Stefanie Leyser - Psicanálise

Stefanie Leyser - Psicanálise Psicóloga formada pela UFPR, pós graduanda pela PUCPR. Percurso em Psicanálise.

18/05/2026

A Reforma Psiquiátrica consolidou a compreensão de que o cuidado em saúde mental deve ocorrer no território, em diálogo com a vida cotidiana das pessoas e articulado à Rede de Atenção Psicossocial (RAPS). Esse modelo reconhece que o sofrimento psíquico não pode ser tratado pelo isolamento, pela exclusão ou pelo confinamento, mas por práticas que promovam autonomia, cidadania e participação social.

No entanto, vivemos um cenário de disputas profundas no campo da saúde mental, com subfinanciamento da RAPS, expansão de dispositivos de caráter asilar e aumento do financiamento público às comunidades terapêuticas, muitas delas marcadas por denúncias de violações de direitos e ausência de fiscalização adequada. Paralelamente, crescem propostas de internação involuntária voltadas especialmente à população em situação de rua, retomando práticas higienistas e segregadoras que historicamente sustentaram a lógica manicomial.

Essa lógica não se restringe aos antigos hospitais psiquiátricos. Ela permanece viva em práticas cotidianas que controlam, silenciam e excluem: práticas racistas e misóginas; escolas que isolam estudantes neurodivergentes porque “dão trabalho”; serviços que decidem sobre a vida das pessoas sem escutá-las; famílias que retiram autonomias sem necessidade; empresas que tratam o sofrimento mental apenas como problema de produtividade.

Também se expressa em práticas violentas e antiéticas como a chamada “cura gay”, que tenta tratar orientações se***is e identidades de gênero como doença, desvio ou algo a ser corrigido. Essa perspectiva patologizante é uma das expressões mais perversas da lógica manicomial, pois busca normalizar corpos, subjetividades e modos de existir, negando a diversidade humana e os direitos fundamentais. O manicômio persiste sempre que a diferença é tratada como ameaça e a exclusão é apresentada como cuidado.

Não queremos que essa lógica “pegue”. Por isso, a campanha “Pra essa moda não pegar: a Psicologia em defesa da Luta Antimanicomial” nos convida a fortalecer a Reforma Psiquiátrica, defender o SUS e reafirmar o cuidado em liberdade como compromisso ético e coletivo.

Eu já tive a oportunidade na época de estágio em trabalhar com esse tipo de escuta, e é ao mesmo tempo que difícil, é ta...
18/05/2026

Eu já tive a oportunidade na época de estágio em trabalhar com esse tipo de escuta, e é ao mesmo tempo que difícil, é também muito gratificante fazer um acolhimento de forma adequada a uma criança/adolescente que passou por algo tão doloroso.

➡️ Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.

Segundo a pesquisa Cenário da Infância e Adolescência no Brasil em 2025, três em cada quatro denúncias de violência sexual no Brasil são cometidas contra pessoas com menos de 19 anos. Já o Boletim Epidemiológico do Governo Federal indica que:

📌58,8% das vítimas são adolescentes
📌 76,8% são meninas
📌 49,4% são pessoas negras.

💻Com o crescimento do uso da internet, novas formas de violência sexual também vêm se ampliando, aumentando os riscos e a exposição de crianças e adolescentes.

👤 Os agressores são, na maior parte dos casos, homens, e um a cada três registros são de casos reincidentes, ou seja, a violência já havia acontecido anteriormente. Além disso, frequentemente o agressor pertence ao círculo de convivência da vítima.

Entre as consequências da violência sexual observam-se sentimentos de culpa, vergonha, medo e confusão emocional. Crianças e adolescentes também podem apresentar dificuldades de confiança, alterações de humor, sintomas de ansiedade, retraimento social e prejuízos na autoestima, com impactos também nas relações sociais e na vida escolar.

🎯Nesse contexto, a escuta qualificada constitui um dos principais instrumentos de atuação da Psicologia. Este processo deve seguir com cautela, sensibilidade e rigor profissional, evitando questionamentos excessivos, pressa por detalhes, demonstrações de dúvida sobre o relato e aplicação de juízo de valor sobre as pessoas envolvidas.

✅No trabalho psicológico, trata-se de oferecer um espaço seguro para que a criança ou adolescente possa expressar sentimentos e elaborar experiências traumáticas. Mais do que buscar respostas imediatas, a escuta ética permite validar a experiência da vítima, respeitando seu tempo e suas formas de expressão.

Leia no site a íntegra do texto escrito pelo pelas psicólogas Jheniffer Cristina Bernardi Da Silva (CRP-08/33541) e Gracirene Pereira Saito (CRP-08/44425), do Núcleo de Infância e Juventude da Comissão Direitos Humanos do CPR-PR.

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