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Psicólogo Luiz Hofmann Olá! Meu nome é Luiz, sou psicólogo clínico, pós-graduado em TCC, e atuo na área clínica desde 2022!

Steel Ball Run voltou com a 2ª e a 3ª etapas da corrida, em episódios semanais na Netflix, e essa nova parte parece come...
26/09/2026

Steel Ball Run voltou com a 2ª e a 3ª etapas da corrida, em episódios semanais na Netflix, e essa nova parte parece começar a tirar a história daquela aparência inicial de “corrida louca atravessando os Estados Unidos” para algo bem mais estranho, ambíguo e característico de JoJo.

Acho que é isso que torna Steel Ball Run tão interessante. O anime usa uma corrida, poderes bizarros e situações absurdas para falar de coisas bem humanas como: desejo, medo, orgulho, feridas antigas, alianças improváveis e motivos que a gente nem sempre entende de primeira. No fim, cada personagem parece estar atravessando algo maior do que a própria competição.

É muito fácil colocar Astarion na caixinha do personagem sedutor, irônico, provocante e o tipo de figura que parece esta...
19/09/2026

É muito fácil colocar Astarion na caixinha do personagem sedutor, irônico, provocante e o tipo de figura que parece estar sempre no controle e que transforma qualquer aproximação em um jogo. E talvez muita gente se relacione assim também, não porque existe necessariamente algum “problema” por trás, mas porque essa é uma forma bastante comum de se proteger. Ser engraçado, misterioso, desejável ou difícil de acessar pode virar uma maneira de manter distância sem parecer distante.

Em algum momento, não basta só provocar, seduzir, fazer piada ou manter a imagem de quem não precisa de ninguém. Vínculo pede vulnerabilidade, e vulnerabilidade envolve deixar alguém acessar uma parte que talvez a pessoa tenha passado anos tentando esconder. Por isso, algumas relações começam intensas e duram pouco, ou nem chegam a começar de fato. Não necessariamente por falta de desejo, mas porque ser desejado ainda permite algum controle.

Astarion ajuda a pensar nisso porque ele não desmonta a fantasia do “galã sedutor” tornando tudo simples ou moralista. Ele só mostra que, às vezes, por trás de uma postura muito segura, existe alguém tentando decidir se ainda precisa viver se defendendo o tempo todo.

Faz sentido?

Hoje é Dia da Psicologia, e acho bonito perceber que parte do meu trabalho também passa por conseguir falar sobre saúde ...
27/08/2026

Hoje é Dia da Psicologia, e acho bonito perceber que parte do meu trabalho também passa por conseguir falar sobre saúde mental usando coisas que realmente fazem parte de mim.

Jogos, animes, filmes, livros e histórias sempre estiveram no meu repertório antes mesmo da Psicologia virar profissão. Hoje, poder usar isso para conversar com pessoas que se identificam com esse universo é uma das partes mais felizes do que eu faço.

Feliz Dia da Psicologia para todos os meus colegas de profissão! Que a gente nunca esqueça da responsabilidade e da beleza que existe na profissão que exercemos.

Pra quem chegou por aqui agora, eu sou o Luiz. Psicólogo, curitibano por escolha, nerd desde antes disso ser minimamente...
26/08/2026

Pra quem chegou por aqui agora, eu sou o Luiz. Psicólogo, curitibano por escolha, nerd desde antes disso ser minimamente socialmente útil e alguém que provavelmente vai encontrar alguma relação entre saúde mental e um jogo, anime, livro, filme ou música em algum momento.

Por aqui, tento falar de Psicologia de um jeito que faça sentido fora dos termos difíceis também. Às vezes usando TCC, às vezes usando uma cena de The Witcher, Dark Souls, Frieren, One Piece ou qualquer obra que ajude a chegar mais perto de uma experiência humana.

Se algum conteúdo daqui já fez você pensar “ok, isso falou um pouco comigo”, talvez você esteja no lugar certo. Aconchegue-se e seja bem vindo(a)!

Night City não assusta só por ser violenta ou tecnológica demais, mas porque quase tudo ali parece ter virado alguma for...
22/08/2026

Night City não assusta só por ser violenta ou tecnológica demais, mas porque quase tudo ali parece ter virado alguma forma de produto. O corpo pode ser modificado, a memória pode ser acessada, a identidade pode ser montada, o prazer pode ser comprado e até aquilo que deveria ser íntimo passa por algum tipo de interface.

É um exagero distópico, claro, mas não parece tão absurdo quando pensamos no quanto a nossa própria vida já passa por sistemas que tentam antecipar o que queremos antes mesmo da gente perceber. O algoritmo aprende o que prende nossa atenção, entrega algo parecido, remove parte do atrito e cria a sensação de que o mundo pode ser cada vez mais ajustado ao nosso gosto.

Talvez o problema comece quando levamos essa expectativa para as relações. Porque uma pessoa real não funciona como um feed. Ela não aparece sempre do jeito mais interessante, não responde sempre no tempo ideal, não confirma tudo que imaginamos e não existe apenas para encaixar na nossa vontade.

Byung-Chul Han fala em seu livro, A Agonia de Eros, sobre a dificuldade de encontrar o outro como outro, e acho que isso conversa muito com esse tema. O outro real tem diferença, limite, contradição e história própria (assim como todos nós). Só que, quando a gente se acostuma com um mundo onde quase tudo pode ser pulado, trocado ou substituído rapidamente, qualquer desconforto começa a parecer sinal de que talvez exista uma opção melhor em outro lugar.

E talvez seja por isso que o amor em tempos de catálogo pareça tão cansativo. Não porque as pessoas deixaram de querer vínculo, mas porque permanecer tempo suficiente diante de alguém real exige uma tolerância que a lógica digital não treina muito bem. Exige lidar com frustração, silêncio, insegurança, diferença e momentos que não entregam estímulo imediato.

O que você acha sobre isso? Deixe nos comentários!

Frieren parece entender que afeto às vezes aparece na roupa que alguém escolhe, no comentário sem jeito, na tentativa de...
10/08/2026

Frieren parece entender que afeto às vezes aparece na roupa que alguém escolhe, no comentário sem jeito, na tentativa de acertar, no silêncio depois de não saber o que dizer.

Fern e Stark funcionam tão bem porque eles não parecem personagens prontos para viver uma relação. Eles parecem duas pessoas aprendendo, aos poucos, que gostar de alguém também envolve uma certa “falta de jeito”.

E acho que essa é uma das coisas mais legais dessa obra: ela trata o tempo pequeno como importante.

Porque, no fundo, muita relação é construída assim mesmo, por tentativas meio tortas que, com o tempo, começam a ganhar um sentido muito bonito e significativo.

Errar, travar e recomeçar faz parte de aprender qualquer coisa difícil. O problema começa quando a pessoa passa a ler ca...
04/08/2026

Errar, travar e recomeçar faz parte de aprender qualquer coisa difícil. O problema começa quando a pessoa passa a ler cada tropeço como um veredito sobre quem somos .

Aí a queda deixa de ser informação e vira sentença: "não sou bom o suficiente", "não nasci pra isso", "sempre vai ser assim". Um deslize pontual, que dizia apenas onde ajustar da próxima vez, é lido como prova definitiva de incapacidade. E quanto repetimos essa leitura, mais evitamos tentar de novo, porque tentar passa a significar arriscar mais uma confirmação de que não damos conta.

Na psicologia, isso aparece quando um resultado ruim ativa um pensamento automático que a mente trata como fato, e não como interpretação. A distorção não está em ter caído; está em concluir, a partir da queda, algo muito maior do que ela sustenta. É a diferença entre "isso deu errado" e "eu sou o erro".

Dark Souls ajuda a pensar nisso porque foi construído sobre a repetição a partir da falha. O jogo não pune o erro para humilhar; mas para colocar o jogador à prova e novo e de novo até que a queda deixe de ser fracasso e vire aprendizado: onde esquivar, quando esperar, o que essa queda ensinou. Talvez a diferença entre quem desiste e quem atravessa não esteja em cair menos, mas no que cada um aprende após cada tentativa.

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Essa sensação de “não saber se escolhi certo” não acontece por acaso.Paweł Sasko, um dos designers de missões do jogo, j...
01/08/2026

Essa sensação de “não saber se escolhi certo” não acontece por acaso.

Paweł Sasko, um dos designers de missões do jogo, já comentou que a equipe queria que o jogador tomasse uma decisão e tivesse que permanecer com ela. Por isso, várias consequências não aparecem na hora. Você escolhe agora, continua jogando, faz outras coisas, esquece um pouco daquilo… e horas depois o jogo volta e mostra o efeito do que você decidiu.

Isso muda tudo, porque não é só “escolha A ou B para ver finais diferentes”. O jogo tira de você aquela segurança confortável de saber imediatamente se fez a coisa certa.

Você precisa escolher com informação incompleta, lendo a situação, pensando no que combina com Geralt, no que parece menos pior, no que você está disposto a assumir.

E isso é muito parecido com a vida real.

A gente também queria poder pausar, abrir um menu, ver todas as consequências futuras e só então decidir. Mas, na maioria das vezes, não dá. Você escolhe com o que sabe agora e só entende o peso da escolha depois.

The Witcher 3 não te deixa controlar tudo. E, de certa forma, te obriga a encarar uma coisa que a ansiedade odeia: decisões nem sempre vem com garantias.

25/07/2026

A escolha de adaptar A Odisseia chama atenção porque Nolan poderia ter ido pelo caminho mais óbvio do épico, como a guerra, o cavalo de T***a, os deuses, os monstros e tudo que envolve grandeza e espetáculo.

Mas a força dessa história está justamente no depois, quando a guerra já foi vencida e Odisseu ainda precisa enfrentar o que talvez seja mais difícil: voltar para casa.

Só que voltar não significa encontrar tudo como era antes.

Penélope também mudou enquanto esperava, Telêmaco cresceu sem o pai, Laertes envelheceu com a ausência, e o próprio Odisseu já não é o mesmo homem que saiu de Ítaca.

Agumas jornadas fazem sentido, mas ainda assim cobram um preço. E nem sempre retornar é recuperar exatamente o que ficou para trás. Às vezes, voltar é aceitar que algo se perdeu no caminho e tentar construir presença com aquilo que ainda pode ser vivido.

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