20/07/2026
Em minha humilde opinião, deveríamos alterar a nomenclatura de freio SUBMUCOSO para freio MUSCULAR. A terminologia “submucoso” signif**a “situado ou colocado debaixo de mucosa”. O que nos leva a um erro de interpretação, como se existisse uma corda ou ligamento (o freio!) localizado abaixo da mucosa. Mas estudos com cadáveres frescos (Mills 2019 e 2020) mostraram que o freio lingual é formado a partir dos tecidos do assoalho da boca, quando a língua é elevada ou elevada e retraída, justamente nos casos de freios submucosos.
Anatomicamente e histologicamente, a MUCOSA oral está presente em TODOS os freios, porque ela é a camada mais superficial de revestimento da boca toda. Mas, quando juntamente com as camadas de mucosa e fáscia, fibras musculares do genioglosso são também tracionadas do assoalho da boca (seja por estarem encurtadas ou apenas tensionadas), visualizamos clinicamente um freio lingual rosado, espesso e com limites pouco definidos, isto é, um freio MUSCULAR (e f**a bem didático com o vídeo postado aqui). E este tipo de freio lingual muitas vezes nos traz desafios importantes tanto para diagnosticar quanto para operar.
Estudos clínicos de frenuloplastia em pacientes a partir de 1 ano de idade comprovaram que se faz necessária a liberação das fibras musculares encurtadas (MIOTOMIA), a fim de que possamos obter melhores resultados de mobilidade na reabilitação miofuncional. E esta liberação completa é ainda mais importante quando se trata de casos de anquiloglossias mais severas, segundo Choi (2011 e 2022). Portanto, os colegas cirurgiões que atuam com bebês maiores, crianças, adolescentes e adultos precisam aprimorar a sua técnica e atuar em um limite cirúrgico resolutivo e seguro.
Mas… e como operar o freio lingual “MUSCULAR” de bebês mais novos? Cortando AQUÉM do MÚSCULO! Invadir o tecido muscular em bebês signif**a SOBRETRATAR, além de aumentarmos o risco de intercorrências, como sangramento e desconforto pós-operatório. Portanto, sugiro muito cuidado com a indicação cirúrgica destes freios em bebês! Para estes casos, torna-se ainda mais imprescindível o olhar TRANSDISCIPLINAR e FUNCIONA