Dra. Sarah Rückl - Psiquiatra

Dra. Sarah Rückl - Psiquiatra Atendimento especializado na saúde mental da mulher. A Dra.

Sarah formou-se médica em 2002 e atua como psiquiatra há 16 anos. É pós-graduada em Psicologia Clínica pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), possui doutorado pela Universität Heidelberg, Alemanha e pós-doutorado em Medicina Molecular pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Além disso, é terapeuta certificada de terapia EMDR (Eyes Movement Dessensitization and Reproces

sing). Atualmente é professora da Universidade Federal do Paraná, onde coordena o ambulatório de Psiquiatria Perinatal, e professora de pós-graduação da Universidade Tuiti do Paraná.

Se a ansiedade chegou de repente no climatério, você não está imaginando coisas.Muitas mulheres descrevem a mesma sensaç...
22/07/2026

Se a ansiedade chegou de repente no climatério, você não está imaginando coisas.

Muitas mulheres descrevem a mesma sensação: um nervosismo novo, o coração acelerado sem motivo, uma irritabilidade que não reconhecem como sua. Quase sempre, vem junto a dúvida: o que será que está acontecendo comigo?

Os estudos mostram que os sintomas ansiosos realmente aumentam na transição menopausal, com pico na perimenopausa. Existe uma janela biológica sensível: o estradiol oscila de forma errática, e essa instabilidade mexe com os circuitos que regulam o humor e a resposta ao estresse.

Mas o hormônio não explica tudo. O que mais prevê ansiedade nessa fase é a soma de vários fatores: a história de vida, traços como o neuroticismo e, sobretudo, o estresse do momento presente: trabalho, finanças, relações, saúde, família.

Ou seja: a ansiedade no climatério é multifatorial. E é justamente por isso que o cuidado também precisa ser amplo.

O tratamento combina medidas psicofarmacológicas, quando indicadas, e não farmacológica como terapia cognitivo-comportamental, mindfulness, movimento. Não existe fórmula única. Cada caso pede uma abordagem individual.

Se você tem se sentido assim, saiba que há caminho, há ciência e há tratamento. Você não precisa atravessar essa fase no automático nem sozinha.
bioalve este post para consultar depois e compartilhe com alguém que precisa ler isso. 💛

“Nunca tive depressão na vida. Por que agora, aos 47, me sinto assim?”Essa pergunta aparece com frequência no consultóri...
10/07/2026

“Nunca tive depressão na vida. Por que agora, aos 47, me sinto assim?”

Essa pergunta aparece com frequência no consultório. A resposta não está na fragilidade emocional, mas na neurobiologia da transição.

Estudos longitudinais mostram um risco 1,8 a 2,9 vezes maior de depressão na perimenopausa em comparação com a pré-menopausa. Cerca de 30% das mulheres sem transtorno psiquiátrico prévio desenvolvem sintomas depressivos nessa fase; entre aquelas com transtorno depressivo prévio, a proporção chega a 45–65%.

O estrogênio é um regulador do metabolismo energético cerebral e modula os sistemas de serotonina e noradrenalina, com receptores presentes nos núcleos da rafe e no locus coeruleus. Sua flutuação e seu declínio afetam circuitos que regulam o humor. As alterações de sono, mediadas pelos sintomas vasomotores, são preditores importantes de depressão na transição.

O tratamento tem base científica e é individualizado: psicoterapia e medidas de estilo de vida nos casos leves a moderados; antidepressivos conduzidos por avaliação médica nos casos moderados a graves. A terapia hormonal tem evidência modesta, o estrogênio transdérmico tem papel na prevenção de sintomas depressivos na transição inicial, e não como tratamento isolado da depressão já estabelecida.

A depressão na perimenopausa costuma responder pouco à reposição hormonal isolada. Na maioria dos casos, a avaliação psiquiátrica é necessária. Se você se reconhece nesses sintomas, existe acompanhamento especializado.

Saúde mental da mulher, com rigor científico e sem simplificações.

P.s. Este conteúdo tem caráter educativo e não substitui a consulta médica individual.

“Doutora, eu esqueço o que ia dizer no meio da frase. Entro num cômodo e não lembro o que fui buscar. Estou ficando com ...
07/07/2026

“Doutora, eu esqueço o que ia dizer no meio da frase. Entro num cômodo e não lembro o que fui buscar. Estou ficando com demência?”

Essa é uma das perguntas que mais escuto no consultório de mulheres entre 40 e 55 anos. E ela merece uma resposta científica, não um “isso é normal, relaxa”.

A chamada névoa cognitiva (“brain fog”) da perimenopausa é real. Cerca de 60% das mulheres apresentam alterações cognitivas nessa fase: lapsos de memória, dificuldade de concentração, lentidão no raciocínio.

Esse tema me acompanha há quase uma década. Em 2017, publiquei com colegas uma revisão sistemática na revista Reprodução & Climatério analisando a literatura científica sobre cognição e perimenopausa. Encontramos relação direta entre a redução dos hormônios se***is e o declínio cognitivo, com maior impacto sobre memória, fluência verbal, atenção e velocidade de processamento, com alterações mais proeminentes na perimenopausa em comparação à pós-menopausa.

O estrogênio não age só no ovário: ele modula neurotransmissores, estimula fatores de crescimento neuronal e fortalece conexões entre neurônios. Por isso a perimenopausa é hoje compreendida como um estado de transição neurológica, que afeta temperatura, humor, sono e cognição.

Dois pontos importantes:

1️⃣ Essas alterações parecem ocorrer de forma independente da depressão, da ansiedade e da insônia, embora frequentemente se somem a elas. (Já falei desses temas nos posts anteriores; vale conferir.)

2️⃣ Na maioria das mulheres, são transitórias. Não significam início de demência.

Mas quando os lapsos comprometem o trabalho e a vida diária, ou vêm acompanhados de alterações de humor e sono, a avaliação especializada faz diferença: ela distingue o que é transição hormonal, o que é transtorno do humor e o que exige investigação adicional.

Se você se reconheceu nesse texto, saiba que existe acompanhamento adequado para essa fase. 📩 Link na bio para agendamento.

Saúde mental da mulher, com rigor científico e sem simplificações.

Sarah Rückl, Psiquiatra | CRM 22.950 | RQE 14.431

Insônia na perimenopausa: por que o sono muda e o que a ciência mostra 🌙Passar noites em claro nessa fase não é falta de...
03/07/2026

Insônia na perimenopausa: por que o sono muda e o que a ciência mostra 🌙

Passar noites em claro nessa fase não é falta de força de vontade nem “coisa da idade”. A insônia é um dos sintomas mais frequentes da perimenopausa: entre 40 e 69% das mulheres relatam dificuldades com o sono, e até 40% preenchem critérios para transtorno de insônia.

E ela raramente tem uma causa única. Costumam agir juntos:

🌙 Alterações hormonais: a queda de estradiol e progesterona está diretamente ligada à fragmentação do sono e a mais despertares noturnos, mesmo sem ondas de calor.

🌙 Sintomas vasomotores: calorões e suores noturnos aumentam o tempo acordada durante a noite; sintomas moderados a intensos elevam em quase 3× a chance de despertares frequentes.

🌙 Hiperativação simpática: o estrogênio baixo aumenta a reatividade ao estresse e a preocupação na hora de dormir.

🌙 Humor: ansiedade e depressão frequentemente coexistem com a insônia e a perpetuam, num ciclo que se retroalimenta.

A boa notícia: são causas identificáveis, com abordagens específicas. Se o sono tem sido um desafio para você nessa fase, uma avaliação individualizada ajuda a entender o que está por trás.

Saúde mental da mulher, com rigor científico e sem simplificações.

Profa. Dra. Sarah Rückl · CRM 22.950 · RQE 14.431

Conteúdo educativo! não substitui avaliação individual.

Referências: Proserpio P et al. Climacteric. 2020;23(6):539–549. · Coborn J et al. J Clin Endocrinol Metab. 2022;107(10):e4144–e4153.

📢 Nova publicação do nosso grupo de pesquisa em Saúde da Mulher do Departamento de Pós-graduação em Tocoginecologia da U...
30/06/2026

📢 Nova publicação do nosso grupo de pesquisa em Saúde da Mulher do Departamento de Pós-graduação em Tocoginecologia da UFPR!

Acabamos de publicar na Revista da Escola de Enfermagem da USP um estudo sobre o medo do parto em gestantes atendidas em um hospital universitário do Sul do Brasil.

🔍 O que investigamos?

Analisamos os principais medos relacionados ao parto em 334 gestantes entre 28 e 37 semanas de gestação, atendidas no Hospital de Clínicas da UFPR, em Curitiba, entre 2021 e 2023.

📊 O que encontramos?

• O medo moderado foi o mais comum (44,9%)
• A tocofobia (medo extremo do parto) apareceu em 4,8% das participantes
• Os níveis mais altos de medo estiveram fortemente ligados ao medo de entrar em pânico, perder o controle, não saber quanto tempo o trabalho de parto vai durar e à dor intensa

💡 Por que isso importa?

Os resultados mostram que a imprevisibilidade do parto e a sensação de falta de controle são fatores-chave que intensificam o medo. Incorporar apoio psicológico e educação em saúde ao pré-natal pode ajudar a reduzir esse medo e melhorar os desfechos para mães e bebês.

Parabéns a toda a equipe envolvida nesta pesquisa!

📄 Artigo completo disponível em acesso aberto: https://doi.org/10.1590/1980-220X-REEUSP-2025-0336en

Pintura: Meu Nascimento, Frida Kahlo

PréNatal SaúdeMental UFPR Gestação Tocofobia SaúdeDaMulhER

Você sempre ouviu que era “só hormônio”. Mas a perimenopausa começa, na verdade, no seu cérebro.O estrogênio nunca foi a...
24/06/2026

Você sempre ouviu que era “só hormônio”. Mas a perimenopausa começa, na verdade, no seu cérebro.

O estrogênio nunca foi apenas reprodutivo. Ele rege a energia cerebral e atua nas regiões que cuidam do sono, da memória, do foco e das emoções. Quando começa a diminuir, não leva consigo apenas a regularidade do ciclo, mas altera também o funcionamento cerebral.

Nessa fase, o metabolismo de glicose no cérebro pode cair entre 15 e 25%. É como se ele passasse a operar em economia de energia, buscando novas formas de se sustentar. E é justamente essa transição que a insônia, as ondas de calor, as oscilações de humor, a névoa mental aparecem.

Nenhum deles é exagero. Todos são a linguagem de um cérebro em travessia.

E há algo que merece atenção: os sinais de hoje predizem o amanhã. O tempo da intervenção é o que protege a clareza e a vitalidade dos próximos anos.
A perimenopausa não é um ponto final. É uma janela e cuidar do cérebro agora é cuidar de quem você será.

Se estas palavras encontraram você, saiba: não é preciso atravessar isso sozinha.

Conteúdo educativo; não substitui avaliação individual.

climatério saúdecerebral psiquiatria autocuidado

Hoje foi dia de Jornada da SOGIPA! 🩺💜Tive a honra de palestrar sobre Transtornos do Humor no Climatério, abordando o dia...
20/06/2026

Hoje foi dia de Jornada da SOGIPA! 🩺💜

Tive a honra de palestrar sobre Transtornos do Humor no Climatério, abordando o diagnóstico diferencial e o manejo clínico dessa fase tão importante, e ainda pouco discutida na vida das mulheres.

Conversamos sobre como o hipoestrogenismo impacta a neurobiologia cerebral, os principais fatores de risco para depressão e ansiedade na perimenopausa, e como diferenciar quadros psiquiátricos primários de outras condições clínicas que mimetizam sintomas de humor nessa fase.

Também revisamos as estratégias de manejo, que devem ser individualizadas conforme a gravidade do quadro:

🔹 Em casos leves, intervenções não farmacológicas como atenção plena, exercício regular e psicoeducação já trazem bons resultados;
🔹 Em casos moderados, psicoterapias como TCC e terapia interpessoal são indicadas;
🔹 Em casos mais graves, a farmacoterapia se torna necessária, com diferentes classes de antidepressivos disponíveis e escolhidas conforme o perfil de cada paciente;
🔹 Discutimos também o papel, ainda limitado, do tratamento hormonal como coadjuvante em casos selecionados.

Um destaque especial para os hábitos de vida, que têm papel relevante em todas as fases do tratamento: exercícios de intensidade moderada ajudam a reduzir a inflamação sistêmica, a higiene do sono e a alimentação. Dietas anti-inflamatórias, ricas em fibras e frutas, estão associadas a menor risco de depressão, enquanto o consumo excessivo de açúcares e alimentos ultraprocessados aumenta esse risco.

O climatério é um período de transição que vai muito além dos sintomas físicos.

Cuidar da saúde mental da mulher nessa fase exige um olhar atento, individualizado e baseado em evidências.

Obrigada à SOGIPA pelo convite e por fomentar discussões tão relevantes para quem cuida da saúde da mulher! 🙏

Sono fragmentado. Ansiedade sem motivo aparente. Aquela sensação de que a palavra sumiu da ponta da língua.Você não está...
19/06/2026

Sono fragmentado. Ansiedade sem motivo aparente. Aquela sensação de que a palavra sumiu da ponta da língua.

Você não está exagerando e não está ficando “louca”.

Esses são sintomas reais da perimenopausa. E quase sempre passam despercebidos porque ninguém nos ensina a reconhecê-los.

O que a ciência mostra:

Sono: 2 em cada 3 mulheres relatam dificuldade de dormir na transição. A queda do estrogênio, os fogachos e as oscilações de humor criam uma tempestade perfeita contra uma noite de descanso. E tende a piorar ao longo do período.

Humor: A ansiedade aumenta progressivamente e atinge o pico na perimenopausa tardia. Sintomas depressivos acompanham as oscilações hormonais e quem já teve depressão tem um risco 4 a 6 vezes maior de recorrência nessa fase. Não é fraqueza. É biologia.

Memória: 65% das mulheres relatam piora da memória de curto prazo. A névoa mental, aquela dificuldade de achar palavras, manter o raciocínio ou lembrar por que entrou num cômodo tem explicação fisiológica. É importante lembrar que para a maioria, a cognição se normaliza após essa transição hormonal.

Reconhecer esses sinais é o primeiro passo. O segundo é ser ouvida com seriedade.
Existe tratamento. Você não precisa só “aguentar”.

Salve esse post e compartilhe com quem precisa. 🌻

Referências:
Davis et al. (2023). Cell, 186(19).
Gordon et al. (2015). Am J Psychiatry; Davis et al. (2023). Cell.
Greendale et al. (2020). JAMA, 323(15); Metcalf et al. (2023). Curr Psychiatry Rep, 25(10).

• Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR), por meio do Projeto de Educação MédicaContinuada e em parceria com a...
18/06/2026

• Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR), por meio do Projeto de Educação Médica
Continuada e em parceria com a Câmara Técnica de Psiquiatria do
CRM-PR, promove o Ciclo de Palestras em Psiquiatria, com o tema “Perimenopausa”.
A programação abordará os principais aspectos relacionados à perimenopausa, período de transição que antecede a menopausa e que pode trazer importantes repercussões físicas e emocionais para a saúde da mulher.
Serão discutidos temas como os sintomas psiquiátricos associados a essa fase, estratégias de acolhimento e manejo clínico, além da importância do cuidado integral e multiprofissional às pacientes.
Podem participar médicos e
estudantes de Medicina.

Informações e inscrições:
https://www.even3.com.br/

Climatério, do grego klimaktér, que significa degraus, é o período de transição caracterizado por mudanças graduais na f...
16/06/2026

Climatério, do grego klimaktér, que significa degraus, é o período de transição caracterizado por mudanças graduais na função ovariana. Essa transição se inicia anos antes e termina um ano após a menopausa, a última menstruação do ciclo reprodutivo feminino.

O diagnóstico não é feito através de exames, mas é clínico. Na fase inicial, os exames estarão normais, mas o ciclo menstrual se tornará encurtado, com variação em sete dias ou mais. Já na fase tardia, os ciclos se alongam para períodos de 60 dias ou mais.

Apesar de se tratar de uma alteração reprodutiva, os sintomas dessa transição são neurológicos. As mulheres se queixam de calorões, alterações de sono, prejuízos na memória e na atenção, além de sintomas ansiosos e alterações de humor.

Apesar dos exames normais, esse período exige intervenção. A terapia de reposição hormonal (TRH) não alivia apenas os sintomas, e as evidências também apontam papel protetor contra doenças neurológicas como Alzheimer, doenças cardiovasculares como infarto e acidente vascular cerebral, além de perda muscular e osteoporose.

É importante ressaltar que sintomas ansiosos, alterações de humor e sono muitas vezes não melhoram só com a TRH. O tratamento psiquiátrico, quando bem indicado, pode promover melhora desses sintomas, reestabelecendo a qualidade de vida da mulher e ajudando-a a atravessar essa fase de forma mais confortável.
Você não precisa atravessar esse momento sozinha.

Sarah Rückl
Médica Psiquiatra, CRM 22.950, RQE 14.431

Saúde mental da mulher, com rigor científico e sem simplificações.

Endereço

Avenida Getúlio Vargas, 3620, Conjunto 402
Curitiba, PR
80240041

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