18/05/2026
A Reforma Psiquiátrica consolidou a compreensão de que o cuidado em saúde mental deve ocorrer no território, em diálogo com a vida cotidiana das pessoas e articulado à Rede de Atenção Psicossocial (RAPS). Esse modelo reconhece que o sofrimento psíquico não pode ser tratado pelo isolamento, pela exclusão ou pelo confinamento, mas por práticas que promovam autonomia, cidadania e participação social.
No entanto, vivemos um cenário de disputas profundas no campo da saúde mental, com subfinanciamento da RAPS, expansão de dispositivos de caráter asilar e aumento do financiamento público às comunidades terapêuticas, muitas delas marcadas por denúncias de violações de direitos e ausência de fiscalização adequada. Paralelamente, crescem propostas de internação involuntária voltadas especialmente à população em situação de rua, retomando práticas higienistas e segregadoras que historicamente sustentaram a lógica manicomial.
Essa lógica não se restringe aos antigos hospitais psiquiátricos. Ela permanece viva em práticas cotidianas que controlam, silenciam e excluem: práticas racistas e misóginas; escolas que isolam estudantes neurodivergentes porque “dão trabalho”; serviços que decidem sobre a vida das pessoas sem escutá-las; famílias que retiram autonomias sem necessidade; empresas que tratam o sofrimento mental apenas como problema de produtividade.
Também se expressa em práticas violentas e antiéticas como a chamada “cura gay”, que tenta tratar orientações se***is e identidades de gênero como doença, desvio ou algo a ser corrigido. Essa perspectiva patologizante é uma das expressões mais perversas da lógica manicomial, pois busca normalizar corpos, subjetividades e modos de existir, negando a diversidade humana e os direitos fundamentais. O manicômio persiste sempre que a diferença é tratada como ameaça e a exclusão é apresentada como cuidado.
Não queremos que essa lógica “pegue”. Por isso, a campanha “Pra essa moda não pegar: a Psicologia em defesa da Luta Antimanicomial” nos convida a fortalecer a Reforma Psiquiátrica, defender o SUS e reafirmar o cuidado em liberdade como compromisso ético e coletivo.