André Vianna - Endocrinologista

André Vianna - Endocrinologista Médico Endocrinologista
Pesquisador do Centro de Diabetes Curitiba
Presidente da Sociedade Brasile

Um dos maiores equívocos sobre o diabetes tipo 1 ainda é acreditar que ele é causado pelo consumo de açúcar.Não é.O diab...
12/03/2026

Um dos maiores equívocos sobre o diabetes tipo 1 ainda é acreditar que ele é causado pelo consumo de açúcar.

Não é.

O diabetes tipo 1 é uma doença autoimune.

Isso significa que o próprio sistema imunológico, que normalmente protege o corpo contra vírus e bactérias, passa a atacar equivocadamente as células beta do pâncreas, responsáveis pela produção de insulina.

Com o tempo, essa destruição progressiva reduz ou elimina a capacidade do organismo de produzir insulina.

Sem insulina suficiente, a glicose não consegue entrar nas células e se acumula no sangue.

Mas por que isso acontece?

A ciência mostra que o diabetes tipo 1 resulta de uma interação entre fatores genéticos e ambientais.

Algumas pessoas nascem com maior predisposição genética. Em determinado momento da vida, fatores ambientais, ainda não totalmente compreendidos, podem desencadear a resposta autoimune.

Entre os fatores estudados estão:

• infecções virais
• fatores imunológicos
• alterações no microbioma
• fatores ambientais precoces

O importante é entender que não existe um comportamento individual que cause diabetes tipo 1.

Ele não é resultado de alimentação inadequada.
Não é consequência de excesso de açúcar.
E não é prevenido simplesmente mudando a dieta.

Hoje, programas de pesquisa internacionais como o TrialNet têm ampliado muito o entendimento sobre o desenvolvimento do diabetes tipo 1 e sobre formas de identificar pessoas em risco antes do aparecimento da doença. E no Brasil estamos fazendo algo parecido através do projeto Cinderella, da

Informação correta ajuda a reduzir estigma e melhorar o cuidado com quem vive com diabetes.

Se você quer aprender mais sobre metabolismo, obesidade e diabetes com base em ciência, me siga aqui.



Referências científicas

American Diabetes Association.
Classification and Diagnosis of Diabetes: Standards of Care in Diabetes—2025.
Diabetes Care. 2025;48(Suppl 1):S20-S43.

Insel RA, et al.
Staging presymptomatic type 1 diabetes: a scientific statement of JDRF, the Endocrine Society, and the American Diabetes Association.
Diabetes Care. 2015;38(10):1964-1974.

Type 1 Diabetes TrialNet Study Group.
Pathway to Prevention Study: screening and monitoring for type 1 diabetes risk.
Diabetes Care.

Atkinson MA, Eisenbarth GS, Michels AW.
Type 1 diabetes.
Lancet. 2014;383:69-82.

Quando falamos em obesidade, muitas pessoas pensam apenas em peso corporal.Mas existe um fenômeno muito mais importante ...
11/03/2026

Quando falamos em obesidade, muitas pessoas pensam apenas em peso corporal.
Mas existe um fenômeno muito mais importante acontecendo dentro do organismo: inflamação crônica de baixo grau.

O tecido adiposo não é apenas um depósito de gordura.
Ele é um órgão metabolicamente ativo.

Quando os adipócitos (células de gordura) aumentam muito de tamanho, fenômeno chamado hipertrofia adipocitária, ocorre uma mudança importante no ambiente metabólico do corpo.

Essas células passam a liberar substâncias inflamatórias, conhecidas como citocinas pró-inflamatórias.

Entre as principais estão:

• TNF-α (fator de necrose tumoral alfa)
• IL-6 (interleucina-6)

Essas moléculas interferem em vários processos metabólicos.

Elas contribuem para:

• piora da resistência à insulina
• aumento do risco de diabetes tipo 2
• disfunção do endotélio (revestimento dos vasos sanguíneos)
• maior risco de doença cardiovascular

Em outras palavras:
não é apenas a quantidade de gordura que importa, mas o comportamento metabólico desse tecido.

Hoje sabemos que boa parte das complicações associadas à obesidade está ligada justamente a esse estado inflamatório persistente.

Por isso, tratar obesidade não significa apenas reduzir números na balança.

Significa reduzir inflamação, melhorar metabolismo e diminuir risco de doenças ao longo da vida.

Entender essa biologia muda a conversa.

Obesidade não é apenas um problema de peso.
É também um processo inflamatório crônico com impacto sistêmico.

Se você quer entender obesidade, metabolismo e diabetes com base em ciência, me siga aqui.



Referências científicas

Hotamisligil GS.
Inflammation and metabolic disorders.
Nature. 2006;444(7121):860-867.
doi:10.1038/nature05485

Hotamisligil GS.
Inflammation, metaflammation and immunometabolic disorders.
Nature. 2017;542(7640):177-185.
doi:10.1038/nature21363

Lumeng CN, Saltiel AR.
Inflammatory links between obesity and metabolic disease.
J Clin Invest. 2011;121(6):2111-2117.
doi:10.1172/JCI57132

Blüher M.
Obesity: global epidemiology and pathogenesis.
Nat Rev Endocrinol. 2019;15:288-298.
doi:10.1038/s41574-019-0176-8

Saltiel AR, Olefsky JM.
Inflammatory mechanisms linking obesity and metabolic disease.
J Clin Invest. 2017;127(1):1-4.

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