso.

Velhos traumas emergem.
Antigas crenças vêm à tona.
Padrões que você achava que tinha superado começam a aparecer de novo.

E é exatamente aqui que muita gente desiste.

Porque construir uma nova versão de si mesmo exige encarar dores antigas antes de viver o novo.

Mas talvez esse desconforto não seja um sinal de fracasso.
Talvez seja sinal de reconstrução.

A cura não é linear.
Ela bagunça antes de organizar.
Desconstrói antes de fortalecer.

Então, se você chegou até aqui…
não desista agora.

Continue buscando o que te faz bem.
Continue sustentando dentro de você a convicção de que existe uma vida maior te esperando do outro lado desse processo.

Porque, no final, você vai se tornar quem nasceu para ser.

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