Psicóloga Ana Carolina Lino Liberato

Psicóloga Ana Carolina Lino Liberato Psicanalista e membra do coletivo TRAMA inconsciente

Boa tarde, como vai?  Sou a Ana, sou psicanalista e psicóloga. Formada e pós graduada pela PUCPR e hoje frequento e faço...
29/03/2022

Boa tarde, como vai?
Sou a Ana, sou psicanalista e psicóloga. Formada e pós graduada pela PUCPR e hoje frequento e faço cartel na EBP-Sul. Atuo na clínica há cinco anos e sigo pensando e estudando psicanálise desde então. Escrevo no meu instagram sobre meus devaneios e ideias, com a proposta de divulgar a psicanálise de uma forma ética e mais acessível.
Pensando nisso, me disponho a estudar em grupo, tirar dúvidas para provas sobre psicanálise de Freud e Lacan. Grupos de até 6 pessoas para explanar conceitos pontuais de tal matéria. Os valores e local será combinado direto com os participantes.
Obs: não faço trabalhos acadêmicos.
Se você tem dúvidas e interesse, me escreve aqui ou no whatsapp (4199906-9804)
Beijos e até!

Pensar na vida como uma escada ascendente, em que um dia é melhor que o outro, que as conquistas vão se acumulando me fe...
06/06/2021

Pensar na vida como uma escada ascendente, em que um dia é melhor que o outro, que as conquistas vão se acumulando me fez lembrar desse jogo de tabuleiro.
Acredito que ele expresse melhor o que é viver.

A vida tem muitos revés e recomeços, avança, avança, avança, até que para na casa do tobogã e cai lá embaixo de novo. Às vezes pega a escada e agiliza uns degraus. As vezes f**a parado em uma casa, impedido de jogar.
Mas a última casa… a última casa é o fim, é a morte.

Há uma explicação do Freud sobre o tempo que o tratamento leva, e ele conta uma história. Um andarilho passa por uma cidade e pergunta a uma pessoa quanto tempo leva até a próxima cidade, e a outra pessoa diz: depende da velocidade em que cada um vai.
O problema de explicar o tempo de uma análise assim, é fazer com que o analisante queira andar mais rápido, e não é assim que a coisa funciona.

Andar mais rápido pra onde? Pro fim? Pra satisfação plena? Querer jogar os dados e que eles deem sempre seis, pra poder andar o mais rápido possível?

Essa rapidez pra chegar a um ideal, f**a desbussolada entre o ideal e o fim, e aí o coração acelera, sensação de infarto.
O ideal é aquela calça linda, que foi comprada por ser incrível, só que não da pra vestir, mas um dia há de dar! Enquanto ela não serve, f**a ali, de lembrete. Oiê! Sou eu quem você quer, ta?! E se um dia ela servir, é ruim de lavar, de passar. Ela é aquela calça que só dá pra usar com uma blusa, que desse tipo só tem a do pijama, então tem que usar em um dia frio que não esquente a tarde. E esquenta! A pessoa f**a suando, as pessoas perguntando, você não está com calor? imagina, eu estou ótima!!! Tudo isso pra usar a tal da calça.

Estar entre a morte e um ideal é muito difícil. A morte nos encontra pelo jornal, pelas contingências da vida e isso tem sido brutal.

Reconhecer a nossa pequenez e poder fazer alguma coisa disso para além do ideal e com toda a relevância que isso cabe. É viver nesse tabuleiro sem precisar descer o tobogã freiando com pés e mãos, alguns simplesmente perdem o sentido, os dados não precisem ser jogados, pelo sujeito ou pelo outro que determine como e pra onde vai.

Mais uma aposta do que acontece no caso a caso, possa se reunir em um grupo, fazer as palavras tangenciar no outro e em ...
01/06/2021

Mais uma aposta do que acontece no caso a caso, possa se reunir em um grupo, fazer as palavras tangenciar no outro e em si, pra relançar a questão.

Vamos?
Inscrição e dúvidas, me manda mensagem 😉
Vagas limitadas.

Falar é um recurso importante. É um recorte muito preciso diante todos os pensamentos e sua velocidade de circulação.O q...
28/05/2021

Falar é um recurso importante. É um recorte muito preciso diante todos os pensamentos e sua velocidade de circulação.
O que está dito, está dito, não pode desdizer. Diferente do pensamento que f**a oculto, ou da escrita que pode ser reescrita.
Inclusive, acho muito bonita a invenção das crianças no consultório quando digo que não tem borracha, está feito, não dá pra voltar.
A fala comporta a singularidade de cada, já que o signif**ante é vazio e cada um preenche com o seu signif**ado.
Quando se fala, além de concretizar algo, se escuta, há uma reverberação de outra ordem.
Falar em análise é poder se responsabilizar pelo que se diz, e inventar algo com o que está feito.
Falhemos!

O desejo tem a falta que movimenta o sujeito. Isso envolve uma troca libidinal, para além dos objetos.Nessa troca se per...
27/05/2021

O desejo tem a falta que movimenta o sujeito. Isso envolve uma troca libidinal, para além dos objetos.

Nessa troca se perde algo, pra dar espaço ao impulso necessário ao próximo movimento.

Pra que haja troca, é preciso fazer o movimento secundário do narcisismo, que é investir fora, e não somente dentro.
A partir dessa circulação, as coisas tomam outra perspectiva para além do sujeito, dá voltas e retorna com outras coisas, afinal, só se vê a ilha de fora da ilha.

É preciso ir no outro, pra recuperar um pouco de si.

Ao achar que investir no outro é uma perda, e pra não perder um pouco, perde muito.

Ficar agarrado com o objeto e investindo só nele, é mortif**ante.
As coisas precisam circular pra serem vivas, precisam acontecer.
É nesse movimento de perder pra inventar com o que f**a, que anima.

Ana Carolina Lino Liberato
CRP 08/25927

Che vuoi?A pergunta Lacaniana. Que queres?Quero ser aquele outro que goza plenamente, que tem a vida perfeita.Que queres...
25/05/2021

Che vuoi?
A pergunta Lacaniana. Que queres?
Quero ser aquele outro que goza plenamente, que tem a vida perfeita.

Que queres?
Você banca isso? As perdas que isso implica? As responsabilidades que isso traz?

Desejo é perda, é construção.
O narcisismo quer a completude, admiração, carinho e atenção inesgotável, olhos cuidadosos a todo momento, que a vida seja uma grande férias sem fim.

E como faz com essa divisão entre querer alcançar o desejo levando em consideração o narcisismo?
Depende, que queres?

a imensidão do mar transmite algo que tranquilizaesse infinito com bordas inconstantes que sempre se inscrevemo barulho ...
21/05/2021

a imensidão do mar transmite algo que tranquiliza

esse infinito com bordas inconstantes que sempre se inscrevem

o barulho das ondas quebrando e delimitando onde é preciso ter outro lugar

há quem bata de frente, de costas, entre de cabeça, surfe, se afogue

esse leva e traz, sobe e desce de restos e de vidas

estar no mar é delimitar o corpo pela água que circula, é por fora que vem a marca

a pele é o orgão mais profundo

a corrententeza dá a intensidade do toque

os buracos, a dimensão

talvez o mar tranquilize na medida que adverte. Cuidado, a vida é preciosa!

Leituras e lembranças de um domingo ensolarado.
18/05/2021

Leituras e lembranças de um domingo ensolarado.

Eu escuto algumas coisas que vão me fisgando“terapia é bom, eu desabafo e me sinto bem”“eu sou tipo um psicólogo pros me...
12/05/2021

Eu escuto algumas coisas que vão me fisgando
“terapia é bom, eu desabafo e me sinto bem”
“eu sou tipo um psicólogo pros meus amigos, sabe?!”
“eu não sei o que fazer, o que você acha?”

São perguntas e comentários comuns, que orientam sobre o sintoma do sujeito e do que ele procura.

Por outro lado, penso sobre o que a psicologia, coisas que se denominam psicanálise, fazem com que essas falas tenham esse lugar.

Que responsabilidade tem o sujeito nesse processo de desabafo e de receber ordens?
Se enche, e depois esvazia por onde encheu. Freud fala da análise infinita aí, enquanto o s**o não for furado, sempre vai ser cheio e precisar ser esvaziado.

Esse outro mal, perverso, enquanto o sujeito, paga se sentir acolhido enquanto o bonzinho da história. O mundo está se despedaçando e ele não tem nada a ver com isso, há um psicólogo que lhe autoriza disso.
Saia desse trabalho, mude de amizades, não fale com a sua família. Tóxicos, todos tóxicos.

Há pessoas difíceis, tóxicas, é verdade. E o que você faz ali? Qual é seu gozo nisso?
Ah disso eu não quero me perguntar. Alô alô tem alguém pra me acolher??? Análise é caro demais, né?!

Nesse fluxo em que escutar alguém é ser psicólogo, que a cada frustração se impõe uma separação, seguimos cada vez mais, cada um no seu lado, abraçado com a sua verdade. (ps: tem gente lucrando disso).

Duas certezas que tenho na vida. Uma é que a terra é redonda e ela gira, e que o neurótico vai repetir. Saia do trabalho, mude de relacionamento, de casa. O funcionamento neurótico vai continuar se repetindo onde quer que esteja. Esse lugar que se ocupa no mundo se atualiza no novo cenário, e aquilo mais sintomático, se repete.
A repetição não vem à toa, ela marca isso que não quer ser visto, elaborado. O outro era mau, mas agora que o outro é bom, o sintoma continua o mesmo. E agora?

Análise também é acolhimento, é desabafo, é repetição.
É responsabilidade, é saber qual é a sua parte e o que você faz com isso, reconstruir seu lugar no mundo.

Como é isso pra vocês na clínica?

Escrevo por aqui como forma de elaboração das coisas que escuto e penso. Essa também é uma forma de dizer de mim, mas ag...
07/05/2021

Escrevo por aqui como forma de elaboração das coisas que escuto e penso. Essa também é uma forma de dizer de mim, mas agora pretendo dizer profissionalmente.

Eu sou formada em psicologia, e durante a minha graduação eu iniciei uma análise, o que me fez inicialmente ser atravessada pela psicanálise.

Escolhi estudar a noite pra poder ter mais disponibilidade de horário pra poder fazer estágios. Eu quis experimentar as diversas áreas de atuação, já que desde o princípio era isso que me chamou atenção. Aliás, eu escolhi o curso porque tinha muitos campos de trabalho e eu não sabia exatamente o que queria fazer, então quanto mais opção, melhor.

Fiz estágio com crianças, RH, dependência química, área jurídica, enquanto a psicanálise me tangenciava de alguma forma. Até que decidi que seguiria pela clínica com a psicanálise. Todas essas experiências me ajudaram a me localizar, me entender do que eu queria com essa profissão, não vivo de nenhuma delas, mas aos poucos elas me trouxeram onde estou hoje.

Depois da faculdade eu comecei a atender e continuei estudando. Iniciei uma pós em psicologia clínica, troquei de analista, comecei a frequentar uma escola de psicanálise. (ps: como é estranho escrever isso assim, parece muito linear, mas aviso, foi com muita angustia).

Lembro de pensar que se tivesse sido atravessada pela psicanálise antes, talvez não precisasse ter feito toda graduação, e já tinha iniciado a formação em psicanálise direto. Eu achava que era um tempo que poderia ter sido otimizado, vida perdida. Tempo, dinheiro, medos, disposição, trabalhos em grupo. Todo tipo de investimento que tive ali.
Estar na graduação me trouxe muitas coisas, os amigos que fiz, que foram absurdamente fundamentais nesse trajeto, as coisas que ouvi, aprendi, vivenciei.

Tudo isso faz parte da clínica que tenho hoje, do trabalho que realizo, dos vínculos que carrego.

Uma coisa não se faz sem a outra.

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