Psicólogo Rauny Sampaio

Psicólogo Rauny Sampaio Psicólogo (CRP 08/23204). Atendimento psicoterapêutico a crianças, adolescentes, adultos e idosos

Atendimento psicoterapêutico a crianças, adolescentes, adultos e idosos.

Talvez uma parte da confusão esteja em tratar frustração como falha moral.Ser frustrado pelo outro também signif**a enco...
13/08/2026

Talvez uma parte da confusão esteja em tratar frustração como falha moral.

Ser frustrado pelo outro também signif**a encontrar um limite: perceber que o desejo dele não existe para confirmar o nosso, que nem toda expectativa será correspondida e que nenhum vínculo consegue nos poupar completamente da falta.

Por isso, responsabilidade afetiva não pode ser confundida com a obrigação de produzir conforto o tempo todo. Há relações em que o sofrimento nasce da crueldade, da manipulação e da desonestidade. Em outras, ele nasce simplesmente do fato de que duas pessoas desejam coisas diferentes.

E saber distinguir uma coisa da outra é parte importante da vida afetiva adulta.

Compreender a história de alguém pode ampliar nossa capacidade de empatia. Saber que uma pessoa passou por experiências ...
13/08/2026

Compreender a história de alguém pode ampliar nossa capacidade de empatia.
Saber que uma pessoa passou por experiências difíceis, teme intimidade ou atravessa um período complicado ajuda a retirar interpretações simplistas. O problema aparece quando compreensão começa a funcionar como obrigação de permanência.

Você entende por que a pessoa se afasta, se fecha, evita conversar e não consegue oferecer determinadas coisas. Cada nova explicação torna o comportamento mais compreensível, mas não necessariamente menos doloroso.

É possível reconhecer que alguém tem razões para agir daquela maneira e, ao mesmo tempo, concluir que aquilo que consegue oferecer hoje não é suficiente para a relação que você deseja construir.

Isso não exige transformar ninguém em vilão.

Exige apenas incluir na análise uma pessoa que frequentemente f**a de fora dela: você.

10/08/2026

Há pessoas que conhecem muito bem a própria história. Sabem de onde vem o sofrimento, reconhecem os padrões que repetem e conseguem explicar suas escolhas com clareza. Mesmo assim, continuam presas ao mesmo lugar.

Compreender é importante, mas a explicação também pode funcionar como defesa. Às vezes, pensar sobre a dor é uma maneira de mantê-la sob controle, sem precisar entrar em contato com o que ela ainda provoca.

Na análise, elaborar não é apenas descobrir uma causa. É permitir que aquilo que já foi compreendido também possa ser sentido, atravessado e transformado.

Intelectualizar não é elaborar.

📲 Compartilhe com alguém que explica muito bem o que vive, mas ainda sofre do mesmo jeito.

Você se envolve enquanto existe dúvida. Pensa na pessoa, procura sinais, imagina possibilidades. Quando a reciprocidade ...
08/08/2026

Você se envolve enquanto existe dúvida. Pensa na pessoa, procura sinais, imagina possibilidades. Quando a reciprocidade finalmente aparece, o desejo perde força e você conclui: “não era isso”.

E pode não ser mesmo! Mas, quando a cena se repete, vale escutar o que a distância tornava possível.
Na experiência psíquica, desejar alguém e desejar ser escolhido por alguém não são exatamente a mesma coisa. A conquista pode oferecer intensidade, confirmação narcísica e uma pergunta permanente sobre o próprio valor. Quando o outro corresponde, essa pergunta perde o palco. Também surge o risco da intimidade concreta. A pessoa idealizada passa a ter limites, demandas, contradições. Você deixa de se relacionar apenas com o que imaginou e precisa encontrar um outro real. Isso não signif**a que toda perda de interesse seja defesa. Signif**a observar a repetição sem simplificá-la.

O que costuma manter seu desejo mais vivo: o encontro ou a incerteza?

“Vamos deixar acontecer” pode ser uma escolha honesta quando duas pessoas compreendem e desejam o mesmo tipo de vínculo....
01/08/2026

“Vamos deixar acontecer” pode ser uma escolha honesta quando duas pessoas compreendem e desejam o mesmo tipo de vínculo. O problema começa quando a indefinição produz intimidade para um lado e conveniência para o outro. Há expectativa, disponibilidade e ciúme, mas qualquer tentativa de conversar sobre a relação é tratada como pressão.

O “quase” tem uma função psíquica importante. Enquanto nada recebe um nome, cada pessoa consegue sustentar uma versão particular da história. Uma imagina que o vínculo está amadurecendo. A outra preserva a liberdade de negar que algo tenha sido prometido.

Nomear não serve apenas para colocar um rótulo. Serve para confrontar fantasias com a realidade do que cada um pode e quer sustentar. E esse encontro pode exigir uma perda. A pergunta mais útil não é “o que somos?”. É: “o que efetivamente existe aqui, para além do que eu espero que venha a existir?”

📝 Me fala aqui nos comentários: nome ou reciprocidade, o que pesa mais para você?

Nem sempre você insiste onde não é escolhido por falta de amor-próprio.Às vezes, insiste porque aquele tipo de ausência,...
11/07/2026

Nem sempre você insiste onde não é escolhido por falta de amor-próprio.
Às vezes, insiste porque aquele tipo de ausência, de oscilação ou de esforço já faz parte da sua gramática afetiva.
A repetição não é falta de inteligência.
É uma forma inconsciente de retornar a cenas que ainda não encontraram elaboração.

📥 Salva esse post para reler quando sentir que caiu no mesmo lugar de novo.

Há pensamentos que ajudam a elaborar.E há pensamentos que servem para adiar.A pessoa pensa sem parar porque sentir diret...
10/06/2026

Há pensamentos que ajudam a elaborar.
E há pensamentos que servem para adiar.
A pessoa pensa sem parar porque sentir diretamente pode ser mais desorganizante do que continuar elaborando mentalmente. Então ela gira em torno da mesma questão, mas evita o ponto em que algo realmente teria que ser tocado.
Pensar muito nem sempre é compreender melhor.
Às vezes, é apenas não conseguir sustentar o encontro com aquilo que já se sabe em outro registro.

📌 Salva esse post se você se reconheceu nele.

Saber o que se quer nem sempre é libertador. Às vezes, é profundamente angustiante.Porque o desejo, quando aparece de fo...
05/06/2026

Saber o que se quer nem sempre é libertador. Às vezes, é profundamente angustiante.
Porque o desejo, quando aparece de forma mais clara, convoca uma escolha. E toda escolha carrega uma renúncia.
Na vida psíquica, muitas vezes permanecemos na dúvida não por ausência de desejo, mas porque desejar implica perder algo: uma possibilidade, uma aprovação, uma imagem ideal de si, uma fantasia de segurança ou até o lugar que ocupávamos para o outro. Por isso, a indecisão pode funcionar como defesa.
Enquanto eu digo “não sei”, adio a escolha. Enquanto adio a escolha, adio também a perda. E enquanto a perda não acontece, permaneço protegido da angústia de assumir uma posição. Mas há um custo nisso.
Ficar indefinidamente na dúvida também pode ser uma forma de permanecer paralisado diante da própria vida.
A psicanálise não apressa o sujeito a escolher. Ela ajuda a escutar o que está em jogo na dificuldade de desejar.
Porque, às vezes, o problema não é não saber o que se quer.
É não conseguir sustentar aquilo que o próprio desejo exige.

📥 Salva esse post se você vive dizendo que não sabe o que quer.

Ghosting costuma ser tratado de forma muito simplif**ada, como se toda pessoa que some estivesse dizendo a mesma coisa. ...
20/05/2026

Ghosting costuma ser tratado de forma muito simplif**ada, como se toda pessoa que some estivesse dizendo a mesma coisa. Mas, do ponto de vista psicanalítico, vale escutar melhor o que está em jogo quando alguém desaparece.

Em alguns casos, o sujeito some porque o vínculo o afetou mais do que ele consegue sustentar. A intimidade cresce, a vulnerabilidade aparece, e isso convoca angústias profundas: medo de depender, medo de ser invadido, medo de perder o controle, medo de ser abandonado depois. Como não consegue dar palavra ao que sentiu, ele age. Some. O ato entra no lugar da palavra.

Mas há também o ghosting feito de propósito. E aqui a posição subjetiva é outra. O desaparecimento pode funcionar como punição, poder, recusa de responsabilização e desmentido do outro como sujeito. O silêncio vira instrumento.

Isso não signif**a justif**ar quem some porque se angustia. Nem simplif**ar todo ghosting como crueldade calculada. Signif**a reconhecer que o desaparecimento pode cumprir funções psíquicas diferentes.

Em comum, permanece uma violência:
o outro é deixado diante de um corte sem palavra.
E talvez seja isso que doa tanto.
No ghosting, não falta só presença. Falta sentido.

📥 Salva esse carrossel se ele te ajudou a olhar o ghosting para além da superfície.

Tem gente que diz “eu sou assim”quando alguma mudança começa a tocar onde dói.“Sou frio.”“Sou difícil.”“Sou intenso.”“So...
10/05/2026

Tem gente que diz “eu sou assim”
quando alguma mudança começa a tocar onde dói.

“Sou frio.”
“Sou difícil.”
“Sou intenso.”
“Sou fechado.”

Às vezes, parece descrição. Mas também pode ser proteção.
Nem tudo que você chama de personalidade nasceu com você.
Algumas formas de ser foram aprendidas para sobreviver:

não sentir tanto,
não esperar demais,
não depender,
não pedir.

A pergunta talvez não seja apenas:
“por que eu sou assim?”
Mas:
“como eu precisei me tornar assim?”

A psicanálise não apaga quem você é. Ela abre espaço para que a defesa não precise virar destino.

📥 Salva esse post se essa frase já apareceu muitas vezes na sua vida.

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