26/08/2026
Você atende homens que não são pais? 🤔
Talvez você chegue por aqui, veja conteúdos sobre maternidade, parentalidade e feminismo, e pense:
“Acho que ela não atende homens que não são pais”.
Pois é, uma conclusão equivocada!
Antes de atuar no consultório, a minha atuação tinha como público mais recorrente homens, por estes serem a maioria na condição de estar em situação de rua e também por ser a maioria no CAPS álcool e outras dr**as.
Ao longo da construção dessa prática, passei a me debruçar sobre as masculinidades: do que elas são feitas, os sofrimentos que atravessam os homens e os desafios do “ser mulher” atendendo ao público masculino.
Ser uma psicóloga de orientação feminista e existencialista implica em analisar as relações
de gênero, pois não é possível isolar um gênero do outro. Somos seres em relação. A sociedade patriarcal adoece a todos, mas de formas distintas, gerando desigualdades, privilégios para alguns e cerceamento de outras(os) modos de existir.
Além disso, a parentalidade atravessa a todos: mesmo não sendo pai, esse homem tem ou teve um pai (pela presença ou pela ausência) e uma mãe, podendo ou não exercer papéis de cuidado ao longo da vida.
Então, sim! Atendo homens que não são pais. Inclusive, eles representam uma fatia expressiva da minha clínica hoje.
Acredito que, pelos meus estudos e posicionamentos sobre feminismo e relações de gênero, chegam até mim homens dispostos a questionar a construção da própria masculinidade, rever a relação que estabelece com as mulheres e aprender a reconhecer, nomear e acolher as suas próprias dores e sentimentos.
Talita Teixeira | Psicóloga (CRP 08/19792)