23/02/2026
Nunca achei que fosse escrever sobre Big Brother Brasil, muito menos relacionando com Freud. Não que não faça sentido, pelo contrário, faz muito! Afinal, o Big Brother — em qualquer país, acredito — reflete de forma intensificada toda a sociedade atual; a forma como tudo acontece de forma diluída fora da casa acontece lá dentro com muito menos barreiras, espaços, tempo e escolhas. A questão é que eu nunca me interessei. Assisti aos primeiros pela novidade e pelas opções mais limitadas de canais, mas também não com tanto interesse. Esse ano me peguei viciada — inclusive estou assistindo no PPV nesse instante —, discutindo, vendo resumos pela manhã, etc.
Conforme as coisas aconteciam, às vezes várias coisas em algumas horas, fui relacionando com questões d’O mal-estar na civilização, de 1930, meu texto preferido. Senti vontade de falar sobre, escrever sobre, então resolvi reler e marcar tudo o que podia articular, e agora venho falar um pouco — tudo não dá, né?! — vamos ver o que sai, mas já percebi que terá de ser mais de um texto, para não virar uma miscelânia cansativa.
Freud falava então da sociedade e da tendência do indivíduo de buscar prazer e satisfação, e evitar desprazer e sofrimento a partir da evolução das coisas, e o Big Brother traz isso para o quase literal, eliminando cada adversário do programa até que reste apenas um, o vencedor.
Das 3 fontes de sofrimento às quais estamos expostos (próprio corpo, mundo externo e relações com os outros), os brothers só não têm influência direta (com exceção de eliminação de paredão) com o mundo externo, e esta é uma maneira de amenizar tal sofrimento: o distanciamento ou isolamento. Engraçado é que Freud ainda coloca que esse método alcança a felicidade por meio da tranquilidade, condição bem contrária à realidade em questão — apesar de em certos momentos afirmarem parecer um Resort. Em compensação, as outras 2 são muito mais ampliadas ali, numa ultra-convivência e também com muito tempo livre para pensar.
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