07/08/2026
Existe uma diferença bem grande entre querer ter um filho e querer ser pai.
Em um país com mais de 1,7 milhão de crianças nascidas na última década no Brasil que possuem apenas o nome da mãe na certidão de nascimento, precisamos pensar sobre a diferença entre ser pai e ter um filho. Somente em 2025, cerca de 174 mil recém-nascidos foram registrados sem o nome paterno, o que representa mais de 6% do total de nascimentos no país naquele ano. Os dados oficiais são monitorados nacionalmente pelos cartórios por meio do Portal da Transparência do Registro Civil.
Ele dizer que quer ter um filho, não o qualifica para ser pai. Paternidade se constrói na presença, na participação. É conhecer seu filho e saber os gostos, é saber o nome da professora e frequentar as reuniões da escola.
Ter um filho, é status, é foto na rede social com frase de "meu filhão". Bem longe de ser pai e vivenciar a paternidade como ela é.
Em um país com tantas crianças sem registro paterno, precisamos cada vez mais de uma sociedade que mostre que o papel do pai que participa é fundamental para o desenvolvimento de crianças e adolescentes. E essencial para dividir a carga da parentalidade com a mãe.
Psicóloga Fernanda de Camargo
Especialista em psicologia clínica com aperfeiçoamento em psicologia perinatal e da parentalidade
CRP/PR - 08/15834