12/05/2021
Eu escuto algumas coisas que vão me fisgando
“terapia é bom, eu desabafo e me sinto bem”
“eu sou tipo um psicólogo pros meus amigos, sabe?!”
“eu não sei o que fazer, o que você acha?”
São perguntas e comentários comuns, que orientam sobre o sintoma do sujeito e do que ele procura.
Por outro lado, penso sobre o que a psicologia, coisas que se denominam psicanálise, fazem com que essas falas tenham esse lugar.
Que responsabilidade tem o sujeito nesse processo de desabafo e de receber ordens?
Se enche, e depois esvazia por onde encheu. Freud fala da análise infinita aí, enquanto o s**o não for furado, sempre vai ser cheio e precisar ser esvaziado.
Esse outro mal, perverso, enquanto o sujeito, paga se sentir acolhido enquanto o bonzinho da história. O mundo está se despedaçando e ele não tem nada a ver com isso, há um psicólogo que lhe autoriza disso.
Saia desse trabalho, mude de amizades, não fale com a sua família. Tóxicos, todos tóxicos.
Há pessoas difíceis, tóxicas, é verdade. E o que você faz ali? Qual é seu gozo nisso?
Ah disso eu não quero me perguntar. Alô alô tem alguém pra me acolher??? Análise é caro demais, né?!
Nesse fluxo em que escutar alguém é ser psicólogo, que a cada frustração se impõe uma separação, seguimos cada vez mais, cada um no seu lado, abraçado com a sua verdade. (ps: tem gente lucrando disso).
Duas certezas que tenho na vida. Uma é que a terra é redonda e ela gira, e que o neurótico vai repetir. Saia do trabalho, mude de relacionamento, de casa. O funcionamento neurótico vai continuar se repetindo onde quer que esteja. Esse lugar que se ocupa no mundo se atualiza no novo cenário, e aquilo mais sintomático, se repete.
A repetição não vem à toa, ela marca isso que não quer ser visto, elaborado. O outro era mau, mas agora que o outro é bom, o sintoma continua o mesmo. E agora?
Análise também é acolhimento, é desabafo, é repetição.
É responsabilidade, é saber qual é a sua parte e o que você faz com isso, reconstruir seu lugar no mundo.
Como é isso pra vocês na clínica?