14/05/2026
Existe uma romantização da privação alimentar sendo vendida como autocontrole, quando o que acontece é exatamente o oposto no nível neurobiológico.
Longos períodos sem comer e oscilações glicêmicas frequentes aumentam a liberação de cortisol e adrenalina, alterando regulação emocional, tolerância ao estresse e controle de impulsos. O organismo passa a operar em maior estado de alerta fisiológico, e um sistema em alerta tende a responder de forma mais reativa, menos elaborada e mais instável ao longo do dia.
Isso também pode acontecer inclusive em pessoas que usam medicações como Mounjaro, Ozempic e Retatrutida. A redução da fome não elimina a necessidade fisiológica de energia e nutrientes para o cérebro funcionar adequadamente.
A imagem dramatiza isso visualmente, mas o mecanismo descrito nela já é amplamente discutido na literatura sobre estresse, metabolismo e funcionamento cerebral.
O ponto não é demonizar medicações ou transformar alimentação em uma discussão moral, é compreender que estabilidade emocional também depende de estabilidade fisiológica. Em muitos casos, o que parece “falta de controle” pode ser um organismo funcionando sob privação energética crônica, tentando manter desempenho, regulação emocional e capacidade de decisão sem os recursos básicos necessários para sustentar esse funcionamento ao longo do dia.
Referência: “Stress, cortisol and obesity: a role for cortisol responsiveness in identifying individuals prone to obesity”, publicado na National Library of Medicine (PubMed Central), 2016.