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psi.diaria - Psicóloga clínica
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Existe uma romantização da privação alimentar sendo vendida como autocontrole, quando o que acontece é exatamente o opos...
14/05/2026

Existe uma romantização da privação alimentar sendo vendida como autocontrole, quando o que acontece é exatamente o oposto no nível neurobiológico.

Longos períodos sem comer e oscilações glicêmicas frequentes aumentam a liberação de cortisol e adrenalina, alterando regulação emocional, tolerância ao estresse e controle de impulsos. O organismo passa a operar em maior estado de alerta fisiológico, e um sistema em alerta tende a responder de forma mais reativa, menos elaborada e mais instável ao longo do dia.

Isso também pode acontecer inclusive em pessoas que usam medicações como Mounjaro, Ozempic e Retatrutida. A redução da fome não elimina a necessidade fisiológica de energia e nutrientes para o cérebro funcionar adequadamente.

A imagem dramatiza isso visualmente, mas o mecanismo descrito nela já é amplamente discutido na literatura sobre estresse, metabolismo e funcionamento cerebral.

O ponto não é demonizar medicações ou transformar alimentação em uma discussão moral, é compreender que estabilidade emocional também depende de estabilidade fisiológica. Em muitos casos, o que parece “falta de controle” pode ser um organismo funcionando sob privação energética crônica, tentando manter desempenho, regulação emocional e capacidade de decisão sem os recursos básicos necessários para sustentar esse funcionamento ao longo do dia.

Referência: “Stress, cortisol and obesity: a role for cortisol responsiveness in identifying individuals prone to obesity”, publicado na National Library of Medicine (PubMed Central), 2016.

Existe uma diferença importante entre estar cansado e operar cognitivamente abaixo do básico.A privação de sono reduz pr...
13/05/2026

Existe uma diferença importante entre estar cansado e operar cognitivamente abaixo do básico.

A privação de sono reduz precisão mental, o cérebro perde velocidade de processamento, capacidade de sustentar atenção, flexibilidade cognitiva e regulação emocional. E o mais preocupante: a maioria das pessoas continua funcionando sem perceber o quanto já está comprometida.

É por isso que alguém privado de sono começa a esquecer coisas simples, responder no automático, perder tolerância emocional e sentir que qualquer demanda mínima virou excesso.

Muita gente tenta compensar isso com cafeína, hiperprodutividade e rotina acelerada, enquanto o sistema nervoso já está funcionando em déficit.

Em clínica, é comum encontrar pessoas tentando “corrigir” na personalidade aquilo que começa na exaustão fisiológica.

Sono insuficiente não afeta só disposição, afeta funcionamento mental!

O término não começa com uma grande crise, começa naquela conversa que você pensou em ter e deixou pra depois, em algo q...
03/05/2026

O término não começa com uma grande crise, começa naquela conversa que você pensou em ter e deixou pra depois, em algo que te incomodou, mas parecia pequeno demais pra trazer pro seu parceiro. É o momento em que vocês estavam juntos, mas cada um já estava em outro lugar.

Aos poucos, vocês continuam funcionando. Resolvem a rotina, organizam a vida, dão conta do que precisa. Mas começam a se encontrar menos, mesmo dividindo o mesmo espaço. E não é só sobre comunicação no sentido de “falar mais”, é sobre conseguir dizer o que é sutil, antes que vire acúmulo; porque quando o que é pequeno deixa de ser dito, ele não desaparece! Ele vira peso.

Outro ponto que costuma passar despercebido: o tempo do casal vai sendo tomado por tudo que é urgente. Filho, trabalho, cansaço... E quando sobra algum espaço, ele já vem preenchido de exaustão.

Mas vínculo não se sustenta só na convivência, ele precisa de momentos em que vocês não estão resolvendo nada, estão só se (re)encontrando.

Não é a quantidade de tempo que passam juntos, é a qualidade da presença! Se vocês só se encontram na função, o vínculo começa a enfraquecer fora dela. Não é sobre esperar o momento certo, é sobre interromper o automático e propor a mudança!

Relação não se reorganiza sozinha, se vocês não criam espaço para conversar antes de virar acúmulo, o afastamento vai ser inevitável. Na prática, isso signif**a duas coisas que parecem simples, mas exigem decisão: voltar a ter um espaço que não seja só funcional e parar de tratar como pequeno o que já está impactando a forma como vocês se encontram.

Vínculo não se perde por falta de sentimento, se perde por falta de manejo, e isso, sim, é responsabilidade do casal!

29/04/2026

5 anos atrás eu marquei 8 pacientes no mesmo dia, sem intervalo.

Na época interpretei isso como comprometimento. Com o tempo, e com mais maturidade clínica, entendi que era um sintoma de algo que a gente raramente discute na formação: a dificuldade do próprio terapeuta de estabelecer limites saudáveis.

A literatura já documenta bem o impacto do esgotamento profissional na qualidade do vínculo terapêutico. Mas na prática, a gente só internaliza isso quando para e se olha honestamente. Para mim, esse olhar ficou mais preciso com a maternidade, que reorganiza não só a rotina, mas a hierarquia do que realmente importa.

Reduzir o número de atendimentos foi uma decisão clínica e pessoal. Porque presença terapêutica de qualidade não é compatível com sobrecarga, e eu não estava disposta a oferecer menos do que o meu trabalho exige.

Hoje atendo um volume menor de pacientes, com mais intenção, mais escuta e mais resultado. E defendo, sem hesitação, que cuidar da própria saúde mental não é um detalhe na vida de quem trabalha com ela. É o fundamento.

E você, em algum momento da sua vida percebeu que estava confundindo volume com valor?

Esse post de "Quem sou eu" foge do recomendado pelo pessoal do marketing, eu sei! É longo, tem textos extensos... Mas se...
23/04/2026

Esse post de "Quem sou eu" foge do recomendado pelo pessoal do marketing, eu sei! É longo, tem textos extensos... Mas se fosse muito curto e genérico, não seria eu! Então, me apresento a vocês! 🫂

17/04/2026

Saúde mental não é somente sobre terapia ou medicação.
Existe um corpo que sente, acumula e também precisa de espaço pra se regular. O movimento entra como parte desse cuidado: ajuda a reduzir o estresse, organiza e regula as emoções e fortalece a forma como você lida com a vida.

E tem algo que o corpo vive no coletivo: pertencimento. Estar com outras pessoas, compartilhar o treino, dividir o cansaço… tudo isso também sustenta a saúde mental.

(E por fim, um super obrigada meninas, por toparem participar do vídeo mesmo depois de um treino puxado!)

18/03/2026

Existe uma diferença na forma como mães e pais costumam interagir e brincar com seus filhos. Estudos em psicologia do desenvolvimento infantil mostram que os pais tendem a engajar as crianças em brincadeiras mais físicas, imprevisíveis e desafiadoras, enquanto as mães costumam ter interações mais voltadas ao cuidado, regulação e proteção.

Essas diferenças não signif**am que um estilo seja melhor que o outro; na verdade, eles são complementares e ambos têm papel importante no desenvolvimento infantil.

Dentro desse contexto, pesquisadores descrevem o conceito de “brincadeira de risco” (risky play), que se refere a experiências desafiadoras, mas ainda dentro de um ambiente relativamente seguro e supervisionado. Esse tipo de brincadeira permite que a criança experimente pequenas doses de incerteza, movimento intenso e exploração.

A literatura aponta que essas experiências contribuem para o desenvolvimento de autonomia, autoconfiança, percepção de limites corporais, regulação emocional e tolerância ao risco, além de favorecer a exploração do ambiente e a construção de competências socioemocionais.

Em outras palavras, não se trata apenas de diversão! Esse tipo de interação também participa da construção de segurança interna e da capacidade da criança de lidar com desafios.

Não é incomum que, diante dessas situações, a mãe pense ou fale:
“Isso é perigoso! Melhor não!”

Enquanto o pai pensa:
“Isso vai ser divertido e vai virar uma ótima memória!”

Quando existe espaço para essas duas funções: proteção e encorajamento; a criança desenvolve tanto senso de segurança quanto coragem para explorar o mundo.

👉🏻 Claro que tudo isso precisa acontecer com responsabilidade e respeito aos limites da criança, sem negligência. O adulto continua sendo o responsável por garantir um ambiente seguro, avaliar riscos reais e oferecer suporte, permitindo a exploração sem expor a criança a perigos desnecessários.

09/02/2026

Como terapeuta de casais, eu não minimizo o amor ou o desejo, eles são essenciais! Sem vínculo e sem erotismo, não há relação conjugal viva.

Mas é preciso maturidade para entender: eles não são suficientes para sustentar uma relação.

Desejo é ativação, novidade, química. Amor é apego, conexão, intimidade. E ambos oscilam ao longo das fases da vida.

O que as pesquisas e a evidência clínica nos mostra de forma consistente, é que o verdadeiro preditor de estabilidade é a capacidade de regulação emocional.

É conseguir atravessar conflito sem humilhar, assumir a própria vulnerabilidade em vez de atacar, reparar depois do erro e sustentar frustração sem romper o vínculo.

Casais não se mantêm apenas porque se amam, se mantêm porque sabem se regular, quando amar f**a difícil. Assim, conseguem passar pelas adversidades se unindo, e não se afastando.

06/02/2026

Longe de mim desmerecer o tratamento medicamentoso: ele é necessário, indicado e fundamental em muitos quadros clínicos. Mas a ciência já não deixa margem para dúvida: atividade física é parte estrutural do tratamento em saúde mental, não um complemento opcional.

Meta-análises e revisões sistemáticas com dezenas de milhares de participantes mostram que o exercício reduz de forma consistente os sintomas de ansiedade e depressão, com efeitos clínicos relevantes e, em muitos casos, comparáveis aos da psicoterapia e da farmacoterapia; além de potencializar ambos quando associados.

O movimento age no cérebro e no corpo de forma ampla e integrada. Ele favorece a plasticidade cerebral, ajuda a regular o estresse, melhora o sono, a autoestima, a cognição e a capacidade de lidar com emoções, ampliando e sustentando os efeitos do tratamento medicamentoso.

Tratamento mental ef**az não é só químico! É biopsicossocial.
Sem atividade física, o cuidado f**a incompleto. E os resultados, limitados!

*As afirmações deste conteúdo se baseiam em evidências de meta-análises e revisões sistemáticas publicadas em periódicos científicos de alto impacto, como American Journal of Psychiatry e Journal of Psychiatric Research, além das diretrizes oficiais da Organização Mundial da Saúde. Os estudos completos podem ser disponibilizados mediante solicitação.

Psicoterapia é essencial, mas o equilíbrio emocional também depende do corpo. A atividade física ajuda a modular o estre...
02/02/2026

Psicoterapia é essencial, mas o equilíbrio emocional também depende do corpo. A atividade física ajuda a modular o estresse, melhora a regulação do humor e favorece a plasticidade cerebral que sustenta as mudanças construídas em terapia. Em torno de 30 minutos por dia de exercício moderado já se associam à redução de sintomas ansiosos e depressivos. Sem movimento, o avanço psicológico pode até ocorrer, mas tende a ser mais lento e mais instável.

Referências científ**as:

Schuch FB et al., 2016 – Exercise as a treatment for depression: meta-analysis. J Psychiatr Res
Mammen G & Faulkner G, 2013 – Physical activity and prevention of depression. Am J Prev Med
Szuhany KL et al., 2015 – Exercise effects on BDNF: meta-analysis. Neurosci Biobehav Rev
Stubbs B et al., 2017 – Exercise and anxiety: meta-analysis. Depress Anxiety
World Health Organization, 2020 – Guidelines on Physical Activity and Sedentary Behaviour

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