28/07/2025
Se você já escutou que “depressão em idosos é normal da idade”, vale repensar. A literatura recente mostra que a depressão resistente pode se manifestar em qualquer faixa etária e exige abordagem específica. A cetamina, em doses subanestésicas, tem se mostrado uma ferramenta relevante no tratamento desses casos, com estudos apontando eficácia clínica tanto em adultos quanto em idosos, sem diferenças estatisticamente significativas na resposta ao tratamento.
A infusão intravenosa e o uso intranasal (via esketamina) têm sido avaliados em diversos protocolos, com destaque para a rapidez do efeito antidepressivo e o potencial de reverter quadros graves com ideação suicida. Além da ação nos receptores NMDA, a cetamina contribui para a reorganização sináptica e aumento da neuroplasticidade — aspectos essenciais para pacientes que já não respondem às medicações de primeira linha. Em idosos, os dados indicam boa tolerância e baixo impacto sobre funções cognitivas, o que reforça sua segurança em contextos clínicos bem conduzidos.
Mais do que inovação, a cetamina representa uma alternativa clínica para casos complexos, quando bem indicada e acompanhada por equipe especializada. Não substitui outras formas de cuidado, mas pode abrir uma janela terapêutica estratégica para reengajar o paciente no processo psicoterapêutico e funcional. Falar sobre isso é parte do avanço da psiquiatria baseada em evidências.
📌 Fonte: Revista FT – “Uso da cetamina como escolha no tratamento em adultos e idosos com depressão resistente ao tratamento” (2024)
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