Dra. Sarah Rückl - Psiquiatra

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Dra. Sarah Rückl - Psiquiatra Atendimento especializado na saúde mental da mulher. A Dra.

Sarah formou-se médica em 2002 e atua como psiquiatra há 16 anos. É pós-graduada em Psicologia Clínica pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), possui doutorado pela Universität Heidelberg, Alemanha e pós-doutorado em Medicina Molecular pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Além disso, é terapeuta certificada de terapia EMDR (Eyes Movement Dessensitization and Reprocessing). Atualmente é professora da Universidade Federal do Paraná, onde coordena o ambulatório de Psiquiatria Perinatal, e professora de pós-graduação da Universidade Tuiti do Paraná.

Sintonização: o diálogo silencioso entre mãe e bebêEm *Mentes Dispersas*, o médico Gabor Maté descreve a sintonização co...
03/10/2026

Sintonização: o diálogo silencioso entre mãe e bebê

Em *Mentes Dispersas*, o médico Gabor Maté descreve a sintonização como uma troca emocional finamente calibrada entre mãe e bebê, que acontece em tempo real e não se reduz à imitação. Nesse diálogo, o bebê conduz e a mãe acompanha, ajustando ritmo e intensidade aos sinais dele.

Maté retoma o clássico experimento da “dupla TV”: bebês interagiam com a mãe por vídeo e permaneciam tranquilos enquanto ela respondia ao vivo. Quando viam uma gravação da mesma mãe sorrindo, mostravam desconforto. O sorriso estava lá, mas a resposta aos sinais deles não.

Para o autor, a sintonização é o principal componente do apego e participa do desenvolvimento dos circuitos cerebrais de atenção e autorregulação. Estresse, ansiedade e depressão materna podem dificultar esse processo, e os bebês percebem emoções simuladas com notável sensibilidade.

As evidências apontam que cuidar da saúde mental materna tem papel no desenvolvimento emocional do bebê. Por isso, o cuidado perinatal olha para a díade, não apenas para a mãe.

📖 Referência: Maté, G. *Mentes Dispersas*.

02/10/2026

Jen Gunter sobre hormônios bioidenticos e o marketing

01/10/2026

Aqui vai uma proposta de legenda:

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Tive a alegria de apresentar nosso trabalho no 20º Congresso Mundial de Menopausa da IMS, no Rio de Janeiro, em coautoria com Mirela Luna Santana Gomes (UFMG).

A pergunta central: qual é o papel do psiquiatra no cuidado da depressão na perimenopausa?

Alguns pontos que discutimos:

🔹 A depressão na transição menopausal é frequente. Até 20 a 30% das mulheres apresentam sintomas depressivos clinicamente significativos, e o risco é maior em quem já teve depressão, depressão pós-parto ou TDPM.

🔹 A neurobiologia explica. A queda e a oscilação do estradiol afetam o metabolismo energético cerebral, a inflamação, o eixo do estresse, o sono e a termorregulação, vias também envolvidas na depressão maior.

🔹 Os sintomas depressivos se sobrepõem a ondas de calor, insônia, fadiga e névoa mental, e por isso muitas vezes são atribuídos “apenas à menopausa”. A avaliação psiquiátrica especializada tem papel no diagnóstico diferencial, na avaliação de gravidade e na identificação de transtorno bipolar.

🔹 As evidências apontam que antidepressivos, psicoterapia e mudanças no estilo de vida (exercício, cuidado com o sono, alimentação anti-inflamatória) têm papel no tratamento. A terapia hormonal pode ser considerada em casos específicos, mas não substitui o tratamento antidepressivo.

🔹 O psiquiatra não substitui o ginecologista: atua de forma integrada com a ginecologia, a atenção primária, a psicoterapia e, sobretudo, com a própria mulher.

IMS2026 UFPR

Saúde mental perinatal: cuidar de quem gera a vidaNo último sábado tive a alegria de ministrar uma aula na Jornada Paran...
02/09/2026

Saúde mental perinatal: cuidar de quem gera a vida

No último sábado tive a alegria de ministrar uma aula na Jornada Paranaense de Psiquiatria, sobre um tema que atravessa toda a minha trajetória clínica e acadêmica: a saúde mental da mulher na gestação e no pós-parto.

Costumo dizer que a pergunta mais comum que recebo de colegas, “qual medicamento posso prescrever na gravidez e na amamentação?”, parece simples, mas abre uma das discussões mais delicadas da medicina. Não porque falte ciência, e sim porque cada decisão precisa sustentar, ao mesmo tempo, o cuidado com a mãe e o cuidado com o bebê.

Alguns pontos que me parecem essenciais compartilhar:

Entre 60 e 70% dos transtornos psiquiátricos passam despercebidos no período perinatal. Isso acontece porque muitos sintomas, cansaço, alterações de sono e apetite, dificuldade de concentração, se confundem com as mudanças próprias da gravidez e do puerpério. O que não é reconhecido não é tratado, e o não tratamento tem consequências reais: para a gestação, para o parto e para o vínculo entre mãe e filho.

Há ainda um desafio técnico importante. O corpo da gestante transforma a maneira como os medicamentos agem: o volume sanguíneo aumenta cerca de 50%, as enzimas do fígado alteram seu funcionamento e o metabolismo só retorna ao estado pré-gestacional cerca de onze semanas após o parto. Ou seja, não existe conduta única nem dose fixa. Existe acompanhamento próximo, reavaliação constante e escolhas baseadas em evidência.

E existe, acima de tudo, decisão compartilhada. A mulher e sua família precisam participar de cada etapa, entendendo os riscos de tratar e também os riscos de não tratar. O nosso papel é oferecer informação clara e sustentar essa escolha com técnica e sensibilidade.

Saúde mental perinatal não é escolher entre a mãe e o bebê. É reconhecer que cuidar de uma é cuidar do outro. Tratar a mãe é proteger a criança.

Gratidão à organização da Jornada pelo convite e a todos os colegas que estiveram presentes trocando experiências. Seguimos.

Dra. Sarah Rückl
Psiquiatra · Saúde Mental da Mulher

18/08/2026
Dica de livro📚Anne nasceu seis anos após a morte da irmã.Uma morte nunca falada, ignorada pela própria autora. Talvez pe...
16/08/2026

Dica de livro

📚Anne nasceu seis anos após a morte da irmã.
Uma morte nunca falada, ignorada pela própria autora. Talvez pelo medo de ser comparada àquela que era perfeita, uma santa. Um livro denso, belo, que fala de amor, ódio, família e seus segredos.

Um trecho da carta escrita à irmã falecida.

Eu tinha consciência das vantagens de ser filha única, ser a filha que veio depois da morte de uma outra, objeto de uma atenção preocupada, mimada.
Ele queria antes de mais nada que eu estivesse feliz, e ela queria que eu fosse uma pessoa de bem. Somando os desejos dos dois eu tinha, dentro da família e do nosso bairro operário, uma vida privilegiada e de dar inveja, eu era aquela que nunca mandam para fazer com-pras, que responde aos clientes “eu não atendo”, sob o pretexto de que ela continuou os estudos. Enquanto você era a tristeza deles, eu sabia que era a espe-rança, os problemas e acontecimentos da vida deles, da primeira comunhão ao término da escola, seu triunfo. Eu era o futuro deles.

🌻 Como é feito o diagnóstico da perimenopausa? Talvez você já tenha ouvido que “basta fazer um exame de sangue” para sab...
11/08/2026

🌻 Como é feito o diagnóstico da perimenopausa?

Talvez você já tenha ouvido que “basta fazer um exame de sangue” para saber se está na perimenopausa. Não é bem assim.

O diagnóstico da perimenopausa é feito principalmente pela avaliação da mulher. O médico considera três pontos:

➡️ Idade, mudanças no ciclo menstrual e sintomas.

E o FSH? Por que ele não é suficiente?

Porque os hormônios podem variar muito nessa fase. A função dos ovários não para de uma hora para outra. Ela vai mudando aos poucos e pode oscilar de um ciclo para outro.

Por isso, o FSH pode estar alto em um exame e normal em outro.

📌 Uma única dosagem pode não mostrar o que realmente está acontecendo.

É por isso que os principais consensos sobre o envelhecimento reprodutivo consideram as mudanças no ciclo menstrual como um dos principais sinais da perimenopausa.

Em mulheres com mais de 45 anos, que apresentam ciclos irregulares e sintomas típicos, geralmente não é necessário fazer exames hormonais para confirmar o diagnóstico.

⚠️ Mas existem situações em que os exames podem ser importantes, principalmente em mulheres com menos de 45 anos ou quando existe suspeita de uma alteração na função dos ovários.

Também é importante investigar outras condições que podem causar sintomas parecidos, como alterações da tireoide, anemia, ansiedade e depressão.

No fim, não existe um único exame que diga sozinho se você está na perimenopausa.

O diagnóstico começa ouvindo a mulher, entendendo seus sintomas e observando as mudanças no seu ciclo. ❤️

Cada caso precisa ser avaliado de forma individual.

Salve este post e compartilhe com quem precisa saber disso.

Se a ansiedade chegou de repente no climatério, você não está imaginando coisas.Muitas mulheres descrevem a mesma sensaç...
22/07/2026

Se a ansiedade chegou de repente no climatério, você não está imaginando coisas.

Muitas mulheres descrevem a mesma sensação: um nervosismo novo, o coração acelerado sem motivo, uma irritabilidade que não reconhecem como sua. Quase sempre, vem junto a dúvida: o que será que está acontecendo comigo?

Os estudos mostram que os sintomas ansiosos realmente aumentam na transição menopausal, com pico na perimenopausa. Existe uma janela biológica sensível: o estradiol oscila de forma errática, e essa instabilidade mexe com os circuitos que regulam o humor e a resposta ao estresse.

Mas o hormônio não explica tudo. O que mais prevê ansiedade nessa fase é a soma de vários fatores: a história de vida, traços como o neuroticismo e, sobretudo, o estresse do momento presente: trabalho, finanças, relações, saúde, família.

Ou seja: a ansiedade no climatério é multifatorial. E é justamente por isso que o cuidado também precisa ser amplo.

O tratamento combina medidas psicofarmacológicas, quando indicadas, e não farmacológica como terapia cognitivo-comportamental, mindfulness, movimento. Não existe fórmula única. Cada caso pede uma abordagem individual.

Se você tem se sentido assim, saiba que há caminho, há ciência e há tratamento. Você não precisa atravessar essa fase no automático nem sozinha.
bioalve este post para consultar depois e compartilhe com alguém que precisa ler isso. 💛

“Nunca tive depressão na vida. Por que agora, aos 47, me sinto assim?”Essa pergunta aparece com frequência no consultóri...
10/07/2026

“Nunca tive depressão na vida. Por que agora, aos 47, me sinto assim?”

Essa pergunta aparece com frequência no consultório. A resposta não está na fragilidade emocional, mas na neurobiologia da transição.

Estudos longitudinais mostram um risco 1,8 a 2,9 vezes maior de depressão na perimenopausa em comparação com a pré-menopausa. Cerca de 30% das mulheres sem transtorno psiquiátrico prévio desenvolvem sintomas depressivos nessa fase; entre aquelas com transtorno depressivo prévio, a proporção chega a 45–65%.

O estrogênio é um regulador do metabolismo energético cerebral e modula os sistemas de serotonina e noradrenalina, com receptores presentes nos núcleos da rafe e no locus coeruleus. Sua flutuação e seu declínio afetam circuitos que regulam o humor. As alterações de sono, mediadas pelos sintomas vasomotores, são preditores importantes de depressão na transição.

O tratamento tem base científica e é individualizado: psicoterapia e medidas de estilo de vida nos casos leves a moderados; antidepressivos conduzidos por avaliação médica nos casos moderados a graves. A terapia hormonal tem evidência modesta, o estrogênio transdérmico tem papel na prevenção de sintomas depressivos na transição inicial, e não como tratamento isolado da depressão já estabelecida.

A depressão na perimenopausa costuma responder pouco à reposição hormonal isolada. Na maioria dos casos, a avaliação psiquiátrica é necessária. Se você se reconhece nesses sintomas, existe acompanhamento especializado.

Saúde mental da mulher, com rigor científico e sem simplificações.

P.s. Este conteúdo tem caráter educativo e não substitui a consulta médica individual.

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Curitiba, PR
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